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HAYLEY

Alguns dias se passaram desde o acidente no banheiro. A queda foi pequena, mas o susto... grande. O impacto torceu meu tornozelo e, por recomendação médica (ou melhor, por ordens de Jaden), acabei com um gesso que me imobilizou até a panturrilha.

Foi só uma semana.

Mas dentro dessa casa... uma semana é o bastante para perder o juízo ou, no meu caso, o controle.

Fui "transferida" para um quarto no térreo. Segundo Jaden, era mais prático. Segundo minha própria análise... era mais fácil para ele me vigiar.

O quarto era bonito, amplo, com uma grande janela que dava para o jardim. Mas eu o odiava. Não pela decoração, mas pelo motivo de estar ali, de novo, à mercê das decisões dele.

Jaden dormiu todos os dias ao meu lado.

Sim. Dormiu.

Nenhuma tentativa forçada. Nenhum toque indevido. Nenhuma palavra além do necessário.

No segundo dia, ele ajeitou meu travesseiro. No terceiro, sentou-se ao pé da cama e massageou meu pé. No quarto, trouxe meu café da manhã pessoalmente, e ficou me observando enquanto eu comia. E ontem... ontem ele cantou para mim. Em voz baixa. Uma música ... Uma que eu nem consegui acompanhar, porque tudo o que eu fazia era observar o jeito como ele fechava os olhos como se estivesse vivendo a música, como sua voz ficava mais grave em certos versos, como seus olhos pareciam, por um breve instante, não carregar sangue, mas peso.

Esse Jaden me desconcerta mais do que o homem que grita e destranca portas à força.

Esse Jaden, que cuida... me confunde.

Eu devia odiá-lo. Mas quando ele me olha assim... por que meu corpo trai minha mente?

[...]

Naquela manhã, o céu estava limpo e uma brisa morna entrava pela janela entreaberta. Sentei devagar na cama, o gesso ainda me incomodava um pouco. A camisola de cetim rosa claro colava-se suavemente ao meu corpo, revelando mais do que escondia.

Ouvi batidas na porta.

— Entre — disse, fingindo normalidade.

Oliver apareceu, vestindo uma camiseta cinza e calça jeans escuras. Os olhos percorreram meu corpo apenas por um segundo, rápidos, respeitosos — mas eu vi. Vi e sorri por dentro.

— Trouxe a pomada recomendada — disse, vindo até mim com o frasco em mãos.

— Pode aplicar, por favor? — falei, como quem não pensa duas vezes.

Ele hesitou. Só por um segundo. Mas sentou-se ao meu lado, pegou meu pé enfaixado com cuidado e começou a espalhar o creme com suas mãos.

Foi nesse exato momento que a maçaneta girou.

— Oliver. — A voz de Jaden cortou o ambiente como uma fria navalha.

Ergueu-se de imediato, afastando-se. Jaden entrou devagar, mas seus olhos... seus olhos me atravessaram como uma lâmina.

— Ela te chamou? — perguntou com o tom de quem já sabia a resposta.

— Sim. Para aplicar a pomada — respondeu Oliver, mantendo a postura.

— Pode ir. Eu cuido disso agora.

Oliver hesitou por milésimos de segundo antes de sair. E quando a porta se fechou, o quarto pareceu diminuir de tamanho.

Jaden se aproximou sem dizer uma palavra. Abaixou-se diante de mim, pegou meu pé com a mesma delicadeza de antes, e terminou o que Oliver havia começado.

Só que com ele... cada toque era mais pesado. Não pela força, mas pela intenção.

— Você esqueceu quem é o homem dessa casa, Hayley? — sua voz era baixa, arrastada.

— E desde quando essa casa é um harém? — retruquei, sem elevar o tom.

Ele sorriu de canto, mas o olhar continuava sombrio. Depois subiu o olhar até o meu rosto. O silêncio entre nós queimava mais do que qualquer faísca verbal.

E naquele momento, eu não sabia mais se queria beijá-lo... ou chutá-lo.

Talvez os dois.

[...]

À noite, ele voltou com um prato de salada caprese. Sentou-se à beira da cama. E ficou ali, me observando comer como se eu fosse uma pintura.

Quando sua mão tocou meu joelho, não recuei. Não porque confiasse. Mas porque... algo dentro de mim queria ver até onde ele iria.

E ele não foi longe.

— Boa noite, Hayley — murmurou, se inclinando e depositando um beijo em minha testa.

Apagou a luz e deitou ao meu lado. E ali ficamos, no escuro, dividindo um silêncio que, por algum estranho motivo, já não me parecia tão sufocante assim.

 E ali ficamos, no escuro, dividindo um silêncio que, por algum estranho motivo, já não me parecia tão sufocante assim

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🌩 Será que Hayley está cedendo? Ou apenas fingindo estar?

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🌩 Será que Hayley está cedendo? Ou apenas fingindo estar?

💀 E Jaden... está mesmo se redimindo, ou apenas refinando suas técnicas de controle?

nos vemos no próximo <3

com carinho,

autora ❤️

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora