Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
O relógio marcava 15h48 quando o carro cruzou os portões da mansão. O sol ainda banhava as janelas, como se tudo estivesse em perfeita ordem. E, por um instante, me permiti acreditar que estava tudo bem.
Que eu não estava fugindo. Que não estava traindo sentimentos que ainda me confundiam.
No banco de trás, Noah dormia tranquilamente, com as mãozinhas fechadas em punhos. Hillary segurava minha mala no colo. Vinnie digitava algo no celular, provavelmente atualizando Addison e Bryce, que já estavam no aeroporto.
— Você está pronta? — Hillary me perguntou, quebrando o silêncio.
— Eu preciso estar, né? — respondi, tentando sorrir. Mas o peso do que deixávamos para trás... do que eu deixava para trás... era maior do que imaginei.
Mas era isso. A liberdade não espera. Ela é uma porta que se fecha se você hesitar.
Hoje, eu escolhi atravessar.
JADEN
16h12. Estava a caminho de casa quando uma notificação apareceu no painel do carro. Movimentação no cartão corporativo. Aeroporto Internacional de Los Angeles. Voo para Amsterdam.
— Filhos da puta... — murmurei, virando o volante com brutalidade, fazendo o carro guinar para a pista expressa.
Tentei ligar para Oliver. Sem resposta. Bryce? Fora de área.
"Vocês acham que conseguem me enganar?", pensei. A mandíbula trincada, meu sangue correndo rápido demais.
Meia hora depois, já estava no saguão internacional, passando pelas câmeras e mandando a equipe de segurança puxar as imagens das últimas duas horas.
Foi ali que a vi.
Hayley.
Usando um moletom cinza, cabelo preso em um coque alto. Hillary estava com ela. Vinnie vinha logo atrás.
— Portão 42B. Voo AF 137 para Amsterdam, com conexão imediata em Paris — confirmou um dos seguranças.
— Quero o nome de todos os passageiros. E o assento dela.
— Senhor, temos um problema. Os bilhetes estão em nome de terceiros. Provavelmente nomes falsos. Mas há um padrão: Bryce comprou as passagens. E ele está embarcando com uma mulher e uma criança, Addison e Noah.
Fecho os olhos por um instante. Eles tinham planejado tudo. E melhor do que eu esperava.
— Mantenham a vigilância. Avise em todos os portões da Europa para interceptarem qualquer desembarque com esses nomes.
Mas algo estava errado. Rápido demais. Ensaiado demais.
Como se quisessem que eu encontrasse aquela pista.
— Eles querem que eu vá pra Amsterdam — murmurei, sentindo a ficha cair.
Uma distração. Um desvio.
E eu estava caindo direitinho.
— Senhor... quer que embarquemos? Ainda há tempo.
Olhei para o letreiro eletrônico. "Última chamada: Voo 137".
— Sim — disse, entre dentes. — Vamos seguir essa pista. Mas intensifiquem as buscas por movimentações cruzadas. Verifiquem registros na Escandinávia também. Dinamarca, Suécia, Noruega. Todos.
Poderia ser só intuição.
Mas meu instinto dizia: ela não está indo para a Holanda.
E eu não perderia essa mulher de novo.
HAYLEY
Enquanto o avião cruzava o céu rumo à Europa, me permiti olhar pela janela e soltar um suspiro.
Estávamos a caminho da Noruega. Kristiansand. O lugar onde Hillary e Vinnie decidiram reconstruir suas vidas. E, por enquanto, o meu refúgio.
— Bryce nos avisou — sussurrou Hillary. — Ele seguiu o plano. Jaden caiu direitinho na pista falsa. Foi atrás de nós no portão pra Amsterdam.
— Ele viu? — perguntei, com o coração dando um salto.
— Viu. Mas não te alcançou.
Suspirei. Havia alívio. Havia culpa. Mas havia também a convicção de que isso era necessário.
— Vai dar tudo certo — disse Vinnie. — Vamos te esconder bem. A casa está pronta. E Jaden não sabe que o verdadeiro destino... é Kristiansand.
— Pelo menos, por enquanto — completei.
Fechei os olhos, tentando conter a onda de emoções. Jaden poderia até mover céus e terras.
Mas agora, ele teria que aprender que amor não se conquista com controle. E que, às vezes, quem ama... precisa perder para entender.
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E assim, Hayley foge.
Mas essa não é apenas uma fuga geográfica — é emocional, existencial. É uma busca desesperada por liberdade, por recomeço... por si mesma.
Jaden, por sua vez, começa a provar do próprio veneno. Pela primeira vez, ele sente o que é perder o controle.
E talvez entenda que amar alguém não é prender, mas permitir que a pessoa escolha ficar.
O jogo virou.
Afinal, quem controla quem agora?
A trilha da mentira levou Jaden à direção errada. Enquanto isso, Hayley voa rumo à Noruega — e à possibilidade de uma nova vida... mesmo que por pouco tempo. 👀
O fim está próximo. E, como toda boa tempestade, o silêncio antes do impacto é o mais perigoso.
Obrigada por acompanharem até aqui.
A cada comentário, voto e leitura, vocês mantêm essa história viva 🖤