18²

168 12 0
                                        


𝐇𝐀𝐘𝐋𝐄𝐘

O som dos passos de Jaden subindo as escadas ecoava como um martelo na minha cabeça. Cada batida era um lembrete cruel das verdades que ele havia lançado contra mim.

Mas o que mais me perturbava... não era o que ele disse. Era o que ele não disse.

Os silêncios entre as palavras, os olhares carregados, a dor que, por mais que eu quisesse negar, era real.

Fiquei imóvel por alguns minutos. Não porque estava abalada, mas porque cada peça do quebra-cabeça começava, dolorosamente, a se encaixar.

A presença do pai dele.

As tentativas de invasão.

O medo latente que ele nunca admitia sentir.

E, acima de tudo, a verdade escondida sob o discurso de controle.

Respirei fundo. Meus dedos apertaram o tecido do sofá com força assim que me sentei. O controle havia escorregado por entre os meus dedos desde que voltei para essa casa.

Mas agora, eu via a oportunidade de retomá-lo.

Levantei com calma. Cada passo era calculado. Passei pela sala em silêncio, como uma sombra. Subi as escadas lentamente e, a cada degrau, minha mente fazia questão de repetir cada fala de Jaden.

Entrei no quarto sem muitas expectativas, ainda tentando expulsar aquelas palavras da minha cabeça.

[...]

Meus olhos se abriram lentamente. Dessa vez, não havia móveis sendo arrastados, nem sussurros pelos corredores.

Tudo o que restava era uma angustiante inquietude.

Depois da tempestade que foi minha última conversa com Jaden, a mansão parecia ter afundado num silêncio ainda mais denso, o tipo que sufoca, que pressiona o peito.

Levantei devagar. Pelas janelas, vi que o dia estava bonito. Uma rara disposição brotou em meu corpo. Com ela, veio a vontade de desafiar os limites de Jaden.

Chega de ser observada e controlada.

Fui até o banheiro sem pressa. Com o cabelo curto, mal consegui prender um rabo de cavalo, então apenas amarrei metade e deixei o resto solto. Vesti uma calça legging, uma blusa regata e tênis, todas as peças pretas.

Abri a porta do quarto, pronta para descer e tomar café, mas minha expressão mudou assim que me deparei com o homem de terno parado bem à minha frente.

— Bom dia, Srª Hossler. Meu nome é Oliver Martini. Fui designado para ser seu segurança pessoal. — A voz dele era firme, quase impassível.

Fiquei estática, analisando o homem à minha frente. Alto, pele dourada pelo sol, cabelos escuros e olhos verdes intensos. Quase hipnotizantes.

— Primeiro: meu nome é Hayley Zimermann, não Hossler. Segundo: eu não preciso de uma babá.

Fechei a porta atrás de mim e segui determinada em direção à escada.

Na minha cabeça, Jaden havia finalmente enlouquecido. Colocar um segurança colado em mim 24 horas por dia era ainda pior do que lotar essa casa com câmeras.

Entrei na cozinha com os pés firmes e passos ruidosos. Anne se virou rapidamente e logo notou minha expressão.

— Jaden não está — disse de imediato, olhando de relance para o homem que me seguia como um cão treinado.

— Que bom. Porque ele vai ouvir muito assim que voltar.

Peguei um cacho de uva da fruteira e comecei a comer como se não estivesse em guerra com o mundo.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora