Marina - Capítulo 68

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— Oi amor...— olhei para o lado e quem estava ali, era o Gabriel.

— Ei, calma...— disse fazendo carinho em meus cabelos.

— Meu Deus! — sussurrei enquanto olhava o estado da minha camisola e dei um pulo da cama.

— Foi por isso que eu te acordei, quem fez isso foi você! — disse erguendo as mãos em forma de rendição.

— Eu rasguei a minha própria camisola? — arregalei meus olhos.

— Sim, enquanto dormia... estava sonhando com ele, não é? — questionou e eu concordei, voltando há me deitar.

— Eu quero ele, eu quero muito! — falei e nesse momento, um mar de lágrimas estava presente por todo o meu rosto.

— Vai ficar tudo bem, vem cá. — disse me puxando para si e eu apoiei minha cabeça em seu peito.

— Preciso trocar de roupa. — sussurrei sonolenta.

— Não se preocupe, sabe que eu não sou capaz de fazer nada com você. — afirmou e eu caí no sono.

[...]

Acordei ouvindo alguns gritos, quando abri os olhos dei de cara com uma Júlia e um Miguel revoltados e abatidos.

— O que? — indaguei sem entender.

— Eu confiei em você! — a fúria nos olhos da Júlia era evidente. — Eu achei que você fosse minha amiga mas me enganei e feio!

— Mas que merda é essa? — Gabriel perguntou abrindo os olhos.

— Isso que eu estou tentando entender também. — afirmei.

— Pelo visto, eu não tenho nenhuma chance com você mesmo! — essa foi a vez do Miguel se pronunciar.

— Do que está falando? — ergui uma sobrancelha.

— Você terminou com o Eduardo ontem e já está com esse ai! — exclamou apontando para o Gabriel.

— É o que? — questionei assustada e automaticamente, olhei para o Gabriel que me olhou estranhando e não teve como evitar as risadas que vieram logo a seguir.

— E ainda começam há rir, vocês são dois ridículos! — Júlia falava com a voz embargada, levantei rapidamente para ir explicar tudo há ela.

— Ga...Ga...— gaguejei olhando para o Gabriel quando percebi que eu estava apenas de roupas íntimas.

— Você dormiu assim? — questionou, Gabriel me olhando assustado tanto quanto eu ou até mais.

— Eu acho que sim. — engoli em seco.

Júlia e Miguel pareciam duas estátuas, apenas me olhavam sem reação. Procurei minha camisola pelo quarto e a encontrei no meio das cobertas.

— Ops. — mostrei minha camisola rasgada ao meio e me lembrei do que havia acontecido de madrugada.

— Você devia ter trocado, a culpa é minha. — disse, Gabriel passando as mãos no rosto com força.

— Gente, eu posso explicar. — afirmei olhando para Júlia e Miguel.

— Explicar o que? Que vocês dormiram juntos? Isso eu já entendi, não sou nenhum trouxa! — disse, Miguel como se eu o estivesse traindo.

— Espera aí! Eu estava querendo explicar por pura educação porque eu não tenho nada contigo e acredito que o Gabriel não tenha nada com a Júlia também! Vocês sabem que somos amigos e a prova disso é que eu terminei com o cara que eu amo ontem e o Gabriel veio pra cá por instinto ou sei lá e cuidou de mim, cuidou muito bem mas eu não tenho culpa se sonhei com aquele idiota de madrugada e... e...— a vergonha por eu ter rasgado a minha camisola enquanto sonhava com o Eduardo falou mais alto e eu me calei.

— Calma, Marina! Como você já disse não devemos explicações para eles.

— Eu achei que você estivesse gostando de mim, Gabriel, como eu fui burra! — exclamou, Júlia chorando e saiu correndo.

— Vai atrás dela, Gabriel. — mandei e ele ainda pensou em retrucar, mas o encarei e ele foi, ele sabia que seria melhor assim.

Fiquei ali quietinha, me deitei na cama novamente e puxei o cobertor até o meu pescoço. Eu queria tanto que aquele sonho fosse uma realidade. Me encolhi na cama e chorei silenciosamente. A dor da perca é realmente, insuperável.

— Ei, desculpa. — pediu, Miguel e eu me assustei.

— Achei que não estivesse mais aqui. — sussurrei.

— Acho que você não percebeu minha presença, parece estar tão longe. — sorriu fraco.

— Queria estar mais longe ainda. — confessei.

Hawai. Era lá que eu queria estar.

— Não se preocupe, é normal terminar com um cara e se deitar com outro. — tentou me consolar e eu o fuzilei com os olhos.

— Eu não tive relação nenhuma com o Gabriel! — exclamei já perdendo a paciência.

— Não precisa esconder de mim. — tocou em meu braço e eu puxei o meu braço de volta.

— Quer saber? Vai embora! Vai e não volta! — falei enquanto o empurrava para fora do meu quarto.

— Por que está fazendo isso? — questionou a minha reação.

— Porque você é um idiota igual ao Eduardo que terminou comigo por achar que eu sinto algo por você! — cuspi as palavras com rispidez.

— Você não teve nada com o Gabriel? Então como explica a sua camisola rasgada? Vai dizer que você mesma fez aquilo? — questionou com desdém.

— Eu não te devo explicações, estou solteira! — sorri com ironia e bati a porta.

Solteira. Estou solteira. Bom, o que uma solteira faz da vida?

Eu sabia muito bem para quem ligar e torcia para que ela estivesse de bom humor.

— Alô, Laura...— falei quando a mesma me atendeu na terceira chamada.

A Escolha CertaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora