Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
Saio do escritório batendo a porta, os dedos ainda trêmulos de raiva. Os retalhos do vestido de Hayley ficaram sobre minha mesa, um desafio em seda rasgada. Claro que eu esperava resistência, mas não que ela fosse tão teatral. Subo as escadas em passos largos, o sangue pulsando nas têmporas.
Dois guardas flanqueiam a porta. Afasto-os com um gesto.
—Saiam. Voltem somente quando eu chamar.
Eles obedecem, e eu entro. O quarto dela cheira a ódio e sua essência de morango, uma combinação maldita que me irrita e excita. Hayley está sentada na cama, vestida por um robe vermelho levemente transparente, sua possível sedução dá lugar a raiva assim que olhos escurecem quando vê o vestido novo em minhas mãos.
—Eu não vou vestir isso. — Ela rosna, a voz áspera como o concreto da cela onde a mantive.
—Vai. — Me aproximo devagar, calculando cada reação. — Você vai se casar comigo, Hayley. Seu pai sabia disso. Até ele, no fim, entendeu que você sempre foi... minha.
Ela se levanta como um furacão, com os punhos cerrados. Antes que minha mandíbula fosse acertada, seguro seu pulso — Sinto o pulso acelerado sob meus dedos e o calor da pele dela me contaminando.
—Se você falar do meu pai outra vez. — diz entre dentes. — Eu mato você, e esse dia vai chegar, Hossler.
Sorrio. Era isso que eu queria: o fogo dela, seu ódio que faz com que seus olhos esverdeados fiquem escuros. Giro seu corpo contra o meu, fazendo suas costas colarem ao meu peito enquanto prendo suas mãos. Quando ela se debate, sua bunda pressiona meu membro e ela sente minha resposta involuntária. Um gemido abafado escapou de mim e ela para, ficando rígida.
—Cuidado, Moranguinho. — murmuro em seu ouvido, com os dentes roçando a cartilagem. —Se continuar se esfregando assim, vou pensar que você quer me matar de outra forma. — Rio.
Ela mal respira. Por um segundo, quase vejo o pânico nos olhos dela, não por mim, mas de si mesma. Porque ela sentiu algo. Solto-a abruptamente, e ela quase cai, os lábios entreabertos de raiva... ou será desejo?
—Agora vista isso. — Jogo o vestido em sua cama. — Ou eu te visto. E acredite, você vai preferir a primeira opção, moranguinho.
Hayley se vira, com aquela mesma raiva no olhar, mas algo no meu sorriso a faz hesitar. Talvez seja o jeito que minha mão toca o bolso do paletó - o mesmo movimento de quando eu tinha doze anos e escondia balas de morango do vigia do cemitério.
—Por que esse apelido? — Ela cospe, mas há uma fissura na voz. — "Moranguinho" é coisa de homem que acha que mulher é sobremesa.
Dou um passo à frente, invadindo o espaço dela até sua nuca encostar na parede. Levo uma mecha do cabelo dela ao nariz—o cheiro agora é âmbar e suor, mas se eu fechar os olhos, ainda consigo sentir o aroma adocicado daquela tarde.
——Você realmente não lembra, não é? — Murmuro, escancarando o desprezo. —Eu te vi chorando no túmulo da sua mãe. Seu cabelo cheirava a morango podre, e você me deu um chute na canela quando eu te ofereci um lenço. - Minha mão desce para seu pescoço, o polegar pressionando o pulso acelerado. — Meu pai achou graça. Disse que você era brava como um diabo... e me deu um trocado para "fazer você sorrir".
Ela para de respirar.
—Filho da puta... Mentiroso — Sussurra, mas seus olhos aos poucos se alargam, revirando memórias.
—Pergunte aos fantasmas, Hayley, seu pai vai saber te responder. — Solto-a e vou até a porta, mas não resisto a um último golpe: —Mas seu pai sempre soube que um dia você acabaria em minhas mãos.
Com isso, saio do quarto, deixando-a tremer. Mas não antes de ver, pelo espelho, seus dedos hesitantes tocarem o próprio pescoço, onde meus dedos estavam.
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