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HAYLEY

Alguns dias se passaram desde o "acidente" no banheiro, se é que posso chamar assim. A verdade é que parte de mim sabia que aquilo não ia acabar bem, e talvez, no fundo, eu não tenha escorregado acidentalmente.

Desde aquele dia, Jaden tem se mantido... diferente. Menos rígido, mais presente.

Quase carinhoso.

Claro, ele continua controlador. Mas o toque dele é mais leve, o olhar mais demorado, como se quisesse entender o que se passa dentro de mim, quando nem eu mesma sei.

Ele dorme ao meu lado, faz carinho em meu cabelo durante a madrugada, me oferece o braço para que eu me apoie ao caminhar.

E eu, tola que sou, comecei a ceder.

Comecei a pensar que, talvez, o monstro que eu conheci fosse apenas uma fachada, ou um trauma.

Comecei a pensar que, talvez, eu pudesse confiar.

Mas tudo mudou esta manhã.

Jaden havia saído cedo para uma reunião no centro. Oliver, como sempre, me auxiliava no que precisava. A rotina era quase pacífica.

Até que, ao mexer na cômoda do quarto no térreo, aquele que Jaden "cedeu" até que meu tornozelo melhorasse, encontrei algo que não deveria estar ali.

No fundo de uma das gavetas, entre cobertores e livros antigos, havia uma pasta. Documentos, registros... nada demais à primeira vista.

Mas um nome repetia-se com frequência.

Hubert Zimmermann.

Meu pai.

Meu coração parou.

Comecei a folhear com mais atenção, sentindo meus dedos tremendo. Eram relatórios militares, cartas confidenciais, transcrições de operações secretas.

E mais do que isso: havia anotações feitas à mão, pela caligrafia reconhecível de Jaden.

''Identificar traidores infiltrados''

''Pai e filha separados após expurgo''

''Hubert não seguiu o protocolo. Filha pode ser útil''

Útil?

Continuei lendo. Meus olhos corriam pelas páginas como se pudessem queimar o papel. Havia mensagens trocadas entre o alto escalão do Comando, descrevendo como o meu pai havia sido considerado infiltrado rebelde, mesmo sem provas definitivas.

E um nome vinha destacado nas margens do relatório de encerramento da missão que resultou na morte dele:

JADEN I. HOSSLER.

Um carimbo vermelho atravessava o documento: "Execução autorizada."

Minha respiração falhou.

Ele... ele matou meu pai oficialmente?

Não em um ato de impulso ou vingança, como imaginei no começo, mas por ordem direta? Ele fez parte da missão que destruiu minha família?

Ou pior: ele sabia o tempo todo... e mesmo assim fingiu inocência?

Engoli seco.

Recolhi os papéis e fechei a gaveta. Respirei fundo. O gosto amargo invadia minha boca como se estivesse sangrando por dentro.

À tarde, quando voltou, agiu como sempre: como se não soubesse de nada. 

Beijou minha testa. Me chamou de "minha". Perguntou como estava o tornozelo.

E eu sorri.
Porque agora, o jogo mudou.

Não sou mais só prisioneira.
Nem só cúmplice.

Sou herdeira de uma verdade que pode ruir tudo.

E Jaden...
Jaden é o algoz disfarçado de protetor.

E ele vai pagar por isso.

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Quando a verdade vem, não grita

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Quando a verdade vem, não grita. Ela sussurra.
E o sussurro dói mais que o grito.

Nos próximos capítulos, Hayley terá que decidir:
Vingança ou rendição?
Confiança ou destruição?

Nos vemos no capítulo 27 🖤

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora