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HAYLEY

Na noite passada, Jaden não me tocou.
Ele apenas ficou ali, do meu lado, com a cabeça baixa e os ombros pesados.

Como se estivesse lutando com algo que não sabe nomear.

E eu...
Pela primeira vez, não tive certeza se o odiava.

Hoje acordei com o sol filtrando pelas cortinas. O quarto estava silencioso, e meu corpo estranhamente calmo. Meu tornozelo dói menos. A alma? Talvez mais.

Levanto devagar. Ainda manca um pouco. Mas consigo caminhar.
Após fazer minhas higienes matinais no banheiro e trocar meu pijama por uma roupa de academia, short e top, ambas peças azuis escuras e calçar meu tênis branco, abro a porta e saio. O corredor parece vazio.

— Hayley — ouço a voz de Oliver atrás de mim.

Me viro, mas seu rosto está mais sombrio que o de costume.

— Ele falou algo ontem? — pergunta.

— Sobre?

— Sobre mim.

— Não. — minto.

Não quero mais estar no meio desse fogo cruzado. Não do jeito que estou agora... confusa, vulnerável.

— Está tudo bem, Oliver — tento encerrar. — Eu sei o que estou fazendo.

Mas, a verdade, é que não sei.

[...]

JADEN

Acordei com o cheiro dela preso na minha pele.
Mesmo sem tocá-la, é como se tivesse deixado uma marca invisível em mim.

O que diabos está acontecendo comigo?

— Ela está mudando você — ouço a voz do meu pai ecoando na mente.
Mas não. Não é ela que está mudando. Sou eu que estou voltando a sentir.

E isso é perigoso.

Passo os olhos pelas câmeras de segurança. Vejo Hayley caminhando sozinha. A dor no tornozelo parece ter diminuído. Ótimo.

Mas então vejo Oliver.

Se aproximando.
Falando algo.

Meus olhos se estreitam. Trinco o maxilar.

— Se ele passar dos limites mais uma vez, juro por Deus que faço-o conhecer o inferno... — murmuro para mim mesmo.

[...]

HAYLEY

No fim da tarde, fui levada ao jardim da parte interna da casa. Oliver insistiu que o sol faria bem. Aceitei, talvez por tentar fugir dos meus próprios pensamentos.

Ele me ajuda a sentar em uma das espreguiçadeiras. Traz uma garrafa de suco e um livro.
Tenta me distrair.

Mas eu só consigo pensar nele.

Jaden.

Nas mãos que não me tocaram ontem, mas que seguraram minha atenção a noite toda.
Nos olhos que não me ameaçaram,  apenas imploraram.

Por quê?

O que há de errado comigo?

— Hayley, você está ouvindo o que estou dizendo? — Oliver pergunta, tirando-me dos devaneios.

— Desculpe, estava longe.

Ele suspira.
— Eu só quero te ver bem.

— Eu sei, Oliver. Mas... você precisa parar.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora