09.

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Peguei o uniforme e caminhei para o banheiro.

-Anne. -O Bernardo me chamou e eu parei para olhá-lo. -Não pediu permissão para sair.

-Posso sair? -Perguntei entre dentes de raiva.

Ele fez um gesto permitindo que eu saísse e deu início a um beijo triplo com a Lavínia e a Sandra.

-Eu também quero! -Ouvi o Giovanni reclamar.

Revirei os olhos e entrei no banheiro.

Depois de trocar de roupa, voltei para a sala.

-Faltou isso. -A Fabiana me jogou uma faixa para o cabelo, rindo.

Peguei a contragosto e, como não tinha o que fazer, coloquei.

Eles ficaram rindo de mim por um tempo e eu não me mexi. Tinha que fazer exatamente o que o Bernardo pedisse. Isso ou ele iria chamar minha mãe de volta e eu teria que ir embora. Não posso deixar isso acontecer. Preciso do dinheiro. Estou no último ano da escola e estou há três anos juntando uns trocados para comprar um notebook para estudar, recebendo esse dinheiro eu vou conseguir comprá-lo. Bom, eu espero.

-O que precisa? -Elevei a minha voz a risada deles, não precisava ficar ouvindo aquilo para sempre.

Ele me pediu milhões de coisas, que sabia ser impossível de fazer sozinha, mas, mesmo assim, dei o meu melhor. Ele queria que eu arrumasse todos os quartos, limpasse a varanda, preparasse alguns petiscos e ainda os servisse.

Comecei pelo quarto que sabia ser o pior de todos: o dele. O Bernardo nunca foi do tipo organizado. Eu sabia disso por vários fatores, mas o principal é que eu, de certa forma, moro com ele. Mas, mesmo que não morasse, dá para saber disso pelo jeito que ele está sempre perdido com as matérias da escola e esquece das provas e do material do dia. Como dizem, o quarto é o reflexo da personalidade do dono e quando entrei em seu quarto, não tinha como não ser uma grande zona.

Sabia que ele estava implicando comigo, pois raramente permite que minha mãe limpe seu templo sagrado. Sei disso, porque toda vez ela reclama que leva quase o dia inteiro para limpar e organizar as revistas de esportes, troféus e as outras mil bugigangas que ele tem. Não me lembro dela ter reclamado esse ano.

Merda.

Entrei em seu quarto e me deparei com a maior bagunça que já vi na vida. Tinha roupas espalhadas pela mesa de estudos, algumas revistas jogadas pelo chão e muitas outras coisas pelo chão. Entretanto, não tinha tanta poeira, sinal de que ele mesmo de vez em quando varria o quarto. Talvez ele não seja tão inútil, afinal.

Comecei catando todas as roupas e colocando dentro do cesto, felizmente, não precisaria lavá-las, podendo deixar para minha mãe fazer isso amanhã. Depois de encher o cesto de roupa, levei a lavanderia e deduzi que tinha sido um bom intervalo para voltar a sala e ver se eles queriam alguma coisa.

Encontrei Bernardo e seus amigos falando sobre os alunos novos que tinham interesses em chamar para ser amigos, ficar ou zombar. Revirei os olhos antes de aparecer na sala.

-Precisam de algo? -Todos me olharam.

O Leonan jogou uma latinha de cerveja na minha direção, desviei para não pegar em mim.

-Acabou. -Ele disse.

De repente tudo mudouOnde histórias criam vida. Descubra agora