"Sabia que fizera a coisa certa. Pelo menos pensava ter feito. Mas acontece que aquilo era a vida real, e nenhuma decisão era inteiramente clara. Não é como virar no lugar certo e conseguir a felicidade para sempre ou virar no lugar errado e sua vida se transformar num desastre. Na vida real, muitas vezes é quase impossível dizer qual decisão se deve tomar, porque o que se ganha e o que se perde muitas vezes são equivalentes" Melancia.
Eu não conseguia dormir. Minha consciência estava pesada demais para conseguir pelo menos fechar os olhos. A culpa de Henrique sair cantando pneus e desligar o celular e deixar Alice preocupada é toda minha, fora que eu também estava em um ataque de nervos.
Olho no relógio da cabeceira e passava da meia noite e totalmente esgotada de ficar zapeando os canais na TV, desligo a porcaria inútil do momento e me cubro com o cobertor até a cabeça tentando garantir a mim mesma que estava tudo bem.
Escuto o barulho alto de um dos carros com motor potente de Henrique entrar na garagem. Obrigada meu Deus por trazê-lo são e salvo. Rezo silenciosamente.
Um alivio percorre meu corpo inteiro mas a culpa continuava em mim. Não é para menos você destruiu os sentimentos dele, meu inconsciente gritava bravo para mim. Segundos depois a porta se abre de repente me dando um pequeno susto.
Por via das dúvidas fico em silêncio fingindo que estou dormindo para averiguar a situação.
– Porra. – Ele está bêbado.
Sim, com certeza ele está bêbado pela maneira como falou e pela tombada na porta do closet.
Escuto mais alguns ruídos dentro do closet e por fim Henrique volta a fechar a porta do quarto.
Fito o teto como se ele pudesse me dizer o que fazer ou pelo menos tentar me conformar.
*
Acordo de súbito e olho para o relógio ao lado da cama e marcam oito e meia. Ótimo, Henrique já deve ter saído para o treino e não preciso confrontá-lo logo de manhã. Por mais que eu senti um alivio ontem a noite, minha consciência ainda está pesada, devo a ele um pedido de desculpas por ter sido tão grossa na noite passada.
Me visto rapidamente e escuto a voz de Alice no andar de baixo e a voz masculina que julgo ser de Fernando não parece ser muito animada como de costume. Sei que é feio escutar conversa alheia, mas mesmo assim fico a espreita na escada.
– Ele está um caos. – Alice continua a conversa.
– Com certeza não deve ser fácil para ele. – Fernando diz não muito interessado no assunto.
– Não aguento vê-lo assim para baixo. Nunca o vi tão triste e beber por causa disso.
– Eles não podem fingir uma relação. – A observação de Fernando me pega de surpresa.
Tudo ao meu redor estava ficando cada vez mais difícil de conseguir manter. Como Fernando disse não posso mais continuar mentindo para mim mesma como se isso fosse minha realidade e que fosse realmente bom tanto para mim tanto para Henrique.
O sentimento de culpa me vem mais forte como um tsunami me indicando que eu deveria criar vergonha na cara. Voltei ao quarto em busca de coisas que pudessem me salvar desse pesadelo. Abro as gavetas procurando somente o que destacava meu nome.
– Helena, está acordada? – Alice grita do corredor.
– Sim, estou. – Tento ser o mais natural possível.
– Eu e Fernando vamos sair quer ir junto? – Abro uma frestinha na porta.
– Não obrigada. Talvez eu vá ver Luana mais tarde. Podem ir é bom vocês terem um tempo de vocês. – Isso não era mentira.
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Um amor além de flashes
RomanceDeterminada, sonhadora, irritante e dona total de si Helena viaja para Barcelona para estudar durante um mês com intensão de melhorar seu currículo e melhorar seu histórico profissional. O que ela não esperava era que ia melhorar também seu históric...
