Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
A manhã havia chegado silenciosa, abafada pela névoa densa que se acumulava do lado de fora das janelas da mansão. O céu estava cinzento, mas não chuvoso, e o ar parecia pesado, como se o mundo estivesse esperando algo acontecer.
Caminhei até a cozinha, sem grandes expectativas. Hillary tinha saído cedo para levar Noah ao médico, e os demais andavam ocupados em seus próprios círculos fechados de sussurros e segredos. Mas ao entrar, fui pego de surpresa.
Hayley estava lá.
Sentada na bancada central, uma caneca entre as mãos, vestia um moletom largo e uma calça do mesmo material. Não havia se dado conta da minha presença, pois estava concentrada demais observando a fumaça do café sair da caneca.
—Você sempre toma café como se o mundo estivesse prestes a explodir? — brinco, e vejo seus ombros se enrijecerem antes de ela se virar.
—Só quando ele já explodiu. — sua resposta é seca, mas há um leve tom de ironia. Um pequeno progresso.
—Posso me juntar a você ou você prefere manter o território sob comando exclusivo? — pergunto, apontando para o banco ao seu lado. Ela hesita por um instante, mas então faz um gesto quase imperceptível com a cabeça.
—Fique à vontade.
Sento-me ao seu lado, pegando uma maçã da fruteira. O silêncio que se instala entre nós não é desconfortável. Pelo contrário. Ele parece necessário.
—Sabe... — começo, virando a maçã nas mãos — quando você chegou aqui, eu pensei que tudo ia mudar. Você era o tipo de tempestade que ninguém queria, mas que todos sabiam que viria cedo ou tarde.
Ela arqueia uma sobrancelha, não respondendo.
—Mas olhando agora, talvez... talvez você seja o que a gente precisava pra acordar de vez. A gente estava confortável demais no caos, fingindo que era normal.
—E você estava confortável nesse caos, Vinnie? — ela pergunta, com um tom que carrega uma acusação não dita.
—Não. Mas era mais fácil. Hillary... — minha voz falha por um segundo. — Hillary só fez o que fez por você. Eu e Bryce também. Nós só tínhamos uma chance. Não tô dizendo que você precisa perdoar, só tô dizendo que talvez... talvez a gente também precise de uma chance.
Ela não responde. Apenas bebe mais um gole da caneca e deixa os olhos deslizarem para a janela.
—Sabe o que mais me dói? — ela diz, de repente. — É que eu realmente amava vocês. Cada um. De verdade. E hoje, cada olhar, cada gesto de vocês, me parece calculado. Medido. Como se eu fosse uma bomba-relógio e vocês estivessem escolhendo as palavras pra não me fazer explodir.
—Talvez você seja mesmo — digo, num tom leve, e ela me encara surpresa. — Mas ainda assim, não significa que abandonamos você. Eu sentia e ainda sinto sua falta, Hayley. E não sou o único.
Ela me observa por um momento longo demais, como se estivesse tentando encontrar sinceridade nas entrelinhas do meu rosto. Talvez tenha encontrado algo ali, porque pela primeira vez, vejo um pequeno sorriso surgir em seus lábios.
Então, ela se levanta, levando a caneca vazia até a pia. Eu a sigo com o olhar, cada movimento dela tão sutil quanto calculado, como se estivesse constantemente avaliando o terreno onde pisa.
—Você ainda luta? — a pergunta vem de repente, tão inesperada quanto certeira.
Eu demoro um segundo para entender se é literal ou se tem um segundo sentido embutido, mas seu olhar permanece firme, e percebo que ela está falando da antiga Hayley, a que amava boxe, a que se entregava à luta como se precisasse provar algo ao mundo, ou a si mesma.
—Quando dá tempo. — respondo, com um meio sorriso. — Mas duvido que você consiga me nocautear agora.
Ela solta uma risada breve, genuína.
—Ainda é bom ver que algumas coisas não mudaram.
—Nem tudo precisa mudar pra gente seguir em frente — respondo, mais sério. — Você ainda tem lugar aqui, se quiser. Sei que a gente não merece sua confiança. Mas se depender de mim, vou reconquistar até o último pedaço dela.
—Considero isso um convite?
—Considera isso... um desafio — ela responde, jogando um olhar breve por cima do ombro antes de sair da cozinha.
Fico parado, observando sua silhueta sumir pelo corredor. E mesmo que ainda haja uma distância entre nós, ainda que os fantasmas passem pelas frestas da casa, sinto que algo se movimentou.
Uma rachadura pequena, talvez. Um feixe de luz.
Não pela paz.
Mas por uma chance real de reconexão.
E, talvez, de redenção.
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Cada personagem carrega sua dor, e nem sempre a expõe. Aqui, a verdade é cortante. Mas o que dói mais, na opinião de vocês: é a mentira contada... ou a verdade escondida?
Fico feliz por ter vocês nessa jornada.
Boa semana e bom mês, amores <3
Até o próximo capítulo, e, por favor, cuide de você também. 🌹