𝐇𝐀𝐘𝐋𝐄𝐘
A mansão estava estranhamente silenciosa. Sem vozes, sem risos ecoando pelos corredores, sem passos apressados subindo as escadas. Hillary havia ido embora. Os outros, com exceção dos funcionários, também. Pela primeira vez desde que voltei, eu estava praticamente sozinha com Jaden. E isso... mudava tudo.
Deslizava os dedos distraidamente sobre a lateral da poltrona da sala de estar. O silêncio parecia gritar. Cada segundo sem barulho era uma contagem regressiva para o inevitável: ele estava prestes a chegar.
E não demorou.
Ouvi o som das rodas do carro na entrada. Os faróis atravessaram a parede de vidro da sala. Passos firmes subiram os três degraus da entrada principal. E, por fim, a porta se abriu.
O ar pareceu congelar por um instante.
Ergui os olhos quando ele entrou. Vestia preto da cabeça aos pés, terno bem cortado, gravata desalinhada, como se tivesse sido arrancada às pressas. Os olhos, aqueles olhos que um dia me seduziram, agora pareciam mais escuros. Não pela cor. Pela raiva contida. Pelo controle prestes a ruir.
Fechou a porta com calma. Tirou o paletó. Dobrou as mangas da camisa. Nenhuma palavra. Nenhum ruído além dos próprios passos até o centro da sala.
Ficamos frente a frente. A mesa de centro era o único obstáculo entre nós.
— Se divertiu? — ele perguntou por fim, a voz baixa, controlada, como um animal prestes a atacar.
— Foi libertador — respondi, firme, seca. Mantive o olhar. Não vacilaria.
Ele deu uma risada breve, sem humor.
— Você destruiu tudo. Meu computador, papéis confidenciais... até meus retratos e livros.
— Tudo o que destruí era um santuário da sua obsessão. Só fiz o que qualquer pessoa em sã consciência faria.
Ele avançou um passo. Eu não recuei.
— Você acha que está no controle agora, Hayley? Que pode destruir tudo e sair impune?
— E você acha que pode fazer o que quiser e que eu simplesmente vou aceitar de cabeça baixa?
O olhar dele endureceu. Por um momento, o controle ameaçou ceder.
— Você não sabe o que teria acontecido com você se eu não tivesse feito o que fiz.
— O que teria acontecido, Jaden? Me diga. Porque eu já vivi o pior. E sabe o que é pior do que sofrer nas mãos de inimigos? Sofrer nas mãos de quem dizia me amar.
Silêncio.
Ele suspirou e desviou o olhar por um segundo. Mas logo voltou a encarar-me.
— É engraçado você falar sobre amor, quando se mostrou alguém que nunca existiu. E, caso tenha se esquecido... você também me vigiava.
— Isso foi antes de tudo.
— Quando vai perceber que eu também lutei por você? — disse entre dentes, mudando de assunto.
— Não, Jaden. Você lutou para me prender. Não para me ter. Não para me deixar livre. Você lutou por posse, não por amor.
Ele ficou imóvel. O peito subia e descia com a respiração pesada. Havia algo nos olhos dele agora. Não era raiva. Era uma dor silenciosa, sufocada; mas que não o redimia. Só o tornava mais perigoso.
— E agora? — ele perguntou, quase num sussurro. — O que vai fazer? Vai tentar fugir de novo?
Fiquei em silêncio, sem saber o que responder.
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𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳ
FanfictionEu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele. "O inferno está cada dia mais pró...
