𝐇𝐀𝐘𝐋𝐄𝐘
Uma garotinha com um vestido amarelo de flores entra correndo na cozinha se deparando com o homem de avental que está de costas para mim mas de frente para o fogão. Ela ri baixinho e vai devagar na pontinha dos pés até o homem.
Antes que ela agarre sua perna ele se vira e a pega no colo fazendo cócegas no no seu pescoço. A garotinha com o cabelo trançado cai numa gargalhada gostosa com as cócegas e os barulhos de peido que vêm da boca do homem.
—Onde a mocinha vai vestida assim como uma princesa? — A voz conhecida faz meu peito apertar.
—E-eu e a mamãe vamos ao parquinho. — diz recuperando o fôlego.
Em um piscar de olhos a garotinha está sentada em cima da mesa de madeira enquanto uma mulher alta de cabelos castanhos avermelhados entra na cozinha com um sorriso lindo que me tras sentimentos nostálgicos. Vestida com um vestido saltinho azul claro, seus olhos são um castanho mel de impressionar qualquer um. Eu a conheço mas seu nome está fugindo de minha mente.
—Não acho uma boa ideia vocês irem hoje. — o homem diz ainda de costas.
—Está tudo bem, nós vamos voltar rápido.
De repente tudo à minha volta escurece, um grito estridente me faz tapar as orelhas de imediato. A garotinha chama pela mãe e como um click em minha mente as memórias voltam. A claridade volta escassa, mas dessa vez não estou em uma cozinha, estou em um quarto escuro sem móveis mas com apenas uma janela pequena na parede.
A pequena garota chora, o vestido que antes era colorido pelo amarelo vibrante agora está sujo e amarrotado, eu queria poder fazer alguma coisa mas quando me aproximei da garota ela passou por meu corpo como se eu não existisse, me deixando em choque. E pior ainda quando eu reconheci que a garota na verdade era eu.
—Papai, por favor. — meu eu chora e implora enquanto aperto o botão vermelho de segurança.
Meu coração aperta por saber que está longe de alguém aparecer. Gritos abafados e distantes invadem o cômodo onde estamos e eu tenho vontade de tapar minhas orelhas como uma forma de me defender das lembranças traumáticas. A garotinha anda até o canto do cômodo e se deita em posição fetal de costas para a parede.
Ela chora, grita, implora a Deus e até mesmo tenta escapar. Mas nada a tirava daqui. Ela apertou o botão de segurança mais vezes do que posso contar. Meu pai me fazia manter comigo sempre, onde quer que eu estivesse para que assim que eu apertasse ele me encontrasse. Mas nem mesmo ele apareceu.
A porta de metal abre, revelando um homem alto cheio de músculos. Uma bandeja com comida está em sua mão. Ele aperta algum interruptor na parede que quase me faz ficar cega pela claridade excessiva depois de tanto tempo no escuro.
Escondo os olhos rápido com o braço até que eu me acostume.
O homem caminha devagar até a criança, ele coloca a bandeja no chão mas antes que possa atacar ele puxa para trás.
—Se quiser comer terá que responder uma pergunta. — sua voz faz a garotinha tremer de medo, ela assentiu rapidamente. — A mulher que estava com você, é sua mãe?
Um nó se formava na minha garganta esperando a garota responder o que tive que aprender desde que nasci.
—Não, ela é minha madrasta. Papai se casou com ela a alguns anos. — as palavra estava a tanto tempo na ponta de sua língua que saíram como verdade.
A bandeja é arrastada para ela e a mão grossa acaricia sua cabeça como se eu fosse a espécie de um cachorro. O homem levanta indo para a porta enquanto ela atacou a bandeja de comida, mas o barulho de um tiro me fez pular e ela se engasgar.
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𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳ
Fiksi PenggemarEu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele. "O inferno está cada dia mais pró...
