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𝐉𝐀𝐃𝐄𝐍

Saí do departamento às cinco. Estou cansado dessa merda. Sem pistas, sem porra nenhuma. Não faço ideia do que fazer.

O corpo da Brown está sendo virado do avesso em busca de evidências, mas até agora não apareceu sinal de nada. Chego à portaria, e o senhor que se identifica como porteiro me recebe.

— Boa tarde, filho. Veio ver sua namorada? — passei por ele algumas vezes com Lana, e isso me faz sorrir.

— Nós não namoramos. Somos apenas amigos — ele assente. — Tem como o senhor pedir para ela liberar minha entrada?

— Tem sim, mas vou te entregar o cartão-chave. Quando for embora, pode me devolver — ele sorri.

— Isso seria ótimo — sorrio, pegando o celular no bolso.

— Qual o nome da moça e o andar?

— Lana Davis, décimo segundo andar.

O porteiro digita algumas vezes e, então, olha para mim e diz:

— Filho, não há nenhuma Lana no prédio. O décimo segundo é o apartamento de Hayley Zimmermann.

Na hora, é como se eu congelasse. Um gosto amargo toma conta da minha boca, mas mantenho minha expressão neutra, mesmo que, por dentro, uma confusão se instale.

— Ah, claro. Lana é o segundo nome dela. Sempre confundo.

Ele concorda, continua digitando e por fim me entrega o cartão. Agradeço. Entro no elevador sem demonstrar qualquer reação suspeita. Quase corro para dentro quando a porra da porta se abre. Tiro meu colete, jogando-o no chão, e passo a mão pelos cabelos.

Porra.

Hayley Zimmermann.

Como caralhos isso passou despercebido? Eu nem ao menos a investiguei. Só vi uma pessoa do meu passado por meros minutos e me agarrei àquilo.

Como se ela fosse a porra de uma inocente.

Agarro meu celular e mando uma mensagem para Dixie:

Me: Hayley Zimmermann.
Me: Quero um relatório completo sobre esse nome.

Ela responde com um "Pode deixar", e eu pego o colete do chão, indo até o quarto de hóspedes. Jogo o colete lá dentro assim que abro a porta. Minha mente está acelerada, mal consigo acompanhar meus próprios movimentos.

Porra, bem debaixo do meu nariz.

Se ela for... Não!

Minha mão agarra a maçaneta do quarto dela. Minha mente me lembra de que nunca vi essa porta aberta, nem mesmo quando ela estava aqui. Giro a maçaneta com cuidado, se ela estiver aí, não quero acordá-la. Não ainda.

Ela entrou no meu caminho. Brincou com a minha confiança. Mentiu pra mim. Posso ter me mostrado vulnerável, mas essa parte de mim acabou de morrer.

Ela não está no quarto quando entro. Caminho até a escrivaninha e começo a abrir as gavetas. Seja lá o que ela esconde, eu vou descobrir agora.

Na primeira gaveta, só canetas e papéis em branco — nada importante. Segunda e terceira, vazias. Mas a quarta está trancada. A curiosidade se acende, mas não vou arrombar apenas para ver o que tem dentro.

Examinando bem a segunda e a terceira, procuro fundo falso — nada. Os criados-mudos ao lado da cama também estão vazios.

— Merda — quase grito, fechando a última gaveta com força.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora