Livro 2 - Capítulo 47

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Perdê-lo foi azul, como se eu nunca tivesse conhecido

Sentir a sua falta foi cinza escuro, completamente sozinha

Esquecê-lo foi como tentar saber sobre alguém

Que nunca conheci

Mas amá-lo foi vermelho

Amá-lo foi vermelho

Tocá-lo foi como perceber que tudo o que eu queria

Estava na minha frente

Memorizá-lo foi tão fácil quanto saber todas as palavras

Da sua velha canção favorita

Brigar com ele foi como tentar resolver palavras-cruzadas

E perceber que não há resposta certa

Lamentar por ele foi como desejar

Que você nunca tivesse descoberto

Que o amor pudesse ser tão forte – Taylor Swift Red

As contrações aumentam a cada nano segundo de minha respiração. Olho para o painel do carro e percebo que Fernando esta dirigindo a 110 Km/h em uma das avenidas mais movimentadas de Madri. Solto um grito após o outro de tanta dor e a cada um que é ecoado pelo carro vejo a expressão de agonia na face de Alice.

Não estou sentindo minhas mãos nem meus pés, meus cabelos estão grudados em minha testa por causa do suor extremo. Minha barriga parece que vai se desprender de mim e para ser sincera não vejo a hora dela despencar e paralisar essa dor. Tento formular algumas palavras mas é em vão, meus pulmões estão só preocupados com meus gritos e respiração irregular e não me deixa dar nenhuma palavra nem que seja em forma de suspiro.

A emergência do hospital já fora alertada por Alice enquanto em soluçava de dor no banco de trás do carro. Fui colocada em uma cadeira de rodas e minha cabeça começou a girar. Não sabia se estava tendo vertigens ou meus olhos estavam abrindo e fechando.

Como meu obstetra ainda demoraria a chegar uma mulher mais baixa que eu,de cabelos presos em um rabo de cavalo elegante passa a conversar comigo porem sem sucesso. Eu quero parar de gritar de dor e começar a gritar para chamarem meu marido para ficar comigo.

Agora eu chorava descontroladamente, sentindo que os últimos instantes do qual eu poderia viver eu passaria agonizando de dor sem Henrique do meu lado. Fecho os olhos e ainda me deixo berrar um pouco apesar de que psicologicamente meus ecos de dor não parecem passar em 0,001 por cento. Tento imaginar eu e Henrique em nosso casamento, quando voltei para Barcelona e vi ele chegando com uma loira em casa e na sensação que senti naquele momento. Todos os presentes e sorrisos e olhares que ele já havia me dado poderiam fazer amenizar em estado, mas infelizmente não.

– Vai ter que ser uma cesárea de emergência.

Ao dizer isso ouvi protestos mas estava quase inconsciente para ouvir do que os protestos de tratavam.

– Ela não vai aguentar sem anestesia e fará mal para os bebes. – Explicava. – Não há outro jeito.

– Só quero meu marido. – Falo com a voz fraca mas o suficiente para me ouvirem. – Quero que pare de doer.

Como se eu fosse a autorização maior fui deitada na maca e minha roupa ensanguentada foi tirada. Não conseguia pensar muito bem mas poderia ter se passado mais de vinte minutos que eu entrei na sala de parto e me deixaram chorar sozinha. Ainda com as tonturas senti meu corpo sendo movido de lado e uma picada quinze mil vezes do que ferroara foi sentida em toda minha espinha e então gradativamente a dor foi se esvaindo.

Um amor além de flashesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora