Outra manhã que o despertador toca e a minha vontade é apenas de desligá-lo e virar para o outro lado. Apesar de estar de férias, minhas obrigações me fazem acordar mais cedo. Só tenho sossego a noite e olhe lá, pois sempre acabo sendo arrastado por Julian para uma noitada. Julian é uma garota de quinze anos mas que aparenta ter a minha idade na aparência e ÀS VEZES, na maturidade. A conheci em uma das reuniões de "negócios", já que o pai da mesma é um dos sócios do meu pai. Ela era a única amiga que eu tinha aqui mas por conta de um incidente, não nos falamos mais como antes. O incidente é que em uma das noites que ela me arrastou, acabamos ficando e a mesma agora jura que está apaixonada, tanto que fez questão de tirar uma selfie de nós enquanto ficávamos, eu estava tão bêbado que nem ao menos percebi os flashes em nós. Depois disso, procurei manter distância mas como já disse, ela ainda consegue me arrastar para as noitadas com a desculpa de que seu pai só deixa ela ir, se eu for junto. Isso até me lembra um alguém que eu quero esquecer. Enfim, procuro me manter sóbrio perto dela pois o arrependimento que eu senti no dia seguinte, não tem como explicar.
Ouço alguém bater na porta.
— Entre. — digo me sentando na cama.
— Bom dia! — diz Clarice.
— Bom dia, sogra! — digo sorrindo. Sim, se eu quero esquecê-la, deveria parar de chamar a mãe dela assim, mas ainda lhe chamo e não pretendo parar.
— Tem algumas cartas para você, Felipe fez questão de mandar o mensageiro da empresa trazer. — diz com um sorriso misterioso.
— Não entendi. — digo erguendo uma sobrancelha.
— Depois de tomar o café, dá uma olhada. — diz piscando.
Clarice deixa os papéis em cima de uma cômoda que se encontra ao lado da porta e se retira. Me levanto e enquanto me arrumo, dou uma olhada bem por cima mesmo dos papéis e não parecem ser nada interessantes, mas aquele sorriso que ela deu ao dizer que o Felipe tinha trazido significa algo e esse algo parece ser bem interessante.
— Bom dia. — digo à todos que estão presentes.
— Bom dia. — me respondem em uníssono.
Logo após o café, me retiro da mesa com a intenção de ver as cartas mas ouço aquela voz e sei que terei que deixar para outra hora.
— Já temos que ir? — indago sem um pingo de vontade.
— Que desânimo é esse? — meu pai pergunta estranhando minha reação.
— É que eu tinha que ver umas cartas que recebi. — respondo, achando que tenho alguma chance de ficar.
— Só isso? Veja depois, é hora de irmos. — diz com seu ar de mandão, apenas assinto com a cabeça.
Busco meu celular e coloco uma jaqueta de couro por cima do terno, me deparo com Julian me esperando na sala e agradeço mentalmente por ter que ir com o meu pai.
— DU! — ela grita enquanto pula no meu pescoço.
— Oi Julian. — digo normalmente e ela me solta, valeu.
— O que você tem? — indaga docilmente, enquanto mexe em meus cabelos.
— Preciso ir com o meu pai. — digo tirando sua mão do meu cabelo.
— Não, não precisa mais. — diz sorrindo.
— Como é? — indago sem acreditar.
— Eu pedi e ele deixou. — responde ainda sorrindo.
— Mas eu preciso ir. — afirmo.
— Se precisasse, ele não te liberaria. — retruca, envolvendo seus braços novamente em meu pescoço.
— Eu preciso ir, você sabe o quanto isso é importante para mim. — afirmo me desvencilhando de seu corpo.
— Você ainda está encanado com aquela garota? — indaga franzindo a testa.
— Eu sou apaixonado por aquela garota. — corrijo.
— Mas você não disse que ela está com o teu o melhor amigo, o Miguel? — indaga impaciente.
— Não sei se realmente está. — respondo tentando não pensar nessa possibilidade.
— Aposto que está, ninguém é tão patético ao ponto de ficar esperando por uma outra pessoa. — afirma me encarando.
— Então, quer dizer que eu sou patético? — indago e a encaro de volta.
— Não é mas está agindo como um. — responde cruzando os braços.
— Se eu sou patético por estar apaixonado pela garota mais incrível que já conheci, então de boa, sou patético mesmo e nem ligo. — afirmo.
— Du! — exclama e bufa. — Por que não para de pensar nela?
— Qual a parte do eu sou apaixonado por ela, você não entendeu? — indago sem paciência.
— Quando você voltar, você fica com ela. — afirma óbvia.
— É o que eu quero. — afirmo.
— Mas enquanto isso, eu estou aqui! — exclama, erguendo as duas sobrancelhas.
— Enquanto isso, continuarei sendo fiel. — retruco.
— Mas você terminou com ela. — afirma com raiva.
— E daí? — ergo uma sobrancelha.
— Mas e ela, vai ser fiel há você também? — provoca.
— Não me importo, eu tendo ela no final, para mim está perfeito. — afirmo.
— Mas...— diz mas eu a interrompo.
— Eu estou de saída, tenha um bom dia! — desejo e saio.
— DU! — grita e eu nem a olho.
Pego meu carro e vou direto para a empresa.
Meu pai e suas invenções...
— Eduardo? — meu pai me chama, com certeza estranhando a minha presença.
— Sim, estou aqui. — afirmo, o encarando.
— Achei que ficaria com Julian. — diz erguendo uma sobrancelha.
— Era o que o senhor queria, não é? — indago irritado.
— Eduardo, você precisa esquecer a filha da Clarice. — afirma.
— O senhor sabe que estou aqui por ela, somente por ela mas se o senhor não entende o que eu sinto, peço que pelo menos não se intrometa. — digo ríspido e ele me olha surpreso.
— Eduardo. — me repreende ainda com a expressão de surpreso.
— Não quero ser indelicado mas o senhor não está cooperando! — exclamo e vou direto para a minha sala.
Nesses meses que estou aqui, comecei há trabalhar com o meu pai e consegui até uma sala só para mim. Não faço muita coisa, só reviso alguns contratos, nada muito importante. O que faço mesmo o dia inteiro é tentar rastrear o cara que me trouxe até aqui, o cara que me afastou da minha namorada e de toda a vida que eu levava no Rio.
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A Escolha Certa
Roman d'amourSinopse: Fazer a escolha certa. Simples, não?! Mas e se, essa escolha tivesse duas opções irresistíveis que demonstram te amar incondicionalmente? E então, você saberia escolher diferenciando o verdadeiro amor do amor carnal? Marina levava uma vida...
