Capítulo 6

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Um pouco mais tarde. Do lado de fora.


Peguei minha capa de chuva antes de sair. Apesar da chuva, que cai o tempo inteiro, a temperatura é boa. Jayden desaparece por algum tempo e me diz para ir em frente. Pouco depois, surge de uma rua lateral, devidamente acompanhado por Mael.

— O que é que vocês vão fazer, afinal? — Pergunta este, com as duas mãos dentro dos bolsos e um capuz azul-escuro sobre a cabeça.

— Você vai ver. — Responde Jayden, rindo, antes que eu fale qualquer coisa.

Começamos a caminhar na direção do posto avançado de mantenedores mais próximo. Fica perto de um monumento, no subúrbio, a um homem chamado Gauss.

Pouco depois, chegamos ao lugar. Nos abrigamos debaixo de uma marquise. Mael olha para dentro da vitrine da loja atrás de nós, enquanto eu e Jayden olhamos para o pequeno prédio circular mais à frente. É uma pequena torre de vidro escuro. Uma minúscula central que controla as câmeras das redondezas e abriga os mantenedores que fazem rondas no entorno. Um pouco mais adiante, é possível ver a luz vermelha que vem da porta de uma casa de sádicos, e ouvir o dubstep frenético que vem do lado de dentro.

— Normalmente, os mantenedores do próximo turno dão uma passadinha na casa de sádicos antes de entrar no posto avançado — diz Jayden, apontando para o lugar. — Mas eles fazem certo. Já fui a essa casa e, realmente, todos os produtos são de ótima qualidade.

— Talvez eu experimente, qualquer hora. — Comento.

— Os mantenedores do turno atual também costumam ir até ali, no final do deles — Jayden coça a cabeça. — É tão absurdo que eu poderia até achar intencional. Talvez seja. Todo sistema tem uma brecha para que possa ser desvendado e subjugado. Isso acontece com as nossas mesas digitais, com consoles que trancam portas e até com os computadores deles — indica o posto. — Talvez realmente seja de propósito.

— Tanto faz — digo, tentando ir direto ao assunto. — Como é que você sabe dessa troca de turnos, afinal?

— Tem gente que tenta se aperfeiçoar dentro da própria casta, ao contrário de outras pessoas — ele me lança um olhar inquisidor. — A melhor coisa para saber mais sobre os alvos é um computador de mantenedores. Achei que você soubesse disso.

— Poderia saber, caso meus amigos me contassem.

— Quem sabe você devesse perguntar.

— Ah, calem a boca — diz Mael, tirando os olhos dos produtos na vitrine. — O que vão fazer?

— Precisamos entrar no posto avançado e acessar algum computador. O par do Harlan bloqueou o display, então ele só vai conseguir saber mais sobre ela no registro offline dos mantenedores.

Mael apenas concorda com a cabeça. Olho para o display para descobrir as horas: quase meia-noite.

— Quanto tempo vamos ter?

— Em torno de dez minutos. Os mantenedores costumam ser bem rápidos.

Esperamos algum tempo até que os dois que estavam dentro do posto avançado saem e se encontram com outros dois, que estão chegando. Eles vão à porta de luz vermelha, e entram depois de falar com um homem parado junto dela. Saímos da proteção da marquise e vamos à porta de vidro curvo da entrada do posto.

— Você consegue? — Pergunto.

Jayden coloca o joelho no chão e mexe no console junto da porta. Demora no máximo meio minuto, então a porta se abre com um barulho costumeiro de pneumática, e, depois de entrarmos, se fecha. Ele parte direto para o computador mais adiante, um gabinete sobre uma mesa e um projetor apontado para uma parede branca. Todos os computadores de Dínamo estão permanentemente ligados, então é só uma questão de dar algum comando a ele que a projeção aparece.

Deuses e FerasOnde histórias criam vida. Descubra agora