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-Mas, Bê... -A Lavínia se jogou para cima dele.

-Lavínia, sai de cima de mim, está me machucando. -Ela levantou meio desconfortável e envergonhada.

-Bom, já está mesmo na minha hora. -Ela disse. -Vamos, Fabiana?

A amiga assentiu e levantou. O resto do bonde levantou em seguida e começaram a se despedir do Bernardo.

-Voltamos no final da semana. -A Lavínia informou, sem nem saber se o Bernardo queria isso.

-Sexta eu tenho compromisso. -Ele logo cortou. -Eu aviso vocês.

A Lavínia concordou e todos começaram a se afastar, não antes de me lançarem olhares de ódio.

O Bernardo olhou para as mãos que repousavam em seu colo. Parecia triste e muito distante.

-Pode ficar um pouco? -Ele perguntou sem me olhar com uma voz triste. Contudo, nada me faria ficar com ele ali hoje, com o meu irmãozinho mal em casa.

-Eu preciso ficar com o meu irmão. -Falei seca, mesmo sabendo que não era sua culpa.

-Entendo.

-Boa noite, Bernardo. -Virei-me para ir embora.

-Desculpa, eu não sabia que a música iria deixar seu irmão mal. -Virei-me para ele. -Por que não falou antes? 

-Mandei mensagem para o seu celular. 

-Desculpa, eu... -Ele começou a apalpar os bolsos da bermuda. -Eu não tenho ideia de onde ele está. -Suspirei cansada. -Eu não sabia... -Ele falou baixinho, triste.

-Não tinha como você saber. -Dei de ombros.

Ele assentiu, triste. 

Eu precisava ir ficar com o meu irmão, mas não queria deixá-lo naquele estado. Ele estava com uma expressão tão triste. 

-Você dorme cedo? -As palavras escorreram pela minha boca, antes que eu pudesse segurá-las. -Posso vir aqui depois que meu irmão dormir. 

-Não precisa, Anne. -Ele me olhou. -Imagino que não tenha conseguido estudar hoje para ficar com seu irmão. Sei como o estudo é importante para você. Não se preocupe comigo, vou ficar bem. -Uma lágrima escorreu pelo seu olho e ele logo limpou.

Meu coração ficou apertado vendo aquela cena. 

Olhei para minha casa antes de respondê-lo.

-Não importa o que tenham dito, não foi a pessoa que está na minha frente agora que fez qualquer coisa que tenham te contado.

Ele negou com a cabeça. 

-Agora não é um bom momento, Anne. Mande notícias do Caetano, por favor.

Assenti e fui para minha casa. 

-Como ele está? -Perguntei para o meu pai assim que fechei a porta. 

-Acalmou. -Disse olhando para o meu irmão que via, pela televisão, vídeos de trem. 

-Vou ficar com ele. -Meu pai concordou e eu fui sentar na sala com o meu irmão. 

Ele estava com os olhos vidrados na televisão e observando-o vi como estava vermelho de tanto gritar e chorar e com alguns arranhões que não conseguimos evitar. Umas lágrimas escorreram pelos meus olhos, mas as limpei antes que alguém as percebesse. O Caetano deitou no meu colo e ficamos vendo, por um bom tempo, vídeos de trem. 

Senti meu celular vibrar no bolso. Foi difícil pegá-lo sem acordar o Caetano que dormia em meu colo. Meu pai falou que o pegaria depois de tomar banho, mas ele recebeu uma ligação e ficou muito tempo no telefone. 

Era mensagem de um número desconhecido, mas pelo conteúdo da mensagem soube que era o Bernardo.

"Estou esperando notícias, Anne!"

"Desculpa mesmo, eu não tinha ideia...

Ouví-lo gritando foi de partir o coração.

Desculpa"

"Anne, por favor, me dá notícias"

"A propósito, é o Bernardo"

Ele estava bem triste pelo que aconteceu, mas eu não esperava nada diferente desse Bernardo.

"Ele acalmou e está dormindo"

Tirei uma foto do meu irmãozinho e enviei para ele.

"Que bom, Anne"

"Espero que um dia você deixe eu conhecê-lo. 

Ele parece um anjinho."

Sorri, de fato o Cae é um anjinho. O meu anjinho que eu vou proteger até meu último suspiro. 

"Como você está?" Perguntei.

"Entendendo porque me trata do jeito que me trata..." Foi a sua resposta.

-Vou levá-lo para cama, filha. -Meu pai apareceu na sala com cabelo molhado. 

Ele pegou o Cae do sofá na mesma hora que eu olhei uma nova mensagem que o Bernardo tinha me mandado.

"Eu sou um monstro"

Não sei porque ler aquilo me incomodou tanto, afinal, ele é mesmo um monstro. Bom, era... Não é mais desde quando acordou do acidente e por mais que eu odeie tudo que ele me fez, eu não consigo odiá-lo... Não enquanto ele está tão doce... 

-Vou dar um pulo no Bernardo. 

-Ok, não demore! Amanhã tem aula. 

-Pode deixar, papai. 

Guardei o celular no bolso e saí de casa. 

Bati na porta e a Flávia me atendeu, surpresa. 

-Anne? 

-Fiquei ocupada o dia todo e vim ver o Bernardo agora. -Não contei o ocorrido. 

-Claro, meu amor. Entre. 

-Obrigada. 

-Pode subir. -Sorri para ela e segui para o quarto do Bernardo.


Boa noite meus amoooores, como vocês estão? 

E ai, estão gostando? 

Estão gostando do novo Bernardo, o Bê 2.0?

Vocês acham que a Anne e o Diego tem futuro? Ou é só uma ficada? 

Conto muito com a opinião de vocês! Comentem MUITO, por favor!!! Isso me ajuda demaaais!

Beijinhos

De repente tudo mudouOnde histórias criam vida. Descubra agora