Eu sinto o ódio correndo em minhas veias ansiando por vingança, por seis anos eu planejei cada passo meu, cada morte, cada jogada. Jaden Hossler acabou com a minha vida, e agora é a minha vez de acabar com a dele.
"O inferno está cada dia mais pró...
É estranho como o corpo se acostuma ao cativeiro. A rotina muda, os limites se ajustam, e, de repente, o que ontem parecia insuportável... hoje parece suportável. Até confortável.
O gesso foi retirado hoje pela manhã.
Meus passos ainda são lentos, levemente doloridos. Voltei para o quarto do andar de cima. E lá estava ele.
Jaden.
Ele me esperava no topo da escada, de braços cruzados, olhos silenciosos. Não disse nada quando subi, mas pegou minha mão, como quem não queria que eu caísse de novo, ou como quem não queria que eu fugisse, não ainda.
— Está se sentindo melhor? — ele perguntou, já no corredor.
— Sim — respondi com cautela, tentando ignorar a maneira como ele observava cada centímetro do meu corpo.
A camisola que eu vestia não ajudava. Nem meu silêncio. Nem o dele.
Voltei ao quarto. E não fechei a porta.
Minutos depois, ele entrou.
Não pediu. Não bateu. Apenas entrou.
— Preciso falar com você.
Me virei, confusa. O tom dele estava estranho. Não era o Jaden mandão, nem o carinhoso, nem o ciumento. Era... humano.
— Fale — respondi, ainda com o coração meio preso à garganta.
Ele caminhou até mim, devagar, parando a poucos centímetros do meu corpo. Meu instinto dizia para recuar. Mas meu corpo... não se moveu.
— Você sabe por que eu fiquei ao seu lado esses dias, Hayley?
— Porque você precisava me vigiar — retruquei, seca.
Ele sorriu, mas não foi um sorriso de escárnio. Foi de cansaço.
— Não. Eu fiquei porque... me importo. Não sei quando isso começou, mas está aqui. — Ele apontou para o próprio peito. — Eu sei que o que fiz... tudo que fiz... não tem perdão. Mas se tem uma coisa que eu quero agora, é que você entenda que não é mais sobre controle.
Fiquei em silêncio. E ele se aproximou ainda mais.
— Eu sei que você me odeia — sussurrou.
— Não sei mais o que eu sinto — confessei, sem pensar.
E então, ele me beijou.
Dessa vez, eu não resisti.
Não foi como antes. Não foi imposto, nem forçado. Foi... tenso. Quente. Cheio de palavras não ditas. As mãos dele deslizaram pelas minhas costas, subiram pelo meu pescoço, e por um segundo, juro, quis que o tempo parasse ali.
Mas ele se distanciou.
Se afastou devagar, os olhos presos aos meus.
— Você está com medo de mim?
Demorei a responder.
— Estou com medo de mim mesma.
Ele assentiu. Depois se afastou por completo, caminhando até a porta do quarto.
Antes de sair, se virou.
— Hoje à noite, terá um jantar. Quero você lá. Não precisa se arrumar para mim. Se arrume para você.
E então, se foi.
Fiquei ali, parada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Por que ele parou? Por que eu queria que ele continuasse?
Será que estou me apaixonando por ele?
Ou será que ele apenas quebrou a última parte da minha resistência?
[...]
No jantar
O salão estava à meia-luz. Poucos funcionários presentes. Apenas nós três: Jaden, Oliver e eu.
Vestia um vestido vinho justo, cabelos soltos e um salto não muito alto nude nos pés. Estava minimamente maquiada. Jaden não conseguia tirar os olhos de mim. Oliver, por outro lado, me olhava com cautela. Como se soubesse que algo estava prestes a acontecer.
Durante o prato principal, que era uma saborosa Batatas Chipperbec, deixei cair propositalmente o guardanapo.
— Droga — murmurei. — Oliver, pode pegar pra mim?
Ele se inclinou, indo até o chão. No exato momento em que seus dedos tocaram os meus, Jaden bateu o talher contra o prato com força.
— Isso aqui está parecendo uma encenação romântica de quinta — disse, seco. — Levante-se, Oliver.
Oliver obedeceu.
Jaden se levantou também.
— A noite está fria. Hayley, me acompanhe até o jardim?
Não era um pedido.
Levantei sem hesitar. Lá fora, o vento cortava o ar, mas a tensão entre nós era mais afiada que qualquer brisa noturna.
— Você está jogando, Hayley?
— Você começou esse jogo, Jaden.
Ele se aproximou. Rente. Quente. Furioso.
— Eu disse que te queria. E quando eu quero, eu cuido.
— Ou prende.
— Chame como quiser. Mas não faça mais aquele tipo de provocação na minha frente.
— Ou o quê? Vai me punir?
Ele se aproximou ainda mais. O hálito morno em meu pescoço.
— Eu posso te fazer desejar essa punição.
E então, se afastou, virou de costas e desapareceu na escuridão do jardim.
E eu fiquei ali. Tremendo. Não sei se de frio... ou de expectativa.
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e, com esse capítulo, a.v completa três anos e um mês 🥳🥳 (tudo bem q foi quinta, mas a gente releva 😜😜)
🌒✨ Um passo à frente, dois para trás. O que parece desejo pode ser vício. E o que parece controle... às vezes é só medo de perder.
Jaden está aprendendo a sentir. Hayley está aprendendo a duvidar.