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Branco

Segurei firme o braço dela e puxei pra perto de mim, estava sentindo uma raiva do caralho, talvez pela mistura do álcool no sangue.

Branco: tu tá me achando com cara de que, Débora? Me fala, sou moleque pra você caralho? —ela me olhou assustada— Agora você fica quieta, quando tem que abrir a porra da boca, não abre... algum dia eu disse que ia te namorar? falei que tava casado contigo? Não fode caralho, você não é porra nenhuma pra chegar em mim falando nesse tom, tá me confundindo com qualquer um mas eu faço você lembrar rapidinho de quem eu sou.

Débora: para de simular, você vai na minha casa e fala várias coisas especiais pra mim, fica o dia todo lá, me manda flores e acha que eu vou pensar o que? Eu sei que não somos namorados, mas achei que a coisa estava começando a ficar séria.

Branco: te tratei bem só caralho, se você não tá acostumada com isso eu não posso fazer nada. —tirei a mão do braço dela e fui pra trás— eu nunca dei papo de futuro em você, eu sou homem e sempre te mostrei isso, nunca te iludi. Agora tu chega aqui fazendo maior cena na frente da mãe do meu filho, tá com essa moral toda porque? Nunca te dei. — a lágrima escorreu do rosto dela e ela limpou rápido.

Débora: fica tranquilo Branco, eu que entendi as coisas erradas, eu não vou mais me intrometer na sua vida e nem da mãe do seu filho —falou em tom de deboche e eu passei a língua nos lábios— mas eu também não quero que você ouse a entrar na minha vida de novo, não quero que vá na minha casa, nem seus seguranças atrás de mim, nada vinculado a você. Entendeu?

Branco: fica tranquila... não era eu quem ia atrás. Segue teu rumo e se liga, próxima vez que chegar do jeito que chegou em mim você vai tomar uma coça.

Dei as costas pra ela e dei a volta entrando no carro, a rua não estava cheia, mas o pouco de gente que tinha estava observando o show que ela armou. Tô de cara quente até agora, quase agi por impulso e meti a mão nela, não foi preciso porque depois que a Isabella foi embora ela abaixou a guarda. Como quem quisesse se crescer pra mostrar alguma coisa pra passar a visão que eu e ela tinha algo mermo e que eu estava com as duas.

Peguei meu celular pra mandar mensagem pra Isabella, deu nem tempo porque já estava bloqueado, tentei ligar várias vezes mas também não chamava. Liguei o carro e fui até a casa dela, fiquei chamando na porta por um tempão, eu sabia que ela tava aqui e acordada, porque vi a luz de dentro acendendo e apagando duas vezes.

Já fiquei mais bolado ainda, a noite tinha tudo pra sair naquele procedimento e agora vou tem que dormir sozinho em casa.

[...]

Dei um gole na minha bebida gelada e olhei os moleques jogando bola na quadra. Só tinha criança, tudo abaixo dos 13 anos mesmo e o Lobo entre eles, a criançada estava dando uma surra nele.

Brito: aconteceu algo entre você e a doidinha? —olhei pra ele e franzi a testa sem saber de quem ele falava — a Débora, ela tá ali do lado e não para de olhar pra você.

Virei a cabeça olhando e ela estava sentada na mesa com umas meninas e me encarava de rabo de olho.

Branco: me viu com a Isabella e arrumou confusão ontem à noite, no final dei rl com ela e a Isabella saiu bolada comigo. —ele riu.

Brito: tu é um cara muito fiel meu amigo, não conseguiria ter duas ao mesmo tempo não.

Branco: e nem quero... eu sou tranquilo na minha, você me conhece. Nunca quis ter nada sério com ninguém porque essas paradas de cobrança me tira do sério, ainda mais se eu não amando. Só que tô ficando velho, os 29 vai bater na porta daqui dois meses e uma hora vou tem que parar o trem. Não tenho mais cabeça pra ficar com esses bagulhos de ficante não.

Brito: você tá paradão na da mãe do seu filho né?

Branco: negócio ali é mais embaixo, mas eu e ela não dá certo mais não.

Brito: A isabella ainda é muito nova, vacilou contigo, mas nunca esteve na sua maldade. Não sei a que ponto vocês estavam, como era antes das coisas, mas ela mexe contigo. Só que você precisa tá ligadão, porque ela tá vivendo a fase que tu já passou faz tempo, de ficar de curtição, sem se apegar.

Branco: mas mentiu pra mim, perdeu a minha confiança. Tu ficaria com tua mulher sem confiar, como que dorme ao lado de alguém assim? Não dá...

Brito: sem confiança não dá mermo não, se você achar que não vai confiar nunca mais tu tem que finalizar esse sentimento. Ou tu acha que vai dá pra vocês criar uma criança se gostando, mas vivendo longe mentindo pra vocês mesmo? Tu é mais esperto que eu Branco, sabe disso.

Branco: tu e o Lobo deram pra pegar na minha mente né? —dei uma risada grossa sem humor.

Brito: papo reto porque a gente é amigo, tu era só meu patrão meses atrás, agora posso te mandar o papo de uma vez.

Meu celular vibrou e eu tirei do bolso lendo a mensagem na barra de notificação da minha vó, era uma imagem. Abri no WhatsApp e vi que era a Isabella em um ensaio de foto, aparentemente a minha vó tinha ido junto com ela. Recebi algumas fotos e estavam lindas pra caralho, ela com a barriga de fora fazendo várias poses.

Isabella pode ter fugido ontem, mas ela ainda mora na minha comunidade e a gente vai se esbarrar logo logo, não tem como se esconder.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora