HAYLEY
Acordei com o som da respiração dele. Baixa. Constante. Quase tranquila. Estávamos entrelaçados, os lençóis desalinhados. Sua perna sobre a minha, o braço firmemente preso à minha cintura, como se o mundo pudesse tentar me levar e ele não deixaria.
Movi-me devagar, tentando entender se tudo que aconteceu ontem à noite havia sido real. Mas meu corpo sabia. As dores íntimas, os músculos exaustos, os lábios sensíveis, tudo em mim sabia. Foi real. Cada toque. Cada beijo. Cada suspiro partilhado sob os lençóis.
Virei o rosto e o observei. Jaden dormia com a testa levemente franzida, como se, mesmo adormecido, estivesse em guerra. Mas havia uma estranha paz ali. E isso me desmontava.
Tento me levantar sem despertá-lo, mas ele se agita, e seus braços me puxam de volta, com mais força.
— Fica — murmurou, ainda de olhos fechados.
— Preciso de um banho — sussurrei, com um sorriso que não esperava esboçar.
Ele abriu os olhos. O azul mais claro sob a luz suave da manhã.
— Talvez eu tenha feito tudo errado... — disse, num tom baixo, quase rouco. — Mas quero tentar acertar agora.
— Jaden...
— Me deixa tentar. Por você. Por mim. Por nós.
Hesitei. Meus pensamentos estavam um redemoinho. Mas havia uma parte de mim que queria ver onde aquilo poderia dar.
— Um passo por vez.
Ele assentiu. Aliviado. Sorriu, e não era o sorriso cínico que eu aprendi a temer. Era outro. Dolorido de existir, mas real.
(...)
Durante o dia, pequenas coisas mudaram. Uma bandeja de café apareceu no quarto: frutas frescas, pães quentinhos, achocolatado, e um bilhete: "Não quero que nada te falte. — J."
Ri sozinha. Um bilhete. Escrito à mão. Sem ameaças, sem imposições. Desci com calma, o tornozelo menos sensível. A mansão parecia... diferente. Luzes suaves, cortinas abertas, jazz instrumental preenchendo o ambiente, tentando dizer: "ele está tentando mudar".
Mas até que ponto posso confiar? E por quanto tempo o "novo Jaden" existiria?
O calor infernal fazia o ar pesar. A piscina do lado de fora reluzia como uma miragem azul. O tédio tornou-se sufocante. Peguei o celular, agora "permitido", e escrevi a única pessoa que ainda me entendia.
ME: O inferno decidiu se mudar pra cá. A piscina tá vazia e eu tô morrendo de tédio. Vem? Pode trazer o Noah. Preciso lembrar como é a vida real.
A resposta não demorou.
HILLARY: Ele deixou? Ou é uma mensagem de socorro codificada? Se for, pisca duas vezes pro monitor.
Soltei uma risada e respondi:
ME: Ele deixou. É só um dia de piscina. Prometo.
HILLARY: Tá bom. Mas se eu ver uma algema, vou gritar tão alto que o Vinnie me ouve do trabalho. Já tô indo.
Reagi com um joinha. E esperei.
(...)
Cerca de vinte minutos depois, Hillary chegou com Noah, empurrando o carrinho com uma das mãos e uma mochilinha colorida nas costas. Seus olhos se arregalaram ao passar pelo hall.
— Isso aqui parece cenário de sequestro de filme europeu.
Noah olhou para cima, boquiaberto.
— Mamãe... isso aqui é um castelo?
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳ
FanfictionEu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele. "O inferno está cada dia mais pró...
