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Branco
4 anos depois

Respirei fundo, olhando pro teto branco com algumas luzes piscando. Eu estava no bordel. No meu bordel. O som das risadas das meninas misturava com a música baixa que tocava no ambiente, enquanto algumas dançavam no palco com roupas curtas de ensaio.

Abaixei o olhar pro Guilherme, que brincava no chão com um carrinho, totalmente alheio ao que acontecia ao redor.

Voltei minha atenção pro cara à minha frente. Ele falava sem parar, gesticulando enquanto eu segurava um copo na mão, tentando absorver o que era realmente importante. Lobo, Kaká, o engravatado e um segurança também estavam ali, atentos na conversa.

Branco: Eu entendi tudo isso. — Coloquei o copo na mesa. — Eu preciso saber quanto fica pra eu ser desvinculado de tudo isso caso precise.

Henrique: Isso depende do que eles te acusarem. No momento, acham que você é dono desse puteiro...

Levantei a mão, interrompendo.

Branco: Bordel. Puteiro é demais também.

Henrique: Esse bordel. — Concluiu sem se importar. — Mas se você quiser ser totalmente desvinculado, tem que morar em outro lugar. E sair do comando.

Branco: Isso não tem cogitação. — Cruzei os braços. — Não pretendo me mudar por agora, mas em breve. O valor?

Henrique: Mínimo 100 mil.

Assenti com a cabeça, já mentalmente separando esse dinheiro.

Branco: Se eu precisar, eu te procuro de novo. Agradeço pela vinda.

Ele se levantou, cumprimentou a gente e saiu com o segurança.

Suspirei pesado. Eu estava ficando velho, minha família precisava de mim cada vez mais, e eu sabia que, se ficasse preso, não poderia ajudar ninguém.

Não planejava sair do tráfico agora, mas queria comandar tudo de uma forma mais estratégica. Minha ideia era deixar alguém aqui como chefe no meu lugar, mas eu ainda tomaria todas as decisões. Só precisava me organizar primeiro.

Já tinha comprado uma casa no asfalto e estava construindo. Assim que ficasse pronta, me mudaria com Isabella e Guilherme.

Lobo: Tu chamou o cara aqui só pra isso? — Ele riu.

Branco: Eu não vou ficar falando dessas coisas em ligação. Precisava saber o valor pra deixar separado, se precisar. Agora, nessa fase da minha vida, nada pode sair do controle. Não é só eu sozinho.

Olhei pro meu pequeno, que tinha parado em frente ao palco, observando as meninas dançarem.

Kaká: Menor é ligeiro. — Riu.

Lobo: Se a Isabella catar ele aqui contigo, hoje você dorme no sofá.

Branco: Tá de dia, as minas estão vestidas, nada demais...

Olhei pros caras e fui direto ao ponto.

Branco: Se eu for sair, Kaká vai assumir aqui. Mas vai precisar de ajuda, Lobo. Você permanece da forma como sempre permaneceu.

Kaká: Tu tem certeza, patrão?

Branco: Tenho. Você vai fazer as paradas do teu jeito, mas eu quero estar ciente de tudo.

Ele concordou, mas antes que pudéssemos continuar, uma voz ecoou pelo lugar.

Isabella: Michael.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora