Livro 2 - Capítulo 38

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Tento me ajeitar no acento do motorista e me viro e me viro e me viro...

–Droga! – Praguejo.

O Audi A1 de Alice parece pequeno demais para eu e minha barriga de grávida de três meses de trigêmeos. Pego meu celular e disco o número mais familiar que eu conheço.

– Henrique. – Falo chorosa e encosto a testa no volante enquanto seguro o celular ao ouvido.

– O que aconteceu minha linda? – Diz preocupado.

– Henrique eu não entro mais no carro! – Murmuro irritada.

– Em que carro?

–No da Alice. – Ele ri.

–Era só isso. – Respondo que sim não vendo graça em nada. – A Lamborghini está a disposição.

Olho para o carro preto brilhante ao lado e faço uma careta.

– Não quero ela. – Minha voz sai como uma criança.

–E aliás onde você vai?–Gaguejo um pouco e ele sente minha hesitação. – Não me diga que está sozinha. – Sinto seu sorriso desaparecer.

– Sim estou e estou indo fazer compras.

– Compras? – Indaga.

– Sim compras. – Ele reflete no outro lado da linha.

– Pegue a Lamborghini e não reclama vai. – Bufo por ele ser tão mandão.

– Ok, eu vou. – Falo em derrota.

– Sua mãe vai junto não é? – Lá vamos nós...

– Henrique vou comprar algumas coisas e os remédios que estão acabando. – Só de lembrar sinto o gosto de ferro em minha boca. Eca.

– São vitaminas para nossos filhos Helena. – Explica. – Vai demorar?

– Não. – Ele da um longo suspiro.

– Ok, mas quero o celular grudado em sua mão quando eu ligar quero que atenda.

– Certo. – Falo animada. – Eu te amo.

– Eu te amo também. – Suspira mais uma vez contrariado. – Não esquece do celular.

– Não vou tchau. – Desligo e pego a chave da Lamborghini na parede das chaves.

Deixo minha bolsa no banco do carona e saio pelo portão principal. O dia está lindo e faz muito calor. Agradeci por ser verão aqui e não ter que ficar usando calças e sim vestidos soltinhos e chinelos. Estaciono o carro no subsolo e claro, olhares para mim não faltavam.

Caminhei pelo shopping mais devagar que o normal, pois minhas costas começaram a doer mas não há nada que vai me deixar abater e não deixar comprar um presente lindo para Henrique. Passo em uma loja de artigos masculinos e fico analisando a vitrine e tentando achar algum sentido para dar algum daqueles objetos a Henrique. Eu queria que fizesse sentido o presente e que ele ficasse emocionado. O celular em minha mão começa a tremer e atendo sem ver quem é ainda prestando atenção a vitrine.

– Alo. – Falei em português mesmo.

– Olá garota brasileira mais linda do mundo. – Sorrio com o comentário.

– Agora acredita em mim? Atendi o celular bem rapidinho. – Brinco.

– Agora está com um pouco de crédito comigo. – Gargalhamos juntos. – Não vai cansar muito, amanhã estamos indo a Madri não se esqueça.

– Está nervoso? – Pergunto pois amanhã ele será apresentado oficialmente, no estádio com o publico todo lá.

– Demais. – Admite.

Um amor além de flashesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora