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HAYLEY

O Volvo parou suavemente em frente ao boutique hotel norueguês. Hillary desligou o motor e virou-se para mim, com seus olhos sérios refletindo a luz do entardecer.

— Tem certeza disso, Hayley? — sua voz era um sussurro carregado de preocupação.

Apertei a alça da minha bolsa de couro negro contra o corpo, como se ela pudesse me dar um resto de coragem. O vestido que escolhi, um modelo colado e manga longa, num vermelho tão profundo que era quase negro, com um decote em V que era um convite e um desafio, parecia pesar uma tonelada. Meus pretos e finos saltos altos, uma arma que eu conhecia bem, agora me faziam sentir instável.

— Não — respondi, a verdade saindo crua. — Mas é necessário.

Hillary, minha única âncora em meio a todo aquele caos, sorriu com um canto da boca. — Ele te ama, você sabe. De um jeito doente, possessivo e completamente errado... mas ama. E agora, com as crianças... — ela olhou para minha barriga, ainda plana sob o tecido, — ...isso muda tudo.

— Ou destrói tudo de vez — completei, olhando para a fachada iluminada do hotel. Um castelo de gelo onde meu destino estava prestes a ser selado.

— Só lembra — ela disse, sua mão cobrindo a minha no colo, — que você não é mais a mesma mulher que ele conheceu. Você é a mulher que ele não consegue viver sem. A partir de agora, você dita as regras.

Respirei fundo, o conselho dela ecoando em minha mente como um mantra. Com um último abraço, abro a porta do carro.

— Obrigada, Hill.

— Por nada, meu amor. Agora vai. E lembra do combinado: se ele ficar possesso demais, eu tô a um telefonema de distância com uma metralhadora e um sorriso.

Saí do carro, e o som da porta fechando atrás de mim pareceu marcar o fim de uma vida e o começo de outra. Minhas pernas tremiam, mas meus passos sobre o mármore do lobby eram firmes. A bolsa, com seu conteúdo que mudaria tudo, batia suavemente contra minha perna.

As luzes suaves da Noruega naquela tarde pareciam pintar o mundo de uma calma que eu não sentia por dentro. Ao entrar no lobby do hotel, o som dos meus passos sobre o mármore ecoava como batidas de um coração prestes a explodir. Meus dedos trêmulos seguravam a alça da bolsa como se fosse minha única âncora à realidade.

A recepcionista, uma mulher de olhar perspicaz, sorriu ao me ver.

— Boa tarde. Em que posso ajudá-la?

— Vim ver o hóspede Jaden Hossler — disse, minha voz saindo mais firme do que eu esperava.

Ela conferiu o sistema rapidamente.

— Ah sim. Ele está no quarto 408. Posso avisá-lo?

— Não — respondi quase a cortando. — É uma surpresa.

— Claro! O elevador é a sua esquerda.

O sorriso dela se tornou ligeiramente compreensivo.

No corredor do quarto, a porta estava entreaberta. Um convite? Uma armadilha? Toquei levemente e sua voz veio de dentro, grave como um trovão distante:

— Entre.

Ele estava sentado na beira da cama, torso nu, as costas arqueadas como se carregasse o peso de todas as suas guerras. Quando me viu, seus olhos azuis incendiaram.

— Hayley? — levantou-se num movimento fluido, predatório. — O que houve?

— Precisava te contar algo — minha voz saíra um sussurro.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora