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“Para mim, às vezes é mais importante sentir do que ouvir. ”

Stella ♥️

A maçaneta da porta do carro se movimenta depressa. Uma pessoa de cabelos pretos e cumpridos, guardando uma raiva específica, atravessa e para de frente a razão de ter deixado mais uma espinha em seu rosto.

A conversa entre os três é tensa, as alfinetadas sopram de seus lábios como se fossem coisas fáceis de se falar.

E enquanto menos esperávamos, a bolsa de marca, uma das coisas mais importantes para ela, é jogada no colo de sua arqui-inimiga após uma ameaça bem elegante.

O sopro do vento ajuda seus fios escuros a serem jogados para trás e para os lados. Um barulho seco e direto ecoa por todo o estacionamento. Ela deixa uma pessoa com a mão sobre o rosto — que pela força, ficou vermelho e ardendo —, para logo em seguida uma espécie de grito de uma outra pessoa embrulhar o lugar.

Assim, deixando duas pessoas sentindo dor.

— ... e depois disso minha tia Sthéphanie entrou no carro e pediu para ir ao shopping.

— Ela pegou a bolsa?

— Sim!

Soltamos risadas tão contagiantes que até a Hazel emite uma risadinha baixa. Mordo um pedaço do meu hambúrguer e faço descer com dois goles longos de milk shake de morango.

Encaro o meu pote de salada ao lado dos nossos lanches. Contei a história com uma animação desigual, e minhas amigas se impressionaram com cada detalhe descrito.

Isso foi uma completa hipocrisia, porque assim não ficou parecendo que fiquei aflita demais com toda aquela energia pesada. Foi muito difícil ter que ver a minha tia ficar tão exposta ao ponto da defesa dela ter sido encostar nele.

Conheço e sei que não se afetou com o que foi falado pra ela. Mas de qualquer modo eu senti cada letra por ela e confesso que não consegui controlar as lágrimas em silêncio que vieram depois disso.

— A sua tia é uma mulher incrível, Stella! Quando eu crescer, quero ser como ela.

Encaro Mei. Senti tanta sinceridade na maneira que falou sobre a minha tia, que agora tive mais certeza de que ela não foi fraca ou ingênua. Apenas devolveu a ofensa e seguiu sua vida, porque ela não esperou, resolveu tudo ali mesmo.

Talvez esse seja o meu próximo dilema: Não esperar aumentar os insultos que a vida me der. E sim, devolver e acabar com todos no mesmo instante. Isso também pode ser bem libertador.

— Verdade... — Sorrio. — Ela é a melhor tia que eu poderia ter.

Relembro a piscadela que ela deu para mim logo após entrar no carro. Esse gesto falou muito e entendo o significado.

Eu amo tanto minha tia Sthéphanie.

Termino de comer meu hambúrguer, e como ainda tem milk shake decido pegar agora um pedaço da torta salgada.

— Stella! — a mesma voz me chama pela segunda vez. Olho para o lado, e a Tracy está sentada com outras garotas nas almofadas que estão espalhadas pelo chão. — Leva a gente para conhecermos as Red Fire? Nosso sonho é assistir uma competição delas...

— Não faço mais parte do grupo.

Pego o guardanapo da embalagem e limpo os cantos da minha boca. De repente Tracy se arrasta pelo chão e chega nas nossas almofadas, colocando uma por cima das pernas.

— Te falei na semana passada que temos todos os uniformes delas ao longo desses anos. — A garota de cabelos tingidos de loiro levanta o moletom, revelando o primeiro uniforme das meninas. — Somos as maiores fãs das Red Fire!

Te Irrito porque te AmoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora