-Me passa o contorno. -A Liara pediu estendendo a mão.
Peguei o que ela pediu e passei para ela.
Desde quarta-feira eu estava falando para a Liara e para o Caíque que eu não estava mais a fim de ir para a balada com eles. Eu só queria ficar em casa brincando com meu irmão ou estudando. Contudo, como podem perceber não deu certo. Eu poderia sim, simplesmente, ignorá-los e ficar em casa, mas eles encheram tanto o meu saco que eu acabei cedendo, visto que o argumento deles fazia sentido.
-Você não vai sair com a gente mais para frente, então pelo menos vamos aproveitar agora. -A Liara falava isso de cinco em cinco minutos.
-O Caíque falou que vai chamar o Uber em vinte minutos. -Ela falou enquanto se maquiava freneticamente enquanto eu estava deitada em sua cama folheando uma revista de moda.
-Você já viu como existe muita coisa brega nesse mundo? Quem usa xadrez com bolinha? -Ela me olhou.
-Vai se arrumar, Anne! E para de falar mal das estampas.
-Não combinam! -Fechei a revista e levantei da cama.
-Você precisa saber fazer sobreposições e combinações, mas tenho certeza que falar de moda não te interessa. -Ela voltou a se maquiar.
-Nem sair hoje. -Falei triste.
Ainda não tinha conseguido esquecer o episódio do notebook e o Bernardo, com os amigos, não me dava um segundo de paz. Peguei minha roupa na mochila e comecei a me arrumar.
-Vai ficar com o Caíque hoje de novo?
-Não. Queria ficar com o aluno novo do outro terceiro ano. -Refleti sobre os garotos novos que pudessem fazer o tipo da Liara.
-Joaquim? Ele vai hoje?
-Sim. -Ela falou empolgada. -Metade do nosso ano vai.
-Ah, não. -Sentei na cama. Se eu já não queria ir, agora que piorou de vez. Se "metade da nossa série vai", isso, com certeza, inclui Bernardo e companhia.
-Merda! -Ela veio até mim. -Lá é grande e ele vai estar em bando, não vai te irritar.
Revirei os olhos torcendo para ela estar certa.
-Se ele aparecer na minha frente, eu mato você por ter me feito ir em um lugar, por livre espontânea vontade, que ele está.
-Fechado. -Ela sorriu e olhou o celular. -Cinco minutos. -Ela voltou a penteadeira. -Deixa eu passar um rímel e um batom em você? -Ela perguntou tão feliz que eu não consegui recusar.
Ela sorriu mais ainda e veio até mim com os produtos.
Assim que estávamos prontas, fomos para a sala esperar o Caíque. Assim que ele chegou entramos no Uber rumo a balada. Eu só queria deitar e ver um bom filme.
-Ual! Vocês estão lindas. -Ele disse assim que descemos do Uber na frente da boate.
-Você também não está nada mal. -Falei e ele revirou os olhos.
Como não saímos tarde de casa, o lugar ainda estava um pouco vazio, mas isso não nos impediu de, assim que entramos, ir dançar. Não estávamos na maior boate da cidade, mas era a que mais fazia vista grossa para menores, todos sabiam disso, mas ninguém fazia nada. Dizem por ai que a propina que o dono paga para a fiscalização é bem boa.
Eu preferia estar na minha casa? Preferia. Mas não vou ficar reclamando de sair com os meus amigos. Eu gosto da companhia deles e eles fazem tanto por mim (mais a Liara, já que faz muito pouco tempo que eu conheço o Caíque) que não custa nada fazer um pouco por eles. Estávamos dançando e curtindo uma boa noite de sexta-feira.
-Vou pegar uma bebida para a gente. -O Caíque gritou mais alto que a música, após dançarmos umas cinco músicas.
Eu e a Liara concordamos e continuamos a dançar. Ele voltou um tempo depois com bebidas. Foi um pouco difícil beber e dançar, mas para tudo tem um jeito (bom, menos para a morte).
Ficamos revezando quem iria pegar as bebidas no bar e sem que eu desse conta, já estava me sentindo flutuando e tranquila demais.
-Tem um garoto que não para de te olhar. -Ela se aproximou quando o Caíque foi pegar mais bebida e gritou no meu ouvido, fazendo eu me afastar, assustada. Ela olhava para alguém por cima do meu ombro.
-Como sabe que ele não está te olhando? -Não dei muita atenção. Não que eu nunca tenha beijado, mas como não tenho muita oportunidade de ir para festas ou eventos grandes, acabo não tendo muitas oportunidades.
A Liara revirou os olhos e me virou, nada discretamente, para o menino.
Ele sorriu.
Um lindo sorriso, por sinal.
-Eu só sei. -Ela controlou a voz dessa vez. -Vou ir atrás do Caíque, tá? -Concordei com a cabeça e ela se afastou.
O menino veio em minha direção, abrindo caminho pelas pessoas.
-Você estava dançando muito bem. -Ele falou perto do meu ouvido e eu senti meu rosto esquentar de vergonha. -Qual seu nome?
-Anne e o seu?
-Carlos. -Ele colocou a mão na minha cintura e eu não recusei o seu toque. Eu nunca mais vou vê-lo nem quero um novo amigo, a única coisa que eu quero é aproveitar a noite. -Que sorte a minha ter encontrado uma menina tão gata.
-Por que não corta essas suas cantadas baratas e vamos logo para o fim? -Passei os braços em volta do seu pescoço e ele sorriu para mim. É óbvio que se eu tivesse sóbria, não teria falado algo desse tipo, mas olha o que um pouco de álcool é capaz de fazer com a noção de uma pessoa.
-E que fim seria esse? -Ele perguntou se divertindo com a situação.
Boa tarde, meus amoress!! Como vocês estão?
O que estão achando por enquanto?
Estão gostando do desenrolar da história?
Têm alguma sugestão? Crítica? Comentário?
AMO saber o que estão achando/pensando
Beijinhos, até segunda!!!
VOCÊ ESTÁ LENDO
De repente tudo mudou
Storie d'amoreAnne é uma menina inteligente, amiga e dedicada que dá duro para conseguir ajudar os pais a cuidar do seu irmão mais novo. Ela, com a sua família, mora na casa da família Soares, onde vive Bernardo, um garoto mimado, sem noção e que não dá valor as...
