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𝐉𝐀𝐃𝐄𝐍

É manhã de sábado. Vim para o departamento assim que o sol começou a dar bom dia. Recolhi todas as minhas coisas no apartamento da Hayley e vim direto para cá. Deixei apenas uma carta dizendo que o problema da minha casa havia se resolvido.

Meu apartamento está trancado a sete chaves, vigiado 24 horas por dia. Estou contando que ela invada mais uma vez — de qualquer forma, algo há de se esperar.

— Blake, na minha sala. Agora. — digo assim que o vejo ao lado da tenente.

Entro, esperando por ele, enquanto organizo alguns papéis sobre a mesa.

— No que posso ajudar, comandante? — ele entra, fechando a porta.

— Preciso de você e da sua equipe, Gray. — sento-me na cadeira, empurrando os papéis em sua direção. — O nome da garota é Hayley Zimmermann. Faça o que for preciso para descobrir tudo sobre ela, nem que, para isso, tenha que infiltrar alguém na vida dela.

O toque do FaceTime soa, e Blake apenas concorda com a cabeça antes de sair da sala. Coloco um gravador de voz ao lado do computador, ajeito minha postura e atendo a chamada de Charles.

— Delegado Brand. — digo em inglês, torcendo para que ele responda na mesma língua.

— Hossler. — diz com o sotaque forte, fazendo uma breve pausa. — Posso dizer que fiquei bastante surpreso quando sua secretária me disse que um comandante americano teria alguns assuntos a tratar comigo. Então, por favor, vá em frente.

— Estou trabalhando em uma investigação. Por algum motivo, há uma breve menção à família Müller. Um caso que o senhor acompanhou antes mesmo de ser delegado...

— Vá direto ao ponto, garoto. — ele me interrompe.

— Quero saber quem foram os Müller e, principalmente, quem foi Cecília.

O homem respira profundamente, passando a mão pela barba rala no queixo.

— Por que quer desenterrar isso?

— Não posso revelar. É um assunto confidencial dos Estados Unidos. — Eu não confio em Hayley, mas, de agora em diante, a única pessoa que ela deve temer... sou eu.

— Certo. Os Müller são originalmente alemães, assim como os Weber. Ambos eram duas máfias potentes — não à toa foram consideradas as maiores da Alemanha. Com os Müller sempre no topo, os Weber se sentiam ameaçados. Uma grande guerra entre as famílias começou no final dos anos 60 e só terminou em 1967, quando todos os Müller — ou quase todos — foram mortos. — Ele faz uma pausa, pensativo. — Essa história tem muitos cortes, mas acreditamos que Cecília conseguiu fugir com um dos seguranças. Não se sabe ao certo como ela escapou.

Ele passa a mão pela barba novamente e encara a câmera como se quisesse me alertar.

— Você sabe, garoto... Quando matamos alguém, temos que lembrar que essa pessoa tem alguém que a ama e faria tudo por ela. Não importa o quanto você corra, ela vem atrás de você. Era disso que os Walter tinham medo — dela querer vingança. E mesmo achando que ela não tinha capacidade... Cecília estava desaparecida. Ninguém sabia onde ou com quem ela estava. Pulando para 2009, sabíamos que tinha sido ela. Um homem que não se identificou, mas se disse marido de Cecília, não permitiu que o corpo viesse para cá. Ela foi enterrada aí. Tivemos a confirmação da morte de Cecília pelos Walter quando recebemos um alerta de incêndio na mansão deles...

— A mansão estava tomada pelo fogo. Os corpos de todos estavam dentro da casa, mas decapitados. As cabeças estavam na varanda, alinhadas lado a lado. À frente delas, a marca registrada dos Müller. Essa foi a história mais brutal que presenciei em meus 76 anos de vida. — ele conclui.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora