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HAYLEY

O silêncio da mansão me sufocava.

O tique-taque do relógio sobre a parede parecia mais alto que deveria. As sombras dançavam nas paredes com o balançar suave das cortinas. Fazia três dias desde minha descoberta. E, desde então, Jaden tinha sido... diferente.

Menos rude. Menos comando. Menos controle. Mais toque. Mais olhar. Mais... humano?

Era estranho.

Era perigoso.

Eu deveria estar calculando minha próxima fuga. Mas, em vez disso, estava ali... sentada em uma poltrona, no quarto do térreo onde fiquei por causa do tornozelo. Com uma manta sobre o colo e um livro que não conseguia terminar.

Até que o sol da manhã chegou, implacável.

O céu estava limpo, o sol forte, e o dia parecia convidar para um banho de piscina. Não hesitei. Vesti meu biquíni, preto, com amarrações laterais e alguns detalhes em dourado, e fui até a piscina da mansão. O silêncio era quase terapêutico. Era raro encontrar aquele lugar sem os olhares ou julgamentos de alguém por perto. Mas naquele instante, ele era só meu.

Ou pelo menos, eu pensei que fosse.

A água estava fria, mas o contraste com o calor da manhã era revigorante. Meus cabelos grudaram nas costas quando mergulhei de cabeça e emergi alguns segundos depois, ofegante, sentindo que poderia me dissolver ali. A liberdade, por mais breve que fosse, me dava vida.

Foi quando ouvi passos.

Me virei devagar, ainda na borda da piscina, ajeitando a parte de cima do biquíni. E lá estava ele.

Jaden.

De camiseta de botão de linho branco meio aberta, bermuda tactel azul navy, óculos escuros e aquele olhar que nunca soube esconder coisa alguma. Os músculos do peito se moviam conforme ele descia os dois últimos degraus que levavam à área externa, mas o que me chamou atenção foi a forma como ele parou.

Praticamente, congelou.

Seus olhos estavam cravados em mim, ou melhor, em uma parte específica de mim.

Demorou apenas dois segundos para eu entender: eu estava de costas. A tatuagem.

Merda.

Quando se está na cadeia, as pessoas fazem loucuras, e essa foi a minha. Uma tatuagem na nádega direita, sendo a frase 'bon appétit'.

— Desde quando você tem essa tatuagem? — ele perguntou, a voz baixa, carregada de curiosidade.

Me virei para encará-lo, com um sorriso debochado que já nascia pronto.

— Desde meu primeiro ano na cadeia, eu acho.

Ele franziu a testa, os dedos se apertando contra a lateral da bermuda.

— Como é que eu não vi isso antes?

— Porque você nunca me olhou por trás com atenção suficiente. — Mentira. Ele tinha me visto de todas as formas possíveis, mas, na escuridão do quarto, na pressa dos nossos encontros, alguns detalhes escapavam.

O misto de algum sentimento circulou por ele, e pude ver sua feição mudar. Ele se aproximou com passos lentos, controlados demais para parecerem naturais.

— Doeu?

Cruzei os braços, sentindo a água escorrer pelo corpo enquanto o observava.

— Um pouco.

— Quem fez?

— Um cara na prisão. — Dei um passo para trás, começando a entrar mais a fundo na água. — De pagamento, ele quis apenas um boquete.

Ele parou a menos de dois passos de mim. As veias em seu pescoço pulsavam. E o rosto mais sério que o normal. Ao ver sua expressão, não aguentei e comecei a rir.

— É brincadeira. A parte do boquete.

— Isso não tem graça.

— Tem sim, você deveria ver sua cara. — disse, rindo mais ainda.

— Você está querendo me enlouquecer, Hayley?

— Você já enlouqueceu, Jaden. Só não percebeu ainda.

A tensão entre nós era espessa. Podia ser cortada com uma lâmina.

Ele se ajoelhou, com os olhos fixos nos meus. — Você quer guerra?

— Eu quero respeito.

— E acha que vai conseguir com frases provocantes tatuadas em partes íntimas?

— Acho que você está morrendo por dentro porque não foi o primeiro a ver.

Ele ficou em silêncio. Me fitou por longos segundos, depois sorriu. Um sorriso torto, sujo, perigoso.

— Mas serei o último. Eu vou marcar essa tatuagem. Mas com meus dentes, minha língua e a minha mão.

Meu coração falhou por um segundo. Mas não demonstrei.

— Vai ter que me convencer primeiro.

— E se eu quiser usar força?

— Vai provar que nunca passou de um menino mimado com medo de perder um brinquedo.

Silêncio.

Depois, ele se afastou. Mas antes de sair, virou-se.

— Você me desafia com um corpo que ainda lembra do meu toque.

— E você caminha por aí com a alma marcada pelas minhas cicatrizes.

Ele não respondeu. Sumiu pelo quintal, deixando o gosto da batalha no ar.

Mas eu sabia. Isso não tinha terminado.

Tinha apenas começado.

(...)

Naquela noite, o silêncio da mansão voltou a me rodear. O chocolate quente que Jaden trouxe já estava frio sobre a mesa. Não conseguia dormir, não pelo tornozelo, não pelos fantasmas do passado, mas pelo calor que ele deixara na minha pele horas antes, na beira da piscina.

E pela tatuagem que, agora, ele nunca mais esqueceria.

E pela tatuagem que, agora, ele nunca mais esqueceria

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Neste capítulo, vimos que Hayley começa a perder as certezas que a sustentavam

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Neste capítulo, vimos que Hayley começa a perder as certezas que a sustentavam.

E Jaden, ainda que continue perigoso e controlador, revela uma vulnerabilidade que pode mudar tudo.
Mas... será que tudo isso faz parte do plano dele?

Ou será que, pela primeira vez, o jogo virou contra o mestre do tabuleiro?

Nos vemos no próximo,

🥀

e o q acharam da tatto de hayley 😏🙈🙈?

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora