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JADEN

O gosto dela ainda ardia na minha boca.
Era ferro e sal, pecado e perdão, tudo ao mesmo tempo. Quando Hayley se afastou, o ar pareceu rarefeito, como se o mundo tivesse esquecido de respirar junto à mim. 

Ela não disse nada. Apenas me olhou, os olhos brilhando com aquela mistura indecifrável de rendição e resistência.
Por um instante, pensei que ela fugiria outra vez. Mas, em vez disso, apenas virou o rosto e saiu da lavanderia, deixando no ar o rastro do perfume e da culpa.

Fiquei ali, parado, sentindo o eco do que acabara de acontecer vibrar no peito como uma maldição.
"Não existia salvação em nós."
E, ainda assim, eu a queria, justo por isso.

Quando recuperei o fôlego, fui atrás dela.
A encontrei na varanda dos fundos, debruçada sobre o corrimão de madeira, o olhar perdido na névoa que cobria a paisagem norueguesa. O vento brincava com o cabelo dela, e por um momento pensei em quantas vezes já desejei prendê-lo entre meus dedos, só pra ter certeza de que ela era real.

Ela ouviu meus passos, mas não se virou.

— Já está satisfeito, Jaden? — perguntou, a voz rouca, quebrada, mas ainda firme. — Conseguiu o que queria?

Me aproximei um passo, só o suficiente para que minha sombra se misturasse à dela no chão.

— Eu nunca quis só isso, Hayley.

Ela riu, um som breve, sem humor.

— É, eu sei. Você quer tudo. Quer controlar até o ar que eu respiro.

— Não — respondi, com a voz baixa, contida. — Eu quero merecer estar no mesmo ar que você.

Ela se virou então, finalmente, e por um instante, vi nela a mulher que me beijou minutos atrás, não a que teme, mas a que sente demais.

— E se o que somos continuar nos destruindo? — perguntou. — Você ainda vai dizer que vale a pena?

Dei um passo mais perto, a distância entre nós pulsando como uma ferida aberta.

— Eu não sei amar de outro jeito — confessei. — Mas talvez, dessa vez, eu aprenda a não te sufocar enquanto tento te manter comigo.

O olhar dela suavizou por um segundo, o suficiente para me matar e me salvar na mesma respiração.
E então, sem mais uma palavra, ela passou por mim e entrou de volta na casa, deixando a porta entreaberta, como se me desse a escolha: ir embora, ou segui-la até o fim.

Eu fiquei.
Porque ruína ou não, ela ainda era o meu começo.

HAYLEY

Na manhã seguinte, Hillary invadiu meu quarto antes mesmo do sol nascer completamente.
— Levanta, garota. Hoje é dia de distração feminina.

— Como é? — murmurei, meio sonolenta.

— Shopping, parque, e skin care. Vinnie já está organizando as malas do Noah. Vamos aproveitar esse fim de semana como se nada mais existisse além de máscaras faciais e cosméticos.

Sorri, rendida à animação dela.

Minutos depois, já estávamos todos no carro. Eu e Noah, no banco de trás, ele, com um bonequinho nas mãos; Vinnie ao volante, e Hillary tagarelando sobre o frio norueguês.

No shopping, enquanto comprávamos cobertores e um tapete de algum desenho que Noah escolheu, senti uma pontada de culpa. Jaden estava em algum hotel próximo, e eu aqui, fingindo normalidade enquanto carregava o segredo que mudaria tudo.

No parque, observei Noah correndo entre as folhas douradas e senti as vidas crescendo dentro de mim, se mexendo como um suave lembrete.

— Está na hora de contar para ele — Hillary disse, como se lesse meus pensamentos.

— Tenho medo — admiti, pela primeira vez em voz alta.

— Medo do quê?

— Que ele use isso como outra forma de me possuir. Que transforme nossos filhos em armas.

Ela segurou minha mão.

— Ou talvez isso seja o que finalmente o faça crescer.

JADEN

No quarto do hotel, a escuridão era minha única companheira. Cada som da rua me fazia esperar que fosse ela. Cada batida na porta fazia meu coração acelerar.

Agarrei a garrafa de whisky, mas deixei-a cair. Embriaguez não era o que eu precisava. Precisava de lucidez. De estar sóbrio quando ela finalmente viesse até mim.

Mas a solidão era um veneno. E a memória dela, um tormento.

De repente, não aguentei mais.

— ONDE VOCÊ ESTÁ, HAYLEY?!

Meu punho atingiu a parede com um baque surdo. A dor afiando meus sentidos. Outro golpe. Outro. Até que a tinta branca escorreu como sangue sobre meus nós dos dedos.

Ela estava em algum lugar desta cidade. Respirava o mesmo ar. Caminhava sob o mesmo céu. E eu aqui, preso nesta cela dourada que eu mesmo construí; o homem que podia ter tudo, exceto a única coisa que importava.

— VOCÊ É MINHA! - gritei para as quatro paredes, minha voz ecoando no vazio. MINHA ATÉ MESMO QUANDO FOGE! MINHA ATÉ MESMO QUANDO ME ODEIA!

Arremessei a mesa contra a janela. O vidro estilhaçou-se em mil fragmentos, como meus pedaços espalhados por cada país onde a procurei.

Ofegante, caí de joelhos entre os cacos. O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante que minha própria fúria.

E então, como uma verdade, a calma apareceu.

Ela viria. Eu sentia.

E quando viesse, eu estaria pronto.

Não como o monstro que destruía quartos de hotel, mas como o predador paciente que sabia esperar.

Porque no final, não importava quantas paredes eu destruísse, quantos países eu percorresse atrás dela.

Hayley sempre seria minha.

E eu esperaria até o fim dos tempos para provar isso para ela.

E eu esperaria até o fim dos tempos para provar isso para ela

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🖤 Jaden não força, apenas promete

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🖤 Jaden não força, apenas promete.
🖤 Hayley se rende à verdade, por amor às vidas que carrega.
🖤 E a Noruega vira palco de perdão, cura e reencontro.

estamos nos capítulos finais, e a história só se intensifica. 🥹🥹

obrigada por cada leitura, comentário e carinho. 🖤

nos encontramos no capítulo 46 🫶🏼🫶🏼

com amor,
Autora 🖤

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora