90 - Te irrito porque te amo

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Música do capítulo:
Fight Song,
Rachel Platten.

Maratona: Parque de diversões 2/2

“Te irrito porque te amo.“

Stella ♥️

Escuto o que tenho para falar, enquanto ando pelo corredor como se eu estivesse desfilando numa passarela. Meu sorriso é gigante, mas não falso. Olho para os lados, bem atenta. Rodopio, com os braços estendidos e os fios do meu cabelo fora dos lugares.

Puxo o ar e prendo ele por um pouquinho de tempo, somente para soltá-lo aos poucos. A minha vontade é de ter a sensação de leveza e calma. O cheiro do hospital não é tão ruim como eu achava que fosse. Quando abro os olhos, percebo que há quadros renascentistas e outras pinturas espalhadas pelo corredor.

Curvo os lábios.

— Essas paredes brancas bem que poderiam ser pintadas de rosa. — Guardo esse meu conselho para mim e saio do hospital do Dr. Morette.

Os pequenos e poucos flocos de neve andam ao meu lado. A brisa e os leves raios de Sol brigam disputando em quem vai ficar comigo, e digo que a melhor companhia vai ganhar um algodão doce. Cruzo os braços, fazendo com que mais calor fica em meu corpo. Uma rajada de vento leva meus cabelos para trás e deixa alguns fios entre meus lábios. Tento sorrir em meio a uma risada — um lembrete de que estou viva.

Atravesso a faixa de pedestres. Duas pessoas passam por mim, alguns carros correm atrás de mim. Na minha esquerda, uma garotinha faz a sua caminhada matinal com um fone de ouvido, provavelmente ouvindo as músicas de seu cantor favorito. Todos estão alheios do meu show especialmente particular. Isso é só meu. Está sendo a minha vez de cantar a minha própria música e de cortar as cordas.

Com muito cuidado, carrego todos esses sentimentos até uma porta, que tem um jardim encantador na frente e uma campainha que já toquei duas vezes.

Depois de sair do hospital, algo dentro de mim pedia silêncio. Não era medo. Era outra coisa. Algo que eu ainda não sabia o nome, mas que me levou até aqui.

A porta é aberta após a minha terceira intromissão. Quando o olhar dela decai sobre mim, sinto algo travar em meus olhos. Achei que seria fácil vê-la logo depois que saí do hospital. Há muita coisa dentro de mim, e eu preciso de alguém que me ajude a entender o que estou sentindo. Acabei de dar um passo enorme na minha vida e não sei muito bem como lidar.

O hospital fica perto da casa da Dra. Cole. Vim andando. Ao longo do percurso comecei a ficar um pouco pensativa, com vários pensamentos ao mesmo tempo. Feliz, com raiva, paz. Feliz. Estranha, confusa, leve. Feliz. Ansiosa... Tudo começou a embaralhar na minha mente e eu só precisava da...

— Doutora Cole...

Ela me olha com ternura, não está brava por eu ter lhe acordado às cinco e vinte da manhã — como marca o relógio na sua caixa de correios. Está de pijama e não parece estranhar a minha visita, como se estivesse me esperando.

A minha terapeuta não fala nada, ela escancara a porta de sua casa me convidando silenciosamente para entrar, como uma mãe quando sabe que o filho está prestes a desmoronar.

— Vou preparar um chocolate quente para nós duas.

— Doutora Cole? — Por pouco não a interrompo. Ela está esperando minhas palavras. — A senhora...? — Dou uma olhada rápida no primeiro cômodo. — Aquelas balinhas... Ainda tem delas aqui?

Te Irrito porque te AmoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora