Livro 2 - Capítulo 49

5.3K 367 12
  • Dedicado a Isabelly Marques
                                        

Tento me ajeitar em meu leito de hospital mas está impossível, meus pontos estão doloridos e minha barriga parece não desinchar nunca. Quero minha cinturinha de volta e não ficar flácida!

Meus dois meninos acabaram de sair mais uma vez, sua última mamada no hospital já que amanhã vamos finalmente para casa. Depois de quase quatro dias poderemos ir para nossa nova casa a qual eu ainda não tinha visto depois dos últimos detalhes da reforma. O duro vai ser deixar minha pequena de lacinho rosa no cabelo no hospital. Não será fácil, afinal tenho que alimentar três bebes sendo que um deles estará longe de mim naquela maldita incubadora.

Henrique ficou hesitante depois que toquei no nome de Guilherme, sempre se esquivando da conversa mas cada vez que olho para ele vejo seus olhos marejados por nossa filha que não apresentava melhoras. Eu não conseguia esconder minhas crises de choro, afinal queria minha família em casa e saudável. Não conseguia acreditar que logo que soube mais sobre o assunto ele não pensou de cara no irmão o que era obvio demais e claro que o fato de amenizar sua cabeça dura nos gerou algumas discussões.

Fiquei atenta quando Henrique finalmente ligou para seu irmão. Ele não parava de andar de um lado para o outro contando em detalhes cada fato que tinha nos acontecido até chegar a parte da cirurgia delicada de nossa Valentina. Engoli seco quando Henrique explicava o que estava acontecendo e fiquei paralisada quando Henrique me disse que seu irmão tinha desligado antes mesmo de terminar de falar do estado clínico de nossa filha.

Minha esperança tinha desligado o telefone na cara do meu marido, a esperança da qual eu nunca tinha trocado uma misera palavra e me olhou sem importância de dizer um maldito oi quando o vi pela única vez. Eu estava com raiva de Guilherme mesmo ele nunca tendo dirigido a palavra a mim. Como ele pode se negar a escutar? Ele também é pai daquela garotinha linda chamada Clara! E apesar de ter se passado quatro dias desde a ligação minha raiva dele não parecia diminuir meio por cento.

Termino de me arrumar com dificuldade mesmo colocando um vestido leve. Meu rosto está pálido desde que acordei e meus cabelos cor de chocolate sempre bagunçados. Pelo espelho vejo Henrique entrar no quarto carregando as sacolas de maternidade dos nossos meninos. Sua camisa pólo azul marinho e sua bermuda creme adornam seu corpo musculoso e seu sorriso de lado irritante está lá novamente. E como ele está lindo meu deus do céu!

– Prefiro esse modelito. – Faço uma fingida cara de nojo.

– Acredite. – Faço uma pausa me analisando novamente no espelho. – Não pareço mais tão doente assim.

– Vamos para casa. – Fala enquanto enlaça seus braços em minha cintura.

– Não queria ir pra casa. Queria que todo mundo fosse. – Minha expressão cai.

– Nós vamos super...

O pediatra entra no quarto esbaforido no quarto nos assustando. Não deu nem tempo de Henrique me consolar dizendo que ficaria tudo bem que tudo já estava indo mal. Nossa filha estava tendo uma parada cardíaca e precisava ser levada a cirurgia de emergência.

Fico zonza com toda a movimentação. Me apoio na parede perto da porta refletindo por um momento. Mas será que ninguém nessa merda se ligou que não conseguiram sangue compatível?!

Choro incontrolavelmente pela conclusão que eu própria tinha tido. Sinto duas mãos femininas segurando meu corpo, seu toque em minha pele ainda era desconhecida. Ela me ajuda a levantar devagar, meus pontos agora pareciam pulsando de por causa da dor. Seu rosto ainda era familiar, mas não sei de onde a conheço.

–Obrigada por vir. – Minha sogra entra no quarto e abraça a estranha familiar. – Luisa ainda bem que vocês vieram.

Luisa... Luisa... Luisa! Esposa de Guilherme!

Um amor além de flashesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora