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HAYLEY

Comecei o dia com uma escolha: fazer o certo. Mas do meu jeito. 

Vestir a blusa certa. O short certo.
E o perfume de Oliver.

Aquele que eu peguei no quarto dele, na noite em que fucei suas gavetas à procura de algo, qualquer coisa, que me dissesse quem ele realmente era, mas nada achei. Um frasco preto fosco, discreto, com o nome Sauvage Elixir, da Dior. Um cheiro que era a antítese de tudo que Jaden me impôs: amadeirado, profundo, com toques de baunilha negra e cardamomo. Um aroma que gruda na pele e na memória. Um cheiro de homem que não era ele.

Me borrifei com cuidado, nas pulsos, na nuca, entre os seios.
Onde ele sempre cheirava quando se aproximava.

Me olhei no espelho por um longo segundo e sorri de canto.
O plano já estava em andamento.
Cada passo meu era calculado.
Cada gesto, uma isca.

Não por capricho.
Mas porque foi assim que aprendi a sobreviver:
Aprendendo o jogo.
E jogando melhor.

Hoje, eu não cheirava a Jaden.
Cheirava a Oliver.
E toda vez que Jaden sentisse esse cheiro em mim...
...ele não sentiria apenas o perfume de outro homem.

Sentiria o cheiro da minha revolução.

Depois de vestida, caminho para as escadas, ciente de que ele estava na sala.

Na descida, encontro o homem que me quebrou e, ironicamente, o único capaz de colar minhas peças com um único olhar. Estava sentado à mesa de refeição, o corpo exposto sob o tecido mínimo de um short, músculos relaxados numa falsa tranquilidade, enquanto os dedos deslizavam pelo teclado do notebook. Uma cena banal, quase íntima. Quase doméstica.

Mas nada nele era comum.
Nem o modo como respirava.
Nem a forma como sua presença ocupava cada espaço.
Como se a casa tivesse sido construída ao redor dele.

E, por um instante, vi o homem, não o predador.
E foi isso que mais me assustou. Porque era real demais.

Hoje, porém, eu não era a vítima moldada por suas mãos.
Hoje... eu era a detentora das peças.

— Bom dia — disse com a voz doce, como se não o tivesse destruído ontem na despensa.

Seus olhos ergueram-se do notebook e me percorreram. Primeiro, pelas minhas pernas, nuas sob o short jeans curto, que mal cobria a metade da minha bunda. Depois, pelo meu decote.

Percebi suas íris azuis passeando devagar por cada centímetro meu.

— Vai sair assim? — ele perguntou, com a voz seca.

Ri baixinho. De propósito.

— Não. Só tô indo até a cozinha. Quer café?

Silêncio.

Vi quando ele desviou o olhar, mas o maxilar estava trincado.

— Você está fazendo isso de propósito.

— Isso o quê?

— Se exibindo. Provocando. Me testando.

Andei até ele com a xícara em mãos. Me inclinei levemente para entregar o café.
Senti a tensão no ar e percebi seu olhar faminto em meus seios ao me curvar.

— Eu? Claro que não. Você vê o que quer ver, Jaden.

Ele pegou a xícara sem tirar os olhos devorantes de mim, especificamente, de meus peitos.
Mas não bebeu. Apenas me observou.
Me analisou.

Foi então que ele se inclinou para frente, inalando profundamente o ar ao meu redor.
Seus olhos se estreitaram, e uma veia pulsou em sua têmpora.

— Esse não é seu perfume — ele disse, a voz saindo rouca, como um aviso.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora