Anahi Portilla
— Você está bem?
Alfonso tirou os olhos da pista e me encarou com o cenho franzido. Quando ele foi me buscar estava calado, o corpo rígido, parecia em outra órbita para ser sincera. Ele estava muito aéreo.
— Por que a pergunta? - rosnou voltando a olhar para a pista. Me encolhi.
— Só queria saber se estava tudo bem. Você está... - escroto. - Diferente.
Ele suspirou e seus ombros caíram, mas continuaram tensos. Cara, o que estava errado?
— Estou bem. Está com fome?
— Sim. - engoli o caroço que se formava em minha garganta e olhei a vista pela janela.
Eu não sabia exatamente para onde Alfonso estava me levando, mas com certeza não era para a casa dele. Certamente não era um momento bom para conhecer as crianças e eu nem sabia o que éramos fora do âmbito profissional. Ele me comia de vez em quando e depois íamos trabalhar?
Droga, o pior era que eu não me sentia só assim. Eu odiava ter que admitir, mas gostava dele. Mais do que sexo ou ele sendo o meu chefe. Sinceramente, eu comecei a sentir isso na boate e quando eu tinha sido contratada, mas depois da noite anterior, em que ele cuidou de mim, enxugou minhas lágrimas, me deu banho e me pôs para dormir, caramba, o que eu já sentia só inflou no meu peito.
E ainda tinha a forma que ele olhava para mim. A forma como ele falava comigo e me escutava e dava atenção ao que sentia. E como ele me preenchia quando estava dentro de mim. Eu me sentia completamente preenchida. Era como se cada célula do meu corpo pertencesse a ele.
E eu queria cuidar dele. Queria entender o que se passava por sua cabeça, droga. Queria fazer parte da sua vida, entender o motivo da sua cicatriz na costela e todas as outras que podiam ter se formado em seu coração. Queria que ele confiasse em mim.
— Chegamos. - sua voz me tirou do devaneio e as paranóias que não demorariam muito para eu começar a criar.
Olhei em volta e vi que estávamos num bairro residencial. Olhei para ele confusa. Ele tinha me levado para a sua casa? Com seus filhos? Comecei a suar. Alfonso segurou minha mão e a beijou suavemente.
— Fica tranquila, Anahi. Tenho algumas casas, mas essa não é a que as crianças estão. Essa é a minha preferida, então costumo dormir aqui bastante - minha cara deve ter sido de completa decepção, porque ele ficou sério - Pode ser que um dia você as conheça. Hoje eu quero um momento a sós com você. Tudo bem?
Assenti fracamente e saímos do carro. A casa tinha um design completamente diferente do escritório. Enquanto o escritório era moderno com peças caras e predominavam entre preto, branco e cinza, a casa dele era rústica, o couro e a madeira predominando em todo o ambiente, com tons terrosos inundando o espaço. As paredes praticamente todas de pedra davam um ar campestre e me perguntei onde estava toda aquela sofisticação da Herrera Enterprises.
— Eu prefiro ambientes assim, Anahi - ele murmurou atrás de mim, me ajudando a tirar o casaco e pegando minha bolsa - Não sei se já comentei com você, mas eu só não mudei o design da empresa porque Dulce com certeza teria um surto.
Ah, sim. Dulce era completamente fascinada por tudo que gritasse “GASTEI MUITO DINHEIRO NESSA DROGA”.
— O que acha de tomarmos um banho, depois eu te mostro a casa e nós comemos alguma coisa?
Eu ia abrir a boca para falar que já tinha tomado banho, mas Alfonso já sabia disso. Quando ele chegou ao meu apartamento eu ainda estava no banho, então ele ficou conversando com Angelique e Maite – as duas inclusive se deram mais do que bem.
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CEO
RomanceFormada em Economia, recém-terminado o MBA e finalizado o estágio obrigatório, Anahi se vê desempregada e sem meios de se sustentar, até que a sua amiga Maite lhe convida para fazer uma entrevista para trabalhar na Herrera & Tovar como secretária ex...
