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HAYLEY

O desembarque em Kristiansand foi silencioso. Nenhum de nós dormiu direito durante o voo. A tensão grudava nas nossas peles como um segundo manto. E, ainda assim, havia algo reconfortante naquele céu nublado, na brisa fria que nos recebeu do lado de fora do aeroporto.

Hillary ajeitou Noah no carrinho enquanto Vinnie segurava duas malas com uma facilidade invejável. Eu vinha atrás, abraçada ao casaco, olhando ao redor. Noruega. Longe, fria, e, por enquanto, segura.

Seguimos direto para a casa comprada por Hillary e Vinnie semanas antes. Era discreta, com tons em bege e creme, dois andares e uma arquitetura simples, mas elegante. O bairro era silencioso, arborizado, e dava a impressão de que nada ruim poderia nos alcançar ali. Um refúgio temporário.

Por dentro, a casa já estava mobiliada, como prometido. A sala trazia sofás de linho em tom areia, uma lareira embutida na parede de pedra clara, e grandes janelas que deixavam a luz suave preencher o espaço. A cozinha, em tons de madeira clara e mármore branco, conectava-se com a sala por um conceito aberto.

Subimos para ver os quartos. Um para Hillary e Vinnie, outro adaptado para Noah, e o último, o de hóspedes, que, por ora, era meu. Tinha uma cama king size com edredom macio em azul claro, cortinas translúcidas e uma varanda de onde se via parte do fiorde à distância.

Passamos as primeiras horas organizando tudo: guardando roupas, ajeitando mantimentos trazidos na mala, limpando os armários, conferindo os equipamentos da lavanderia e testando o aquecedor. Hillary separava os talheres enquanto eu dobrava as mantas no sofá e Noah corria com um aviãozinho de brinquedo pelo chão de madeira.

— Vamos pegar o carro? — Hillary perguntou. — A concessionária fica a uns dez minutos. E depois podemos passar no mercado.

Assenti, aliviada por sair um pouco de dentro da minha própria cabeça.

[...]

O carro era um Volvo EX30 Ultra: compacto, automático, espaçoso, confortável, 4 portas em tom cinza fosco. Ideal para circular discretamente. Enquanto assinávamos os papéis, Noah puxava o zíper da minha jaqueta sem parar. Um enjoo súbito me fez levar a mão ao estômago.

— Tá tudo bem? — Hillary franziu a testa.

— Acho que só tô cansada. Viagem longa...

Ela não pareceu convencida.

— Você tem comido direito?

— Não tenho muito apetite. Mas é só o cansaço — insisti, desviando o olhar.

Em silêncio, seguimos para o mercado com Hillary ao volante e Noah dormindo na cadeirinha de bebê. Depois de estacionarmos, pego Noah enquanto Hil pega sua bolsa. Entramos e encontramos Vinnie na fila do caixa com um carrinho lotado de sucos, alguns refrigerantes, mantimentos, produtos de limpeza e higiene e alguns itens infantis. Quando nos viu, ergueu os braços como se tivesse vencido uma guerra.

— Isso aqui parece outro planeta! Tem até pães em formato Viking.

Rimos. Mas meu sorriso foi breve. A pontada no estômago voltou, e, com ela, um frio estranho na espinha.

[...]
JADEN

— Você tem certeza de que essa informação está correta? — minha voz ecoou pelo viva-voz da Range Rover enquanto eu virava uma esquina em alta velocidade.

— Foi o que o sistema da imigração indicou. Mas... tem algo estranho — o investigador hesitou. — Parece que alguém manipulou os dados.

Meus dedos apertaram o volante com tanta força que doeu.

— Significa que ela não foi para a Holanda?

— Significa que alguém fez parecer que foi. Mas não. Hayley nunca embarcou nesse voo.

Fechei os olhos por um segundo. Ódio, frustração, desespero. Tudo queimando ao mesmo tempo.

— Então descubra. Eu quero o paradeiro exato dela. Hoje.

Desliguei. Respirei fundo, tentando conter o furacão. Eu não dormiria. Não descansaria. Não até tê-la de volta.

[...]

OLIVER

Digitava rápido no celular, no canto da cafeteria onde estava. À minha frente, uma tela aberta com dados da Interpol, acessados por um protocolo interno. Não deveria estar fazendo aquilo. Mas estava.

— Encontrou alguma coisa? — murmurou o contato do outro lado da linha.

— Ainda não. Mas os registros noruegueses estão limpos. A movimentação dela foi bem planejada.

— Continue. Ele não pode saber. Ainda não.

Desliguei. Minha mão trêmula alcançou a xícara de café. Meu disfarce estava por um fio. E eu sabia.

[...]

HAYLEY

De volta à casa, sentei na varanda do quarto. Observei o céu, que começava a ganhar tons alaranjados e as nuvens deslizavam preguiçosamente.

Toquei o estômago, distraída.

Cansada.

Mas... será que era só cansaço?

A ideia ainda parecia absurda.

Suspirei.

As peças estavam se movendo.
E eu precisava estar pronta para o que viesse.

E eu precisava estar pronta para o que viesse

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a Noruega agora é o novo cenário desse jogo perigoso e, convenhamos, eles não estão nem perto de escapar ilesos

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a Noruega agora é o novo cenário desse jogo perigoso e, convenhamos, eles não estão nem perto de escapar ilesos. 🇳🇴

Hayley encontrou um pouco de paz (ainda que temporária), um lar provisório, e uma nova rotina com Hillary, Vinnie e o pequeno Noah. Mas como sabemos... em histórias como essa, o silêncio é sempre o prelúdio da tempestade.

E falando em tempestade: Jaden está cada vez mais perto. Incansável. Obcecado. Como se o próprio mundo dependesse de reencontrá-la.

Mas será que ele está preparado para tudo o que vai descobrir? Ou melhor: será que Hayley está preparada para o que está por vir?

Oliver... bom, digamos que as máscaras estão começando a cair.

Nos próximos capítulos, segurem firme. Porque as revelações virão como avalanche. E ninguém sairá intocado.

Obrigada por estarem aqui, capítulo após capítulo.
Vocês tornam essa jornada ainda mais especial.

Até o 40 🖤

Com carinho,
♡ autora.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora