Eu descobri da forma mais dolorosa como a Herrera Enterprises era imensa. Após assinar o contrato, Dulce Maria Herrera, que descobri ser a irmã do meu novo chefe, me mostrou todo o edifício, sendo empresa subordinada deles ou não.
Claro, a partir do vigésimo quarto andar, todos me desejaram boa sorte por trabalhar diretamente com o novo CEO. Ao que pareceu, o cara era o verdadeiro demônio. Juro por Deus, se eu não estivesse tão desesperada por um trabalho, eu não trabalharia lá.
Não só por ter medo do Sr. Herrera, mas justamente pela atração física monstruosa que eu sentia por ele. Era algo próximo ao sofrimento físico querer ir para a cama com ele, e não poder justamente por ele ser meu chefe. Que merda!
— Anahi, muito obrigada mesmo por aceitar esse emprego - Dulce sorriu amplamente assim que chegamos ao trigésimo andar. Janah nos recebeu com um aceno de cabeça profissional e voltou a atenção ao seu computador. - Juro que se eu precisasse passar mais três minutos perto do Alfonso, eu o mataria ou pediria demissão. - riu. Engoli em seco.
— Ele é tão difícil de lidar assim? - tentei manter a voz firme, mas tenho certeza que falhei.
— Ah não - a Herrera revirou os olhos, guiando-me para a minha nova sala, que ficava ao lado e anexa à sala do meu chefe. - Sabe, por sermos da mesma família, essa coisa de trabalhar tão diretamente não dá certo para nós. Ele é um porre. - riu novamente. Ela não era russa? Sempre pensei que os russos eram difíceis de rir. Dei de ombros para esse pensamento.
A minha sala era impecavelmente arrumada com uma mesa imensa, duas peças de escritório, também de madeira escura e cheia de gavetas, uma poltrona branca e mais duas cadeiras em formato moderno, um jarro com uma planta que parecia ser uma palmeira, se destacava.
Sobre a mesa havia um computador e três agendas: uma branca, uma vermelha e outra preta, alguns materiais de escritório como canetas, marcadores, clipes, dentre outros. Em um canto mais afastado da mesma havia papéis, poucos, mas estavam lá, comprovando que a empresa ainda era bastante burocrática.
E para finalizar, uma impressora moderna, parecia um misto de impressora, copiadora e scanner, contudo bastante discreta, não um trambolho como a da empresa em que estagiei.
— Vou aproveitar que o chefe está em reunião para te ajudar com algumas coisas. A sala ao lado é a do Sr. Herrera, à sua frente tem uma sala de reuniões e do outro lado, como você viu, tem uma espécie de copa, que deve ser utilizada apenas para as necessidades dele, Alfonso e demais pessoas que tiverem autorização. Tudo isso é de responsabilidade sua, Janah e Maite. Tudo deve estar sempre pronto e impecável para quando ele solicitar. Nunca entre na sala dele sem ser chamada. Nunca se esqueça de nenhum dos seus compromissos, o que me leva a apresentá-la a estas três agendas que agora serão a sua vida.
Ela falava sem parar alternando entre olhar para mim, verificando se eu estava ou não acompanhando o turbilhão de informações que me passava e indicando cada peça que descrevia. Era muita coisa.
— A agenda vermelha é para os compromissos pessoais, a branca para os compromissos internos da empresa e a preta para os compromissos externos. Entendeu? - sinalizei que sim. Meus olhos estavam arregalados. Queria entrar em pânico. - Cada uma destas gavetas é para um tipo diferente de negócio. Não estão identificadas, será necessário que abra cada uma para se familiarizar e, vamos rezar, para que ele não precise de nada que esteja nelas agora. A Srta. James ia te treinar, mas como você já sabe, ela quer distância do Sr. Herrera, então eu vou ter que te ajudar alguns dias. É essencial...
— Boa tarde, senhoritas. Dulce, já terminou com a nova funcionária? - aquela voz que era capaz de me dar um orgasmo poderoso. Gelei.
Dulce olhou imediatamente para ele, mas o resultado que a voz dele teve no meio das minhas pernas me deixou tão constrangida que eu simplesmente fechei os olhos, sentindo o meu rosto corar com o rumo que meus pensamentos estavam tomando. Com a droga da voz dele. Dá para acreditar?
— Oi, Alfonso - Dulce sorriu profissionalmente - Estava passando algumas informações para a Anahi, mas já estava de saída - ouvi os cliques de seus saltos, o que me forçou a abrir os olhos. Merda, ele estava lindo.
Estava todo de preto, exceto pela camisa branquíssima, o colete e gravata cinza. Ele estava me encarando com aquele semblante impassível. Sério, como ele conseguia aquilo sendo que eu estava quase explodindo por dentro? Eu teria que resolver esse fogo logo, ou não seria responsável por meus atos.
Dulce saiu. Simplesmente saiu elegantemente e de repente aquela sala ficou pequena demais para o tesão que eu estava sentindo. Comecei a sentir calor. Acho que estava suando.
— Está tudo bem, Srta. Portilla? - ele enrugou a testa. Adorável.
— Sim, senhor. - endireitei a postura, querendo demonstrar confiança.
— Ótimo. Vamos até a minha sala, por favor. - guiou-me até a sala dele sem esperar a minha resposta.
A única alternativa que tive era segui-lo como uma boa garota. A sala dele e a minha eram separadas por uma porta de vidro. Assim que entramos em sua sala, ele apertou um botão na mesa e todos os vidros ficaram opacos, inclusive o que dava para ver a recepção. Droga, meu tesão se elevou a nível máximo só em pensar no que poderíamos fazer sem que os outros soubessem.
Foco, Anahi! Foco!
Ele tirou o paletó e o pendurou em um cabide cromado. Depois voltou para onde eu estava desde o momento em que entramos.
— Quer beber alguma coisa?
— Não, obrigada - droga. Ele estava ainda mais gostoso só de colete. Dava para ver melhor como seu corpo era bonito e definido. Como seus ombros eram fortes. Como seus bíceps se flexionavam lindamente quando ele se mexia.
Meu Deus, eu não conseguiria trabalhar com ele. Nem havia tido o meu primeiro dia oficial e já tinha me dado conta desse detalhe. Alfonso apontou para um sofá de couro preto, onde tivemos a nossa entrevista.
— Pode sentar - obedeci novamente. Eu era uma perfeita submissa com ele e olha que nem precisava de muito. Ele se sentou ao meu lado. - Acredito que Dulce tenha falado mais ou menos sobre o seu trabalho, certo?
— Sim, senhor - forcei um sorriso. Ele permaneceu sério.
— Ótimo. Eu quero reforçar que não admito atrasos sem aviso prévio, preciso de você sempre disponível para reuniões. Tenha sempre uma pequena mala e seu passaporte no carro, como tenho muitas empresas e imprevistos acontecem, então pode acontecer de precisarmos viajar.
E ele continuou falando. Ele estava tão perto que eu estava esmagando as minhas pernas para tentar impedir a umidade no meio delas. Que merda, eu parecia uma cadela no cio. Bom, eu estava.
Mesmo assim, forcei-me a prestar atenção no que ele falava, concordando com a cabeça quando necessário.
— Por fim - levantou-se, pegando algumas pastas em sua mesa e entregou-as a mim. - Aí tem o que é necessário para você entender o básico de cada empresa. Claro, com o tempo você conseguirá ter o pique, então vou tentar não ser muito exigente com você no começo. Leve-as para casa junto com as agendas que Dulce lhe mostrou e por favor, memorize cada compromisso da semana que vem.
Concordei com a cabeça e ficamos apenas nos encarando alguns instantes. Quando eu ia abrir a boca para tentar quebrar a tensão que surgiu, o telefone dele tocou.
— Herrera. Sim Andrés, ela está aqui - encarou-me. Gelei. - Tudo bem, eu já terminei com ela, vou pedir para ela encontrar vocês no elevador. Certo. - desligou. - Andrés e Maite te aguardam na recepção. Até segunda, Srta. Portilla.
Ele se sentou em sua cadeira e começou a mexer em alguns papéis. Eu estava paralisada e nem sabia o motivo. Depois de alguns instantes, ele me encarou novamente, confusão dançando em seus olhos.
— Deseja mais alguma coisa, Srta. Portilla?
Você! Em mim. Urgentemente!
Quase gritei isso, de verdade.
— Não, senhor.
— Então pode sair. - Murmurou, voltando a prestar atenção em seus papéis.
Acabou a magia. Levantei-me e saí da sala dele, tentando entender o motivo de todo esse fogo por um cara tão ignorante.
Simples: ele é magnífico.
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CEO
RomanceFormada em Economia, recém-terminado o MBA e finalizado o estágio obrigatório, Anahi se vê desempregada e sem meios de se sustentar, até que a sua amiga Maite lhe convida para fazer uma entrevista para trabalhar na Herrera & Tovar como secretária ex...
