Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
O gosto dela ainda ardia na minha boca. Era ferro e sal, pecado e perdão, tudo ao mesmo tempo. Quando Hayley se afastou, o ar pareceu rarefeito, como se o mundo tivesse esquecido de respirar junto à mim.
Ela não disse nada. Apenas me olhou, os olhos brilhando com aquela mistura indecifrável de rendição e resistência. Por um instante, pensei que ela fugiria outra vez. Mas, em vez disso, apenas virou o rosto e saiu da lavanderia, deixando no ar o rastro do perfume e da culpa.
Fiquei ali, parado, sentindo o eco do que acabara de acontecer vibrar no peito como uma maldição. "Não existia salvação em nós." E, ainda assim, eu a queria, justo por isso.
Quando recuperei o fôlego, fui atrás dela. A encontrei na varanda dos fundos, debruçada sobre o corrimão de madeira, o olhar perdido na névoa que cobria a paisagem norueguesa. O vento brincava com o cabelo dela, e por um momento pensei em quantas vezes já desejei prendê-lo entre meus dedos, só pra ter certeza de que ela era real.
Ela ouviu meus passos, mas não se virou.
— Já está satisfeito, Jaden? — perguntou, a voz rouca, quebrada, mas ainda firme. — Conseguiu o que queria?
Me aproximei um passo, só o suficiente para que minha sombra se misturasse à dela no chão.
— Eu nunca quis só isso, Hayley.
Ela riu, um som breve, sem humor.
— É, eu sei. Você quer tudo. Quer controlar até o ar que eu respiro.
— Não — respondi, com a voz baixa, contida. — Eu quero merecer estar no mesmo ar que você.
Ela se virou então, finalmente, e por um instante, vi nela a mulher que me beijou minutos atrás, não a que teme, mas a que sente demais.
— E se o que somos continuar nos destruindo? — perguntou. — Você ainda vai dizer que vale a pena?
Dei um passo mais perto, a distância entre nós pulsando como uma ferida aberta.
— Eu não sei amar de outro jeito — confessei. — Mas talvez, dessa vez, eu aprenda a não te sufocar enquanto tento te manter comigo.
O olhar dela suavizou por um segundo, o suficiente para me matar e me salvar na mesma respiração. E então, sem mais uma palavra, ela passou por mim e entrou de volta na casa, deixando a porta entreaberta, como se me desse a escolha: ir embora, ou segui-la até o fim.
Eu fiquei. Porque ruína ou não, ela ainda era o meu começo.
HAYLEY
Na manhã seguinte, Hillary invadiu meu quarto antes mesmo do sol nascer completamente. — Levanta, garota. Hoje é dia de distração feminina.
— Como é? — murmurei, meio sonolenta.
— Shopping, parque, e skin care. Vinnie já está organizando as malas do Noah. Vamos aproveitar esse fim de semana como se nada mais existisse além de máscaras faciais e cosméticos.
Sorri, rendida à animação dela.
Minutos depois, já estávamos todos no carro. Eu e Noah, no banco de trás, ele, com um bonequinho nas mãos; Vinnie ao volante, e Hillary tagarelando sobre o frio norueguês.
No shopping, enquanto comprávamos cobertores e um tapete de algum desenho que Noah escolheu, senti uma pontada de culpa. Jaden estava em algum hotel próximo, e eu aqui, fingindo normalidade enquanto carregava o segredo que mudaria tudo.
No parque, observei Noah correndo entre as folhas douradas e senti as vidas crescendo dentro de mim, se mexendo como um suave lembrete.
— Está na hora de contar para ele — Hillary disse, como se lesse meus pensamentos.
— Tenho medo — admiti, pela primeira vez em voz alta.
— Medo do quê?
— Que ele use isso como outra forma de me possuir. Que transforme nossos filhos em armas.
Ela segurou minha mão.
— Ou talvez isso seja o que finalmente o faça crescer.
JADEN
No quarto do hotel, a escuridão era minha única companheira. Cada som da rua me fazia esperar que fosse ela. Cada batida na porta fazia meu coração acelerar.
Agarrei a garrafa de whisky, mas deixei-a cair. Embriaguez não era o que eu precisava. Precisava de lucidez. De estar sóbrio quando ela finalmente viesse até mim.
Mas a solidão era um veneno. E a memória dela, um tormento.
De repente, não aguentei mais.
— ONDE VOCÊ ESTÁ, HAYLEY?!
Meu punho atingiu a parede com um baque surdo. A dor afiando meus sentidos. Outro golpe. Outro. Até que a tinta branca escorreu como sangue sobre meus nós dos dedos.
Ela estava em algum lugar desta cidade. Respirava o mesmo ar. Caminhava sob o mesmo céu. E eu aqui, preso nesta cela dourada que eu mesmo construí; o homem que podia ter tudo, exceto a única coisa que importava.
— VOCÊ É MINHA! - gritei para as quatro paredes, minha voz ecoando no vazio. MINHA ATÉ MESMO QUANDO FOGE! MINHA ATÉ MESMO QUANDO ME ODEIA!
Arremessei a mesa contra a janela. O vidro estilhaçou-se em mil fragmentos, como meus pedaços espalhados por cada país onde a procurei.
Ofegante, caí de joelhos entre os cacos. O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante que minha própria fúria.
E então, como uma verdade, a calma apareceu.
Ela viria. Eu sentia.
E quando viesse, eu estaria pronto.
Não como o monstro que destruía quartos de hotel, mas como o predador paciente que sabia esperar.
Porque no final, não importava quantas paredes eu destruísse, quantos países eu percorresse atrás dela.
Hayley sempre seria minha.
E eu esperaria até o fim dos tempos para provar isso para ela.
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🖤 Jaden não força, apenas promete. 🖤 Hayley se rende à verdade, por amor às vidas que carrega. 🖤 E a Noruega vira palco de perdão, cura e reencontro.
estamos nos capítulos finais, e a história só se intensifica. 🥹🥹
obrigada por cada leitura, comentário e carinho. 🖤