Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
Acordei com o som de móveis sendo arrastados. O rangido abafado do chão ecoava como uma espécie de aviso. Ainda meio sonolenta, virei o rosto na direção do relógio digital sobre a escrivaninha. 09h10. Franzi o cenho, intrigada. A mansão raramente tinha esse tipo de movimentação tão cedo, ainda mais depois do furacão que foi a noite anterior.
Levantei devagar, sentindo a leve dor muscular nos ombros, resquício da fúria que descarreguei com o taco no escritório de Jaden. Por um momento, a lembrança do som do vidro estilhaçado me deu uma estranha sensação de alívio. Suspirei, me levantando ainda ouvindo o barulho irritante dos móveis. Fiz minha higiene matinal e logo vesti uma roupa confortável.
Ao sair do quarto, os sons tornaram-se mais claros. Baús sendo fechados, objetos sendo embrulhados em plástico-bolha, vozes abafadas.
Desci os primeiros degraus da escada com cuidado, até que tive uma visão clara do saguão. Lá embaixo, Hillary estava de costas, inclinada sobre duas malas grandes. Ao lado dela, uma caixa de papelão semiaberta com o nome "QUARTO" escrito à caneta preta. Ao redor, pequenos objetos envoltos em panos e plástico: porta-retratos, uma luminária, livros, alguns itens decorativos.
Ela se virou quando percebeu minha presença no rodapé da escada. Seu rosto estava calmo, mas os olhos carregavam um cansaço difícil de disfarçar.
— Bom dia, Hayley — disse, erguendo o queixo com um meio sorriso. — Estamos de mudança...
Fiquei parada por um segundo, absorvendo a informação. "Estamos". Aquilo não era apenas sobre ela, parecia algo mais amplo. Me aproximei, devagar.
— Mudança? — repeti, como quem tenta confirmar que ouviu certo. — Pra onde vocês estão indo?
— Eu e Vinnie vamos morar juntos. Mas em outro lugar — respondeu, colocando uma fita adesiva sobre a caixa. — Em Los Angeles, não muito longe daqui... Jaden permitiu.
— Jaden permitiu — repeti em voz baixa, cruzando os braços.
Hillary me olhou por um instante, como se avaliasse o quanto poderia ou deveria dizer.
— Depois do que aconteceu ontem... — começou, escolhendo as palavras. — Eu e Vinnie preferimos sair e termos nossa própria casa, criar o Noah aqui nunca foi uma escolha pra mim. Isso foi algo que eu sempre deixei claro, depois que você voltasse a gente ia mudar.
A surpresa em meu rosto deve ter sido evidente.
— Você pediu pra sair daqui?
Ela assentiu.
— Não é saudável continuar morando sob o mesmo teto que ele. E eu quero que você saiba que sempre terá um lar para ir quando as coisas aqui forem difíceis para suportar. Eu não vou estar longe.
Minha garganta se apertou. Hillary havia escolhido sair. Havia escolhido se afastar da zona de poder de Jaden.
—Bryce a Addison não estão muito longe de nós, já que moravam juntos há bastante tempo.
Desviei o olhar por um momento, tentando absorver tudo. O peso dos acontecimentos ainda era recente. A destruição no escritório de Jaden, a revelação das câmeras, a sensação sufocante de estar sendo vigiada. Mas agora havia também essa reviravolta: Hillary estava indo embora.
— Quando vocês vão?
— Hoje mesmo. — Ela apontou com o queixo para a porta, onde duas malas já estavam próximas ao hall de entrada. — Só estamos esperando o motorista trazer a van.
Ficamos em silêncio por um instante. Eu queria dizer algo, algo que expressasse minha gratidão, minha confusão, talvez até minha esperança. Mas as palavras empacaram na garganta.
—Obrigada por tomar uma atitude. — falei por fim, baixo.
Hillary assentiu, e seus olhos brilharam um pouco. Mas ela não chorou. Estava firme. Talvez pela primeira vez em muito tempo.
— Você não precisa lidar com tudo sozinha, Hayley. Mesmo longe, vou estar por perto. — Tocou meu braço com leveza. — E quando quiser conversar, de verdade, sem escutas... meu endereço estará com você.
— Pode apostar que farei bom uso dele — respondi, e dessa vez, foi a minha vez de sorrir.
Nesse momento, Vinnie apareceu pelo corredor, arrastando uma última caixa.
— E aí, presidente — brincou ao me ver. — Vai sentir minha falta?
— Só do silêncio depois que você sair — respondi no mesmo tom, sem conseguir esconder o leve riso.
— Ouch. Essa doeu. — Ele piscou e largou a caixa no chão.
Noah desce as escadas calmamente segurando um pequeno ursinho. Assim que o pequeno me vê vem em passos largos estendendo os bracinhos.
—Tia Elly, mamãe disse que vamos ter que ir embora, vou sentir muita saudade. — ele diz assim que eu o pego no colo.
—Eu também sentirei muitas saudades sua garotinho.
Hillary nos observa com carinho enquanto eu abraçava Noah. O pequeno garoto diz em como vai sentir falta de brincar a noite comigo e eu sorrio para ele notando o quão especial me tornei em pouco tempo.
Enquanto eles terminavam de reunir os últimos objetos, dei um passo para trás, observando a cena. Cada movimento parecia simbólico. A mansão, aos poucos, estava se esvaziando. E não apenas em termos físicos. As lealdades estavam mudando. As estruturas internas, silenciosamente, começavam a ruir.
Naquele momento, percebi: eu podia estar no meio de uma guerra silenciosa, mas não estava mais tão sozinha como antes.
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A mansão, outrora cheia de vozes, virou um palco de tensão e confissões. Com a saída dos amigos e o confronto direto entre Hayley e Jaden, os fantasmas ganharam espaço.
E talvez, agora, a guerra comece de verdade.
Cuide-se!!
A tensão só aumenta daqui pra frente. Te espero no próximo capítulo. 🔥