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A Liara me expulsou do telefone quando deus umas seis horas. Como se eu precisasse de uma longa hora para me arrumar.

Minha maquiagem demorou quinze minutos.

A roupa outros cinco.

O sapato uns dois.

No total foram vinte e dois minutos. 

Aproveitei o resto do tempo para organizar o meu quarto, mas antes que eu terminasse, o meu celular apitou.

"Estou saindo de casa"

Eram 19 horas em ponto.

Pontual.

Saí do meu quarto no mesmo instante. Fui até a sala.

-Estou indo. -Anunciei e meus pais me deram um abraço. 

-Leva esse dinheiro, filha. Caso queira alguma coisa.

-Não prec...

-Leva, meu amor. -Minha mãe beijou o topo da minha cabeça e eu sorri.

Ela não precisava me dar mais do que já me dá todo mês. Sei como é difícil fazer sobrar com a escola e os tratamentos do Caetano.

-Obrigada. -Olhei de um para o outro. -Eu amo muito vocês. 

-Também te amamos, minha linda. -Meu pai falou. -Agora vá, antes que eu desista de deixar você sair com um garoto.

Meu pai fez cara feia. Minha mãe e eu rimos.

Dei um beijo na testa do meu irmão que via um vídeo preto e branco sobre trens.

Saí de casa e fiquei esperando bem perto do portão, sempre de olho no celular para ver se ele tinha mandado alguma mensagem.

-Você está linda. -Senti um arrepio com o elogio que veio da janela do segundo andar.

-Obrigada, Bernardo. -Sorri para ele. -Sua avó chegou?

-Sim. -Ele sorriu. -Estamos conversando na sala, está bem legal. 

-Fico feliz por você. -Um carro parou no portão e o Diego saiu de dentro. -Boa noite, Bernardo.

-Boa noite, Anne. -Ele sorriu.

Passei pelo portão e dei de cara com um Diego bem arrumado e muito cheiroso. 

-Nossa, como você está cheiroso. 

-Obrigado. Você está linda. -Fiquei envergonhada por ter elogiado apenas o seu cheiro, enquanto ele me elogiou inteira.

Entramos no Uber, dei boa noite e ele foi até o parque.

-Você tem medo de altura? -Ele perguntou.

Neguei com a cabeça.

-Mas detesto, com todas minhas forças, coisas que giram. 

-Você também passa mal? -Assenti.

-Muito mal! -Ele começou uma história embaraçosa de quando foi no parque de diversão com os seus pais e vomitou dentro de um brinquedo. 

Chegamos no parque antes da história acabar, então ele a terminou na fila da bilheteria.

-Eu te chamei, então eu pago. -Ele disse assim que chegou a nossa vez.

Prontamente neguei e ele prontamente ignorou minha negação. 

Por fim, ele pagou tudo. 

-Onde iremos primeiro? -Ele perguntou.

Olhei em volta e tinham diversos brinquedos que eu queria ir há muito tempo. Acontece que quando você tem uma criança na família e pouco dinheiro, você acaba indo nos brinquedos infantis e nunca nos divertidos. Já vim diversas vezes nesse parque e fiquei admirando a roda gigante, a montanha russa e outros brinquedos radicais, mas a última vez em que fui, foi com a Liara há uns dois anos. 

Meus olhos pararam na montanha russa e ele me puxou pelo braço, empolgado. Por sorte, o parque não estava tão cheio e a fila andou rápido. Depois da montanha russa, fomos no carrinho de bate bate, trem fantasma e no kamikaze. 

De repente tudo mudouOnde histórias criam vida. Descubra agora