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Música do capítulo:
Beautiful Things
— Benson Boone.

"Mudar nem sempre é a melhor opção. Talvez voltar a como era, já é o suficiente."

Josh 🏈

Fico me perguntando se sou o mesmo cara de antes.

O garoto que entrou para o time, há cinco anos, e que não imaginava que seria tão bem recebido ao ponto de treinar assiduamente todos os dias e se tornar o capitão por duas vezes. Eu acreditava sempre que seria o vencedor e que antes disso acontecer, lutaria com garra para conseguir.

E quando a positividade era o nosso ponto mais forte, em qualquer momento de nossas vidas. Para o futebol americano isso é como um grito de guerra e eu sempre tentei usar esse nosso lema. Às vezes em que, mesmo destruído por dentro, eu entregava o meu máximo no campo para não decepcionar o treinador, o time, a minha mãe — e principalmente a mim.

Não era somente eu que apostava todas as fichas para o que eu podia me tornar quando eu ainda era um pirralho. No meio disso tudo existia o sorriso da minha mãe. Por mais que o meu pai me perguntava às vezes sobre o esporte e aparecia em alguns, a minha mãe é que sempre foi a figura mais centrada em toda a minha trajetória no futebol americano. Ela sempre foi a minha força, a minha maior apoiadora.

Mas também existe o garoto que pisou pela primeira vez no campo. Lembro quando eu vestia os equipamentos e empurrava o trenó com todas as forças após ver o meu pai brigando com a minha mãe — essas eram as cenas que eu mais odiava.

Descontar toda a minha dor nos treinos sempre me pareceu um ótimo plano, e que executo bem até hoje. Com menos intensidade, mas tendo às vezes o mesmo propósito. Tenho de exemplo quando a dona Maria Victória iniciou um diálogo sobre o passado do meu pai com a minha mãe. Fui forte. Mas foi no treino na academia do prédio que descontei tudo o que eu sentia.

A bebida nunca foi um escape muito bom.

O peso em meus ombros não era nada comparado ao que estou sentindo agora. É como se toda a carga do mundo estivesse pronta para me destruir. Um passo mal executado e game over para mim a qualquer momento.

Essas paredes de concreto me golpeiam todos os dias, e a cada instante meu punho fechado é arremessado contra elas — uma nova dor, talvez era somente o que eu tinha até o meu pai aparecer e trazer com ele tudo o que deixei lá fora.

Mesmo esperando pela prisão, eu não tive tempo de ser racional e me despedir de todos com mais calma. A minha parte sentimental pulou do meu peito e eu só queria ficar mais próximo dos meus amigos e da Stella. Não baguncei o cabelo da Madá, e a minha coroa é uma das pessoas mais importantes da minha vida, sempre foi como uma mãe para mim.

A verdade é que eu não queria decepcionar ninguém ao meu redor. Todos estavam acreditando que eu não seria preso, mas pela primeira vez não tive esperanças e o meu pessimismo teve mais músculos e tudo deu errado. Uma parte de mim queria acreditar que o meu pai e o doutor Bryson Robinson iriam reverter a minha situação, mas era pequena demais.

Os meus amigos já me perguntaram o motivo do que eles me viram fazer naquela noite. Sempre mudei de assunto e pedi com seriedade para não tocar mais nessa conversa. E agora eles não devem saber o que aconteceu, então devem achar que eu abandonei o time e o meu futuro posto de capitão.

Ainda não chegou o dia de visitas e meus olhos estão vendados para o que está acontecendo do outro lado dos portões. Ficar aqui dentro é uma droga, e bem antes de eu entrar que as grades estavam me prendendo. Há tantas pessoas que eu queria abraçar.

Te Irrito porque te AmoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora