Megan Hayes é uma colegial como qualquer outra, ao menos era o que pensava.
Para concluir o último ano e se ver livre da escola é preciso participar de um estágio obrigatório. Por azar ela acaba sendo enviada a NSTA - uma agencia de talentos. O pro...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Olho inúmeras vezes para o relógio no meu pulso. Droga! Ainda faltava muito para que essa reunião idiota chegasse ao fim.
Durante as horas que se passaram me perguntei o que diabos estava fazendo aqui, porque apesar de ter comprado algumas ações, odiava esta empresa de cafeteiras. Na verdade, eu nem sei porque comprei essa merda.
Às vezes eu comprava ações por impulsos, mas era apenas isso, impulsos. Se não fosse por Savannah, teria perdido muito dinheiro. Mas ela sempre conseguia contornar os problemas, me ajudando a planejar e organizar todos os meus negócios, sobretudo aqueles que eu mais detestava como essa maldita empresa de cafeteiras que o café era tão ruim que tinha gosto de terra.
A verdade mesmo era que queria desaparecer da minha vida por algum tempo, passar todos os meus dias ao lado de Megan, no hospital. Contudo eu tinha compromissos, e por mais que não desse a mínima para nenhum deles, Savannah dava, e ela se importava demais com o trabalho para que eu o arruinasse por egoísmo. Então, por mais difícil que fosse participar de reuniões e cumprir os horários chatos da minha agenda, eu o fazia. Não por mim, mas por minha amiga.
Amiga. Era uma palavra engraçada.
Por todos esses anos tive Savannah ao meu lado, e pensava que ela só era mais uma pessoa que queria ganhar em cima do meu trabalho, que eu era só mais uma tarefa da sua agenda. Sempre a tratei bem, mas nunca reconheci o seu valor na minha vida. Mais tarde percebi que ela não era só a minha agente, como também uma grande amiga.
Ela sofreu quando sofri pela minha família, chorou quando chorei. Foi ela quem me tirou de baixo dos cobertores, abriu as cortinas e me obrigou a levantar a cama quando pensava que nunca mais conseguiria. Ela e Flávia (a mulher que cuidava da minha casa) me fizeram lutar pela vida que consegui conquistar hoje.
Savannah era uma pessoa importante na minha vida, uma das mais importantes assim como Flávia, e eu só percebi depois daquele dia em que Megan jogou tudo isso na minha cara.
* * *
A reunião foi uma droga, como são todas as outras. E só consegui me livrar desta merda quando o sol já estava se pondo.
Aviso a minha agente que terminei meus compromissos por hoje, e travesso a cidade rumo ao hospital.
Faço o caminho mais rápido do que jamais fiz, porque eu sabia que se não visse Megan hoje, nem por um único instante, acabaria perdendo a cabeça muito antes de conseguir chegar aos frascos de remédio que deixei no armário do banheiro do meu apartamento.
E quando eu chego lá, simplesmente não consigo acreditar quando a enfermeira me diz que Megan recobrou a consciência hoje mais cedo.
Ela disse que Megan até havia conversado normalmente com o pai, e com outras pessoas vieram para vê-la quando souberam da notícia. Então todos conseguiram falar com ela, exceto eu.
Antes de me deixar sozinho a enfermeira me disse que se eu tivesse passado uma hora atrás ainda a pegaria acordada.
Maldita reunião!
E que agora estava dormindo profundamente pela quantidade de remédios que teve que tomar depois que o médico foi vê-la.
Ela estava querendo ir embora a qualquer custo, por isso os remédios foram administrados, para que deixasse de ser teimosia e descansasse um pouco mais.
O médico precisaria fazer uma bateria de exames antes de liberá-la para casa, mesmo que aparentemente ela parecesse bem, a enfermeira disse.
Assenti freneticamente, e por mais que quisesse ouvir mais sobre a Megan, que ela havia acordado e finalmente voltado para nós, eu precisava vê-la. Eu precisava botar os meus olhos nela, desesperadamente.
Atravessei o corredor quase correndo.
Entrei no quarto e Megan parecia estar da mesma maneira que estava quando eu tinha a visitado antes de ontem, e por um momento pensei o quão horrível seria se tudo o que a enfermeira que disse, sobre a Megan estar bem e viva, fosse apenas uma ilusão criada pelo meu cérebro como forma de trazer um tipo de reconforto, paz.
Não me aproximei, não ousei diminuir o espaço entre nós. A verdade é que eu estava com medo, apavorado de que fosse apenas outra ilusão.
Só eu sei quantas vezes tive esse mesmo sonho, do dia em que ela acordaria, do dia que voltaria para mim. E só eu sei o quanto sofria quando isso acontecia, a angustia que devorava a minha vontade de continuar a viver toda manhã em que abria os olhos e percebia que tudo não passou de um sonho doce, mas ainda assim só um sonho.
Fiquei receoso, paralisado ao pé da porta. E por longos segundos fiquei ouvindo o som da respiração dela se misturando a minha.
Me aproximei lentamente, com medo de que eu acordasse de repente, enrolado aos meus próprios lençóis e tudo isso fosse mentira.
Segurei a sua mão entre as minhas, e permaneci ali, acho que para quem sabe assim ter um tipo de certeza de que esse momento era real, e era.
Não sei se realmente estava ou este era só mais outro truque da minha mente, mas desta vez seu toque parecia mais quente, mais vivo.
Observei os lábios, estavam avermelhados e o rosto menos pálido. Existia a possiblidade de que nada disso fosse real, talvez a minha mente continuasse a me pregar peças sem parar, e eu como um bobo esperançoso, continuava a me agarrar a cada uma delas.
Por um longo período de tempo tudo o que fiz foi observar o seu peito subindo e descendo, a Megan não estava mais precisando da ajuda dos aparelhos. Isso deveria significar algo bom, certo? Porque esta é a primeira vez em um mês inteirinho que o seu corpo é plenamente capaz de respirar sozinho.
E naquele momento nada no mundo poderia me fazer mais feliz. Tudo o que importava era o fato de que ela estava voltando.
Levo os meus lábios até as costas da sua mão, e a beijo. Inspiro fundo, sentindo o seu cheiro como um lembrete de que estive certo em não desistir, porque não havia nada mais importante do que ela em minha vida.
E em uma fração de segundo, naquele exato instante, abro o meu coração de novo e ouso ter esperanças. Porque tudo o que eu mais precisava era da Megan ao meu lado... e agora ela estava voltando para mim.