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JADEN 

Faz dias que ela voltou daquele maldito encontro com Hillary.

E desde então... algo quebrou.

A Hayley que costumava me encarar com ódio agora me olha com algo pior: frieza.
Ela não grita. Não discute. Não surta. 
Apenas sorri.

Sorrisos curtos, afiados, que me cortam mais que qualquer grito.
Ela anda pela casa como se fosse dona de tudo, como se as paredes, o silêncio e até eu fôssemos apenas detalhes em um jogo que ela finalmente aprendeu a jogar.

Ontem à noite, desceu até a sala usando um short que mal a cobria. Justo. Curto. A blusa amarrada sob os seios, deixando a pele do ventre à mostra, pálida, lisa, um convite que eu sabia não ser para mim.

Sentei no sofá, com um copo de whisky na mão, observando-a caminhar em direção à cozinha.
Cada movimento seu era calculado. Cada balanço de quadril, uma provocação.

— Vai sair assim? — perguntei, a voz saindo mais áspera do que eu pretendia.

Ela nem sequer virou.
— Assim como?

— Você sabe.

Ela parou. Olhou por cima do ombro, e um sorriso mínimo, rápido como uma facada, apareceu em seus lábios.
— Não vejo problema. Oliver não reclamou quando me viu.

Quase estilhacei o copo na parede.

Oliver.

Aquele filho da puta.
Contratei-o para protegê-la, não para encarar o que é meu.
Já o flagrei diversas vezes com o olhar preso nela, na minha bunda, nos meus peitos, nas minhas costas, no meu pescoço que ele insiste em tocar com "delicadeza"...
E o pior: ela deixa.

Hoje, por volta das quatro da tarde, percebi que ela não estava em lugar algum.
Não no quarto. Não na biblioteca. Não no jardim.

Caminhei pelos corredores em silêncio, até ouvir um ruído abafado vindo da despensa.
Sons de respiração acelerada. Sons de... beijos?

Abri a porta devagar e meu mundo desmoronou.

Hayley.
Enfiada entre as prateleiras, com as costas contra a parede.
Nos braços dele.

Beijando Oliver como se estivesse faminta.
Com a perna envolta no quadril dele, os dedos dele enterrados no cabelo dela, puxando-a para perto como se ela pertencesse a ele.

Algo dentro de mim explodiu.

Empurrei a porta com tanta força que o batente rangiu como um gemido de morte.

Eles se separaram num salto.

— QUE PORRA É ESSA?

Oliver afastou-se instantaneamente, com os olhos arregalados de medo.
Mas ela... ela apenas me encarou.
Os lábios ainda vermelhos, inchados, úmidos.
Com o olhar desafiador.

— Ué — disse ela, passando a língua no lábio inferior, como se provasse o gosto dele. — Parece que o controle está escorregando de você, comandante.

A palavra saiu como um veneno doce.
Ela sabia. Sabia perfeitamente o que estava fazendo.

— Você enlouqueceu? — avancei em direção a ela, ignorando Oliver completamente.

— Não. Só cansei de ser sua propriedade.

A voz dela não tremia.
Era firme.
Fria.
Como se eu fosse um estranho.

— Você é minha, Hayley. Sempre foi e sempre será.

Ela riu. Um som seco, vazio.
— Eu era sua prisioneira. Agora sou só... uma mulher que cansou de obedecer.

Passou por mim, roçando o ombro no meu como se eu fosse invisível.
O perfume dela, aquele que eu escolhi, que eu coloquei na pele dela, me atingiu como um soco.

Agarrei seu braço.
— Se ele te tocar de novo, eu acabo com ele.

Ela se virou, lentamente, e aproximou os lábios do meu ouvido.
— Promete?

Soltei-a como se à maldita me queimasse.
Antes dela sair, virou para trás e soltou:

— À propósito Oliver, sua boca deve fazer maravilhas. 

Não satisfeita em me enlouquecer, ela pisca para o desgraçado e sai do ambiente, deixando só nós dois no lugar. 

Virei-me para Oliver. 

Ele estava encostado na parede, pálido, respirando ofegante.

— Isso não vai se repetir — falei, a voz tão baixa, quase inaudível. 
— Se você voltar a encostar nela, eu não vou apenas te demitir. Vou te enterrar onde ninguém te achará.

Ele não me respondeu. Mas vi a hesitação em seu olhar. 

Saí da despensa com o coração batendo como um tambor de guerra.
Hayley não estava apenas tentando fugir.
Ela estava tentando me destruir.

E o pior?
Ela estava conseguindo.

E o pior?Ela estava conseguindo

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Sim, o fogo foi aceso, e alguém vai se queimar

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Sim, o fogo foi aceso, e alguém vai se queimar. 👀

Hayley não está apenas jogando...
Ela está destruindo, provocando, vingando-se.
E Jaden, por mais que tente manter o controle, está à beira de perder tudo: a sanidade, a mulher que ama e a própria alma.

Será que ele vai conseguir recuperar Hayley... antes que seja tarde demais?

Nos encontramos no capítulo 35 💙

♡ autora.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora