Marina - Capítulo 62

220 15 0
                                    


— Sai desse quarto, garota! — Júlia tacou um travesseiro no meu rosto.

— Eu quero dormir! — exclamei virando para o outro lado.

— Já faz dois dias que está ai! — reclamou.

— E pretendo ficar aqui até o Edu voltar. — afirmei direcionando meu olhar para ela e logo depois, voltando à fechá-los.

— Ô querida! Eu não sou mole igual a Gabriela e a Laura não, acho melhor você sair dessa cama e colocar um sorriso nessa cara ou eu vou te bater. — seu tom foi grosseiro, até assustei.

— Como é? — olhei para ela e ela estava segurando para não rir. — Babaca!

— Quem é a babaca aqui? — cruzou os braços.

— Você! — exclamei pegando o travesseiro que há pouco minha cabeça se encontrava apoiada e lancei diretamente em seu rosto.

— Marina, você tá um porre! — exclamou lançando o travesseiro de volta e eu ri.

— Okay, você venceu! — ergui as mãos em forma de rendição.

— Finalmente! — bateu palmas como se estivesse assistindo ao final de algum espetáculo.

— O que temos para hoje? — indaguei enquanto me espreguiçava.

— Se arruma que temos um churrasco para ir. — parecia estar animada.

— Gabriel com certeza está envolvido nisso. — ergui a sobrancelha e ela sorriu, confirmando.

Tomei um banho e quando sai, minha roupa estava em cima da cama. Júlia havia feito questão de escolher cada peça.

— Você tem um péssimo gosto. — reclamei.

— É o que tinha no seu guarda-roupa. — deu de ombros.

— Nem vem, eu sei que você trouxe isso aqui sei lá de onde. — afirmei e ela riu.

— Se veste e para de reclamar, te espero lá embaixo. — avisou e saiu.

Antes de me vestir, peguei a foto do Eduardo e beijei como de costume.

— Atrapalho? — indagou, Gabriel só com a cabeça para dentro do quarto.

— Sim. — respondi e ele parecia estar surpreso. — Brincadeira!

— Boba você, hein... posso entrar?

— Vou me arrumar e já eu desço, tá bom? — apontei para a toalha no meu corpo e ele entendeu o recado.

Vesti as roupas que Júlia havia escolhido, joguei o meu cabelo para o lado e só passei rímel. Meu rosto estava péssimo. Nesses últimos dias, Eduardo só mandou UM áudio, sim, só UM. Mas eu fiz questão de guardá-lo e ouço todos os dias antes de dormir, no áudio ele diz que me ama. O único que tem permanecido por perto é o Felipe, que a propósito, tem cuidado de mim mais do que a minha própria mãe, que nem ao menos me telefona.

Desci e todos estavam há minha espera, Miguel veio ao meu encontro e me abraçou do jeito que eu gosto. Ele e Gabriel são os que mais passam tempo comigo quando não estou com Felipe. Henrique não tem mais tanto tempo, Laura vive enjoada e cheia e desejos, sem contar com as consultas há cada quinze dias e como eu já esperava, eles não estavam ali.

— Mari, remarquei sua consulta para amanhã. — avisou, Felipe antes que eu saísse.

— A gente tem remarcado essa consulta há semanas e nunca dá certo, deixa isso pra lá. — dei de ombros.

A Escolha CertaOnde histórias criam vida. Descubra agora