21.

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-Me passa o contorno. -A Liara pediu estendendo a mão.

Peguei o que ela pediu e passei para ela.

Desde quarta-feira eu estava falando para a Liara e para o Caíque que eu não estava mais a fim de ir para a balada com eles. Eu só queria ficar em casa brincando com meu irmão ou estudando. Contudo, como podem perceber não deu certo. Eu poderia sim, simplesmente, ignorá-los e ficar em casa, mas eles encheram tanto o meu saco que eu acabei cedendo, visto que o argumento deles fazia sentido.

-Você não vai sair com a gente mais para frente, então pelo menos vamos aproveitar agora. -A Liara falava isso de cinco em cinco minutos.

-O Caíque falou que vai chamar o Uber em vinte minutos. -Ela falou enquanto se maquiava freneticamente enquanto eu estava deitada em sua cama folheando uma revista de moda.

-Você já viu como existe muita coisa brega nesse mundo? Quem usa xadrez com bolinha? -Ela me olhou.

-Vai se arrumar, Anne! E para de falar mal das estampas.

-Não combinam! -Fechei a revista e levantei da cama.

-Você precisa saber fazer sobreposições e combinações, mas tenho certeza que falar de moda não te interessa. -Ela voltou a se maquiar.

-Nem sair hoje. -Falei triste.

Ainda não tinha conseguido esquecer o episódio do notebook e o Bernardo, com os amigos, não me dava um segundo de paz. Peguei minha roupa na mochila e comecei a me arrumar.

-Vai ficar com o Caíque hoje de novo?

-Não. Queria ficar com o aluno novo do outro terceiro ano. -Refleti sobre os garotos novos que pudessem fazer o tipo da Liara.

-Joaquim? Ele vai hoje?

-Sim. -Ela falou empolgada. -Metade do nosso ano vai.

-Ah, não. -Sentei na cama. Se eu já não queria ir, agora que piorou de vez. Se "metade da nossa série vai", isso, com certeza, inclui Bernardo e companhia.

-Merda! -Ela veio até mim. -Lá é grande e ele vai estar em bando, não vai te irritar.

Revirei os olhos torcendo para ela estar certa.

-Se ele aparecer na minha frente, eu mato você por ter me feito ir em um lugar, por livre espontânea vontade, que ele está.

-Fechado. -Ela sorriu e olhou o celular. -Cinco minutos. -Ela voltou a penteadeira. -Deixa eu passar um rímel e um batom em você? -Ela perguntou tão feliz que eu não consegui recusar.

Ela sorriu mais ainda e veio até mim com os produtos.

Assim que estávamos prontas, fomos para a sala esperar o Caíque. Assim que ele chegou entramos no Uber rumo a balada. Eu só queria deitar e ver um bom filme. 

-Ual! Vocês estão lindas. -Ele disse assim que descemos do Uber na frente da boate.

-Você também não está nada mal. -Falei e ele revirou os olhos. 

Como não saímos tarde de casa, o lugar ainda estava um pouco vazio, mas isso não nos impediu de, assim que entramos, ir dançar. Não estávamos na maior boate da cidade, mas era a que mais fazia vista grossa para menores, todos sabiam disso, mas ninguém fazia nada. Dizem por ai que a propina que o dono paga para a fiscalização é bem boa. 

Eu preferia estar na minha casa? Preferia. Mas não vou ficar reclamando de sair com os meus amigos. Eu gosto da companhia deles e eles fazem tanto por mim (mais a Liara, já que faz muito pouco tempo que eu conheço o Caíque) que não custa nada fazer um pouco por eles. Estávamos dançando e curtindo uma boa noite de sexta-feira.

-Vou pegar uma bebida para a gente. -O Caíque gritou mais alto que a música, após dançarmos umas cinco músicas.

Eu e a Liara concordamos e continuamos a dançar. Ele voltou um tempo depois com bebidas. Foi um pouco difícil beber e dançar, mas para tudo tem um jeito (bom, menos para a morte).

Ficamos revezando quem iria pegar as bebidas no bar e sem que eu desse conta, já estava me sentindo flutuando e tranquila demais.

-Tem um garoto que não para de te olhar. -Ela se aproximou quando o Caíque foi pegar mais bebida e gritou no meu ouvido, fazendo eu me afastar, assustada. Ela olhava para alguém por cima do meu ombro. 

-Como sabe que ele não está te olhando? -Não dei muita atenção. Não que eu nunca tenha beijado, mas como não tenho muita oportunidade de ir para festas ou eventos grandes, acabo não tendo muitas oportunidades.

A Liara revirou os olhos e me virou, nada discretamente, para o menino. 

Ele sorriu. 

Um lindo sorriso, por sinal. 

-Eu só sei. -Ela controlou a voz dessa vez. -Vou ir atrás do Caíque, tá? -Concordei com a cabeça e ela se afastou.

O menino veio em minha direção, abrindo caminho pelas pessoas.

-Você estava dançando muito bem. -Ele falou perto do meu ouvido e eu senti meu rosto esquentar de vergonha. -Qual seu nome?

-Anne e o seu? 

-Carlos. -Ele colocou a mão na minha cintura e eu não recusei o seu toque. Eu nunca mais vou vê-lo nem quero um novo amigo, a única coisa que eu quero é aproveitar a noite. -Que sorte a minha ter encontrado uma menina tão gata.

-Por que não corta essas suas cantadas baratas e vamos logo para o fim? -Passei os braços em volta do seu pescoço e ele sorriu para mim. É óbvio que se eu tivesse sóbria, não teria falado algo desse tipo, mas olha o que um pouco de álcool é capaz de fazer com a noção de uma pessoa.

-E que fim seria esse? -Ele perguntou se divertindo com a situação.



Boa tarde, meus amoress!! Como vocês estão?

O que estão achando por enquanto?

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Beijinhos, até segunda!!!

De repente tudo mudouOnde histórias criam vida. Descubra agora