Epílogo II

79 7 2
                                        

HAYLEY

O tempo passou. E ele foi gentil.

De alguma forma, entre mamadeiras, noites em claro, discussões bobas, promessas feitas ao pé do ouvido, mudanças de cidade, aniversários comemorados com bolo de supermercado e choros silenciosos de preocupação, a vida se ajeitou. Como se tivesse sido feita para nós... mas estivesse apenas esperando que deixássemos o ódio de lado.

Hoje, a casa onde criei minhas meninas se encheu de risos novamente. Mais do que isso: de memórias.

Era sábado. O último do mês. Isso significava só uma coisa: reunião de família. Desde que nos casamos, Jaden e eu abrimos a casa todos os meses para nossos amigos, irmãos, na prática, se reunirem. Não importava a cidade em que estivessem, todos vinham. Como um pacto de eternidade.

Dessa vez, a casa era nossa. E o motivo era especial.

— Benjamin está chegando! — gritou Olivia, do andar de cima.

Senti Jaden ao meu lado suspirar... como quem tentava aceitar o inaceitável. Afinal, a menininha dele iria apresentar seu primeiro namorado.

— Ainda dá tempo de fingir que estamos em reforma — ele resmungou.

Revirei os olhos, mas sorri.
— Eles têm dezessete, amor.

— E daí? Quando você tinha dezessete queria me matar. Hoje estamos casados. As coisas podem mudar do dia pra noite.

Soltei uma risada curta, lembrando de quem eu fui. A Assassina Vermelha. A garota manchada por tragédias. E que agora... era mãe de duas adolescentes que me davam nos nervos e preenchiam meu mundo de sentido.

A campainha tocou. Hillary correu atender com Noah ao lado, já rindo antes mesmo de ver quem era.

— Tente não dar um soco no garoto, Jaden — ela cochichou ao passar por ele. — E pelo amor de Deus, não o ameace com arma.

— Só a emocional — ele respondeu.

Noah, agora com seus vinte e um anos, não perdeu tempo assim que chegou: foi direto para a escada onde Sophie observava tudo com sua postura reservada habitual, seus olhos verdes levemente azulados refletindo uma sabedoria além de seus anos.

— Soph, preciso de ajuda! — ele disse, puxando o celular do bolso com um sorriso maroto.

— Esse nível do jogo é impossível!

Para surpresa de todos, Sophie baixou a guarda na hora, um sorriso pequeno surgindo em seus lábios enquanto pegava o celular.

— Noah, você tem 21 anos e ainda joga isso? — ela disse, mas já estava focada na tela, com seus dedos deslizando rapidamente. Era bonito de ver: a adolescente fechada que se abria apenas para o primo que, praticamente, cresceu com elas.

Olivia, observando a cena do corredor, seus olhos azuis levemente esverdeados brilhando de emoção, comentou comigo:
— É assim desde sempre. Ele é a única pessoa que consegue fazer ela agir como uma irmã normal. Cresceram praticamente como irmãos.

Então a porta se abriu e vimos o tal Benjamin. Alto. Cabelos castanhos ondulados. Olhos cor de mel. E uma calma desconcertante no olhar.

— Oi... eu sou o Benjamin. É um prazer conhecer vocês. — A voz dele era firme, educada. O aperto de mão com Jaden, no entanto, foi tenso.

— Acha mesmo? — retrucou Jaden, que claramente ainda o analisava de cima a baixo. — Vamos ver se vai continuar achando isso depois do jantar.

Com todos já reunidos no jardim, Vinnie se aproximou de Jaden com duas cervejas na mão, entregando uma.

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora