Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
Olhei para o teste entre meus dedos trêmulos, sentada no banheiro da casa em Kristiansand, com as pernas pressionadas contra o frio do azulejo. Não chorei. Não gritei. Apenas... fiquei ali. Silenciosa. Pensativa.
Duas linhas.
É real.
Não era apenas cansaço, tontura ou estresse. Era minha ficha caindo.
— Hayley? — Hillary bateu na porta com delicadeza. — Tudo bem aí?
Respirei fundo. — Parabéns titia.
— Então é verdade?
— Sim. Eu... eu vou ser mãe.
Ela abriu a porta e já veio ajoelhando-se à minha frente, com um sorriso comovido.
— Parabéns meu amor — sussurrou, me abraçando. — Lembre-se: você não está sozinha.
Me permiti sentir naquele abraço. Pela primeira vez em semanas, senti que o chão estava firme.
Mesmo que por dentro tudo estivesse prestes a mudar.
JADEN
— Você mentiu pra mim. Pra todos nós.
Oliver ergueu os olhos, calmo demais para o que eu esperava. Estávamos na sala de reuniões de um hotel em Munique, onde o FBI mantinha um escritório improvisado. A luz do entardecer entrava fraca pelas persianas, pintando tudo de laranja sujo, a cor perfeita para a podridão que estávamos prestes a enterrar.
— Fiz o que mandaram — ele rebateu, tirando o crachá do bolso com movimentos lentos, quase desafiadores. — Mas me envolvi. Não era pra acontecer. Eu sei.
Me envolvi. Duas palavras que fizeram meus músculos enrijecerem de uma vez.
— Está fora — joguei o contrato sobre a mesa, o som ecoando como um tiro na sala silenciosa. — Isso aqui encerra qualquer vínculo entre você, a agência e a minha vida.
— E a Hayley? — ele perguntou, e o modo como disse o nome dela fez meus punhos se cerrarem.
Avancei em direção a ele, devagar, cada passo um aviso. — Hayley não vai saber de nada vindo de você. E você não vai se aproximar de novo. Nem dela. Nem dos amigos dela. Nunca mais.
Ele respirou fundo. O rosto ainda carregava uma sombra de arrependimento, sincero ou fingido, eu já não sabia. Já não me importava.
— E se eu falar algo? — ele provocou, baixo.
Foi a gota d'água.
Fechei a distância entre nós em um segundo. Minha mão envolveu sua garganta, empurrando-o contra a parede com um baque surdo. — Você acha que isso é um jogo, Oliver? — sussurrei, com a voz carregada de um veneno que só ela sabia extrair de mim. — Você acha que pode tocar no que é meu, cheirar a minha pele, colocar suas mãos sujas no corpo que só eu deveria tocar... e sair impune?
Ele tentou se soltar, mas meus dedos o apertaram com mais força. — Ela não é sua, Jaden. Nunca foi.
Um sorriso torto surgiu em meus lábios. — É sim. E você sabe. Sabe porque viu como ela reage quando eu me aproximo. Sabe que ela pode até te usar para me provocar, mas à noite... — inclinei-me mais perto, minha boca quase tocando seu ouvido — ...são meus nomes que ela geme. São minhas marcas que ela esconde. É no meu pescoço que ela enterra o rosto quando não aguenta mais.
Soltei-o com um empurrão. Ele cuspiu no chão, ofegante.
— Agora ouça bem — disse, pegando o dossiê com as provas que poderiam arruiná-lo. — Você some. Some da minha frente, da vida dela, da minha memória. Porque se eu sentir seu cheiro perto dela de novo... — estalei o dossiê contra o peito dele — ...isso aqui vai ser o de menos. Vou fazer você desaparecer de um jeito que nem o FBI vai encontrar seus restos.
Ele me encarou, o orgulho e o medo brigando em seus olhos. — Ela vai te odiar para sempre quando descobrir quem você realmente é.
— Talvez — admiti, me afastando. — Mas pelo menos ela estará viva para me odiar. E isso... isso já é mais do que você terá.
— Isso ainda não acabou.
Com essas palavras, ele sai do cômodo, deixando-me confuso sobre o que o desgraçado irá aprontar.
E eu fiquei ali, com o gosto amargo da possessão na boca e o cheiro dela, sempre, sempre dela, envenenando cada respiro meu.
Porque no fim, não importava se ela me amava ou me odiava. O que importava era que, enquanto eu estivesse vivo, Hayley seria só minha. Mesmo que eu tivesse que arrancar cada pedaço dela de qualquer um que ousasse tocá-la.
HAYLEY
Mais tarde, com Noah dormindo em meu colo e Hillary me passando os nomes de clínicas pré-natais na região, Vinnie preparava um chá na cozinha e ouvia nossa conversa ao fundo.
— Acho que vou vender as propriedades em Nova York e Chicago — comentei, ajeitando Noah com cuidado.
— Sério? — Hillary ergueu uma sobrancelha.
Assinto.
— E depois?
— Bélgica, talvez. Ou Holanda. A Europa parece um bom recomeço.
— Você merece isso — Vinnie surgiu com as canecas. — Um lugar onde seu passado não pese. Onde tudo comece limpo.
Sorri, mesmo sentindo o peso do mundo sobre os ombros. Mas pela primeira vez, a ideia de ficar... não parecia fuga. Era escolha.
— Só vou voltar aos EUA pra resolver a herança. Colocar tudo no mercado e cortar as pontas soltas.
— E depois, recomeço? — Hillary questiona.
— E depois... recomeço. Do meu jeito.
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Hayley descobre que está esperando não uma, mas duas novas vidas e, mesmo com o mundo em chamas, encontra apoio onde menos imaginava.
Jaden, por outro lado, corta laços com Oliver, mas carrega nos olhos a fúria de quem não está nem perto de desistir.
Obrigada por acompanharem. 🖤
Vejo vocês no próximo, ♡ autora
STREAM EM REPUTATION!!!! (jaden arrasou nessa música. tão animada e ansiosa para essa nova era <3)