28²

131 8 0
                                        

HAYLEY

Faz dois dias desde que Jaden me olhou daquele jeito.
Daquele jeito que me desmonta.

Daquele jeito que eu odeio admitir que... sinto falta.

Desde então, ele se manteve distante. Frio. O mesmo homem gélido que me tirou da prisão e me jogou nesta mansão como se eu fosse um objeto que pudesse ser trancado, mas que, por algum motivo, também guarda.

Na última noite, ouvi passos intensos no corredor. Não saí do quarto, mas o barulho não parecia comum. Na manhã seguinte, Oliver veio me trazer o café, e parecia mais quieto que o normal.

Hoje, a tensão no ar quase me sufoca.

Sento na cama, puxo os lençóis sobre as pernas e olho pela janela. Ainda não consigo andar com firmeza, mas o gesso foi retirado. O tornozelo está apenas enfaixado.

Ouço a porta se abrir. Oliver entra, os olhos fixos nos meus.

— Bom dia, Hayley — ele diz, colocando a bandeja sobre a cômoda.

— O que aconteceu ontem? — pergunto.

Ele me encara por um segundo, depois suspira, afastando o corpo como se procurasse palavras.

— Eu... apenas discuti com Jaden. Ele está extrapolando limites.

— Que tipo de limites?

Oliver hesita. Depois se aproxima, sentando-se ao meu lado.

— Você sabe muito bem. Ele quer controlar tudo. Até você.

Mordo o lábio.
— Você acha que eu não sei disso?

Ele segura minha mão.
Seus olhos estão sinceros. Preocupados. Mas há algo mais ali. Algo que me incomoda... porque não posso retribuir.

— Só estou dizendo... se precisar fugir de novo, me avise. Não vou impedir. Pelo contrário, eu ajudo.

Minha respiração se ofega.

Fugir?

E se... eu não quiser mais?

[...]

JADEN

Assisto às câmeras internas da mansão como um predador silencioso.

Quando Oliver entra no quarto dela e segura sua mão, algo dentro de mim ferve.

Ele esqueceu onde está?

Esqueceu a quem trabalha?

Desligo a tela com tanta força que o vidro trinca.

Desço as escadas e o encontro no corredor do térreo.
Ele sorri como se não houvesse feito nada.

— Precisamos conversar — digo, a voz mais baixa que o normal. O tom que precede a tempestade.

— Claro, Jaden.

Entro na sala de armas, onde o som não escapa pelas paredes reforçadas. Ele entra atrás de mim, fechando a porta.

— Que tipo de jogo você acha que está jogando? — pergunto, me aproximando, lentamente.

— Eu não estou jogando. Só estou tentando protegê-la. Alguém precisa fazer esse papel.

— Ela não precisa de você.

— E precisa de você? — ele rebate, os olhos cravados nos meus. — Precisa de alguém que a mantém em cativeiro? Que a controla?

— Cuidado com o que está dizendo.

— Não. Você é quem deveria tomar cuidado, Jaden. Está perdendo o controle. Acha que pode tê-la por perto só porque manda. Mas ela é mais do que isso.

Chego perto o suficiente para encostar o peito no dele. Minha voz sai sussurrada, mas letal:

— Saia do caminho, Oliver. Ou eu faço você sair.

Ele ri, nervoso.

— Vai me matar por cuidar dela?

— Não. Mas posso te lembrar do seu lugar. Você esqueceu que está aqui por mim. Você deve sua liberdade a mim.

— E você está perdendo o que mais importa — ele retruca. — Ela está começando a gostar de você... e você vai jogar isso fora por causa da sua maldita obsessão por controle.

Por um segundo, meu coração desacelera.

Gostar de mim?

Minha moranguinho?

— Sai da minha frente. Agora.

Ele se afasta.

Mas seus olhos dizem mais do que deveriam. E eu entendo: ele sabe. Ele percebeu. Hayley está mudando. E isso o assusta tanto quanto me assusta.

[...]

HAYLEY

O dia passou devagar.
Oliver não voltou ao meu quarto.
Jaden também não.

Mas à noite, ouço a maçaneta girar.

Ele entra. Sem avisar. Sem expressão.

Jaden.

— Você jantou? — pergunta, com a voz neutra.

— Sim.

Ele se aproxima, com as mãos nos bolsos.
— Sinto muito se estou confuso.

— Você não está confuso, Jaden. Está com medo de me perder.

Ele nada diz .

Apenas senta ao meu lado na beira da cama.
Seus dedos tocam os meus, devagar.

— Você está certa — ele diz, baixando a cabeça. — Mas o medo... não me impede de desejar você.

Sinto o mundo desacelerar.

Meus olhos se fecham.

E quando ele toca minha mão de novo, meu corpo não recua.

Eu deveria fugir.

Deveria odiá-lo.

Mas por que que, quando ele me toca... tudo dentro de mim se aquece?

Neste capítulo, as tensões atingem um novo patamar

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Neste capítulo, as tensões atingem um novo patamar.

Oliver confronta Jaden, e sobrevive, mas não sai ileso.

Hayley, cada vez mais perdida em seus sentimentos, começa a abrir os olhos para a face mais humana (e perigosa) do homem que jurou odiar.

Mas e se o maior perigo for o que ela começa a sentir?

Até o próximo <3

𝐀𝐒𝐒𝐀𝐒𝐒𝐈𝐍𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐌𝐄𝐋𝐇𝐀 | ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora