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HAYLEY

Hoje irei à consulta da gravidez.
Irei a uma clínica com Hillary, aqui mesmo em Kristiansand. É discreta, tranquila e, segundo ela, tem uma excelente reputação.
Confesso que estou nervosa. A última vez que estive em um consultório obstétrico, minha vida virou do avesso.

Mas agora... é diferente.
Ou ao menos, eu tento acreditar nisso.

Saímos cedo. Noah ficou com Vinnie, que prometeu enchê-lo de panquecas e desenhos animados até nossa volta. O caminho até a clínica foi silencioso, mas confortável. Hillary sabia quando falar e quando respeitar meus silêncios. E isso era raro. E valioso.

Assim que entrei no consultório e ouvi o som do aparelho de ultrassom ligando, senti minhas mãos suarem.

— Relaxe — a médica disse com um sorriso gentil. — Vamos ver como está a gravidez.

E então... ouvi.

O som inconfundível de dois corações.

— São dois.

Pisquei, achando que havia ouvido errado.

— Dois...?

— Fetos. — a médica confirmou, virando o monitor para mim. — Olhe aqui. Duas cabecinhas. Dois batimentos. Você está grávida de dois seres humanos, Hayley.

Não consegui falar. Nem raciocinar. Apenas senti Hillary segurar minha mão com força.

Duas vidas.
Outro começo.

Desta vez, eu não recomeçaria por medo.
Recomeçaria por coragem.

(...)

DURANTE À TARDE

A mesa da cozinha estava coberta de papéis, planilhas, e rascunhos de decisões que eu queria deixar para depois, mas não podia mais. Chamamos Bryce e Addison para virem jantarem aqui e conhecerem nosso lar.

Bryce me observava enquanto eu repassava os documentos da herança.

— Preciso voltar aos EUA — confessei, exausta. — Resolver tudo. Vender, encerrar, deixar pra trás.

— E você não vai sozinha — ele disse, firme. — Addison e eu podemos ir também. Ficaremos na Escócia, mas antes... faremos essa viagem. Não te deixaremos sozinha nisso.

— Obrigada. De verdade.

Meu olhar desceu lentamente até minha barriga, onde duas novas vidas começavam a se formar. O medo ainda estava ali, mas dessa vez... eu não pretendia fugir dele.

JADEN

As últimas semanas tinham sido um labirinto de mentiras, pistas falsas e documentos adulterados. Holanda, Alemanha, Dinamarca, tudo apontava para destinos errados, até que um registro de compra em nome de Hillary me levou ao caminho certo.

Noruega. Kristiansand.
Estavam aqui.

Cheguei no final da tarde, quando o céu começava a dourar. Meu coração batia como um tambor de guerra. Toquei a campainha sem pensar, porque se pensasse, talvez perdesse a coragem de não quebrar a porta.

A porta se abriu.
E ali estava ela.

Com Noah no colo, os olhos arregalados de espanto. O silêncio entre nós era mais denso que todos os oceanos que eu tinha cruzado para encontrá-la.

— Você me achou — ela sussurrou, como se não acreditasse.

— Nunca parei de procurar — minha voz saiu áspera, carregada de noites sem dormir e um vazio que só ela preenchia.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora