Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
Sete meses desde que nosso "sim" ecoou nas areias de Skagen, selando o recomeço que lutamos tanto para conquistar.
E em sete meses, eu conheci um tipo de amor que não machuca. Um amor que não manipula. Um amor que não ameaça ou prende, mas que, em sua pureza, me libertou.
Olívia e Sophie.
Batizamos assim por uma promessa silenciosa: novos nomes, nova vida. Cada letra bordada em suas pequenas roupinhas claras, como um novo capítulo sem sangue, ou quase.
Porque ainda somos feitos das sombras que nos moldaram.
Era uma manhã fria na Dinamarca, mas o céu estava limpo, azul como o olhar de Olívia, que agora seguia meus movimentos com curiosidade inocente. O batismo aconteceria em uma antiga capela de pedras, isolada na floresta próxima a Skagen, como se o mundo lá fora precisasse ficar longe daquele instante sagrado.
Todos usavam roupas claras, a pedido nosso. Hillary, de um conjunto bege perolado. Vinnie, com camisa creme de linho e calça cinza-clara. Addison e Bryce, em sintonia - ela com um vestido champagne que complementava perfeitamente o blazer branco dele. Noah, agora mais crescido, vestia um macacão de linho areia. Todos estavam perfeitos.
E eu? Usava um vestido longo off-white de mangas rendadas, sentindo-me mais confiante no corpo que carregara e amamentara duas vidas. Jaden estava em um terno cinza-claro e camisa branca, mas o que realmente chamava atenção era o modo como ele segurava Sophie, agora mais alerta, seus olhinhos verdes curiosos observando tudo ao redor.
— Acha que ela tá com frio? — murmurou ele, ajeitando a mantinha. — A mãozinha dela tá meio gelada.
— Amor... — sorri, enquanto Hillary embalava Olivia, que agora tentava pegar os brincos dela, e Addison ajustava o laço no cabelo que começava a crescer em Sophie. — Elas estão bem. E você continua sendo um pai maravilhoso.
— Eu não quero ser só "maravilhoso", moranguinho. Quero ser o melhor — murmurou ele, olhando para a bebê no colo. — Porque elas merecem o que eu não tive.
Aquela frase ainda me desmontava.
A cerimônia foi íntima. O padre local falava em dinamarquês, mas as palavras eram traduzidas ali mesmo. Fiquei emocionada ao ver Hillary com os olhos marejados enquanto segurava Olívia, que agora balbuciava sons suaves. Ao lado, Vinnie não escondia o orgulho de ser padrinho. Os pais de Jaden, John e Amy, estavam na primeira fila; ela segurando o lenço contra o rosto, ele com a mão firme no ombro do filho. E Cooper, o irmão protetor, estava atento a cada movimento, como se ainda custasse a acreditar na felicidade que finalmente encontráramos.
Addison estava deslumbrante com Sophie no colo, acalmando-a com carícias suaves. E Bryce, como sempre, tentou conter a emoção, mas a voz falhou ao prometer:
— "Sempre que essa menina precisar, ela vai encontrar em mim um lar."
O momento do batismo chegou.
A água tocando a testa das meninas. Os olhos fechados de Jaden. Minhas mãos entrelaçadas às dele. As lágrimas inevitáveis. O murmúrio da fé preenchendo a capela. E a certeza: não havia mais volta.
A Assassina Vermelha não existia mais.
Só havia Hayley. Mãe. Esposa. Sobrevivente.
E, ao fim, quando o padre pronunciou o nome completo delas, Olívia Zimmermann Hossler e Sophie Zimmermann Hossler, senti que algo dentro de mim se encerrou com dignidade.
Não com sangue. Mas com redenção.
À tarde, em nossa casa em Aarhus...
Risos infantis ecoavam pelo corredor. Olívia tentando engatinhar em direção a Noah, que fazia caretas para fazê-la rir. Sophie balbuciando "pa-pa" nos braços de Jaden, que sorria como se tivesse ganhado o mundo.
Hillary preparava o jantar na cozinha, enquanto Vinnie a ajudava, ambos rindo de alguma lembrança. Addison organizava os brinquedos, e Bryce tentava montar um berço extra, porque, segundo ele, as meninas estavam crescendo rápido demais.
E Jaden...
Agora sentado no chão, incentivando Olívia a dar seus primeiros passos. Me olhando sobre o ombro dela, seu sorriso dizendo tudo que precisávamos saber.
À noite, ainda trocava fraldas, ainda me ajudava quando o cansaço batia, ainda era aquele homem transformado pelo amor.
Ele dizia, com seu rosto iluminado pelo abajur:
— Eu passei a vida acreditando que o amor era uma fraqueza. Que cuidar de alguém era criar um ponto cego. Mas você... você me mostrou que o amor não é fraqueza, é coragem.
Ele fez uma pausa, segurando minha mão com uma força que prometia eternidade.
— Você não apenas me salvou. Você salvou a minha alma. E eu juro, por tudo que há de sagrado, que vou passar o resto da minha vida merecendo cada respiro seu, cada sorriso, cada amanhecer ao seu lado.
As lágrimas escorriam pelo meu rosto quando ele continuou:
— Te amo não porque você é perfeita, mas porque encontrei na sua imperfeição a minha redenção. E se há um céu, ele começa aqui, no momento em que você me olha assim.
— Eu te amo — Jaden finalizou, sua testa encostando na minha — não até que a morte nos separe, mas até que a vida não seja mais suficiente.
E eu, observando nossas filhas dormirem em paz, respondia:
— E eu? Eu nunca pensei que fosse amar o homem que destruiu meu mundo... e que agora é o único capaz de mantê-lo inteiro.
A luz desses sete meses não apagou as trevas que vivemos.
Mas iluminou o caminho de volta para casa.
Porque, no fim... Até mesmo uma assassina vermelha pode se tornar mãe. Até mesmo o inimigo pode se tornar lar. E até mesmo o mais sombrio amor... pode ser o mais verdadeiro.
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