Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
Acordo em minha cama, envolta por um silêncio agradável, mas interrompido pelo cheiro de algo sendo preparado na cozinha. Eu estranharia, se não soubesse que ele havia subido comigo ontem.
Sentada entre os lençóis ainda amassados pela noite, revivo flashes do que aconteceu. Levo os dedos até os lábios, tentando apagar a lembrança da sensação que eles ainda carregam. Balanço a cabeça, como se esse gesto fosse o bastante para afastar a confusão que me assombra. No entanto, ver Jaden em seu estado mais vulnerável — despido da arrogância habitual — acendeu algo em mim. Algo que ainda não sei nomear.
Levanto-me e sigo para o banheiro. A água fria do chuveiro não ajuda a dissipar o turbilhão de pensamentos, mas ao menos desperta meu corpo. Troco o pijama por um short jeans gasto e uma regata branca simples. O Halloween está próximo, e por mais estranho que pareça, ainda não tenho planos. Nem para a data, nem para nada.
Ao sair do quarto, o cheiro da comida se intensifica. Na cozinha, encontro Hossler de costas, diante do fogão. Seu colete à prova de balas está jogado sobre a mesa — um lembrete incômodo da realidade em que vivemos. Mesmo que eu odeie admitir, o cheiro da omelete que ele prepara é irresistível.
— O que está preparando? — pergunto com um leve sorriso, quebrando o silêncio.
Jaden se vira, com um olhar cansado, mas cordial. Os lábios curvam-se em um meio-sorriso quase imperceptível.
— Omelete. — dá de ombros. — Foi o que consegui encontrar na geladeira.
— Eu não fui ao mercado nos últimos dias. — levo a mão ao rosto, encenando um leve constrangimento. — Estive na casa de uma amiga, não passei muito tempo por aqui.
— Tudo bem, Lana. Eu que fui meio invasivo, aparecendo sem avisar.
— Jaden, você não está sendo invasivo... — hesito. — Afinal, o que aconteceu? Ontem você parecia arrasado.
— Não foi nada. Só alguns problemas no trabalho... e em casa. Você sabe como é. Casa velha, sempre quebrando alguma coisa. — ele responde com naturalidade, mentindo com a mesma facilidade com que respira. Se eu não soubesse da verdade, talvez até acreditasse.
— Claro. — murmuro, embora saiba que há muito mais por trás.
Sento-me em uma das cadeiras. Ele termina de preparar o omelete e o coloca no prato, estendendo-o para mim.
— Eu já comi. — diz, vestindo o colete novamente. — E não se preocupe. Só vou ficar por aqui até o fim de semana. — acrescenta com um riso leve.
Ele se afasta após desejar um bom dia. O som do elevador preenchendo o silêncio sinaliza sua partida. Sinto-me grata por ele não mencionar o beijo de ontem.
Termino meu café em paz. Coloco os pratos na pia e encaro por um instante a quietude do ambiente. É sexta-feira, e a calmaria não dura muito. A semana do Halloween se aproxima, e com ela, a rotina de transportar drogas, cuidar da fachada e, ironicamente, "tirar doce de criança".
Seis caminhões aguardam minha autorização para partir hoje. Não há tempo para jogos com o homem que insiste em aparecer nos momentos mais vulneráveis. Troco de roupa e deixo a porta do quarto destrancada. Sei que voltarei antes de Jaden, então não me preocupo.
O trajeto até o casarão é breve, o trânsito está surpreendentemente leve. No escritório, encontro Bryce, Hillary e Vinnie. Em poucos minutos, estamos mergulhados em decisões que definirão nossas próximas semanas. Optamos por concentrar os esforços nas importações das substâncias mais lucrativas — movimentação silenciosa, porém letal.
O comandante ainda respira, mas não por muito tempo. Cada passo que dou me aproxima do desfecho que planejei com tanta frieza. Mas antes disso, preciso manter minha base em ordem.
Finalizamos a reunião com eficácia. Os documentos que exigem minha assinatura já estão organizados. Permanecerei aqui até que todas as cargas deixem o galpão com segurança.
[...]
Horas depois, o elevador se abre silenciosamente, revelando a vista da cidade através da parede de vidro. O casarão está escuro, vazio, silencioso — do jeito que eu gosto.
Meus músculos doem. Treinei quase a tarde toda com Bryce, e agora tudo o que meu corpo implora é um banho quente. Vou até o quarto e acendo a luz. Lançando o celular sobre a cama, junto das chaves do carro, suspiro.
Por um instante, sinto como se alguém me observasse. Meus olhos deslizam até a janela, mas a cortina está completamente fechada. Ignoro o incômodo, talvez seja apenas o cansaço.
Abro o armário e pego um roupão, caminhando até o banheiro. Começo a encher a banheira com água bem quente. Com a porta entreaberta, começo a me despir. Estou sozinha, não há porque me preocupar.
Arranco o short e a calcinha, depois a regata. O sutiã estava encharcado de suor desde o treino. Todas as peças ficam jogadas no chão. Entro na banheira com calma, sentando-me aos poucos. Um gemido baixo escapa involuntariamente assim que a água cobre meu corpo. Inclino a cabeça para trás, encostando-a na borda fria de mármore. Fecho os olhos. A tensão escorre lentamente dos meus ombros.
A água quente me envolve como um abraço silencioso. Deixo o tempo passar sem pressa. O mundo lá fora pode esperar.
Então, a voz dele ecoa pela casa.
— Lana, cheguei.
Silêncio.
Escuto passos pesados. Depois, o som da porta do quarto de hóspedes sendo aberta e fechada. Só isso.
Franzo o cenho, erguendo o tronco dentro da banheira. A frieza dele contrasta com a noite anterior. Deve ter sido mais um dia difícil. Sem pistas. Sem palavras. Na verdade, sem absolutamente nada.
Mas o vazio que ele deixa ao se trancar em outro quarto... esse, sim, diz muito.
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COMO ASSIM BRYCE VAI SER PAI
Capítulo curto pq perdi o raciocínio no final. Juro que o próximo vai ser melhor.
Me desculpem qualquer erro tmb 💗 até o próximo capítulo