Fawkes apareceu numa labareda de fogo, iluminando a sala escura e assustando os membros da Ordem que estavam reunidos. A falsa Ella Prince, agora inconsciente, jazia no sofá, aguardando o efeito da Poção Polissuco se dissipar.
Dumbledore se aproximou rapidamente da ave, pegou o bilhete que McGonagall havia enviado e leu com olhos atentos.
- Alastor, você precisa vir comigo. Temos problemas - disse Dumbledore, com uma gravidade incomum na voz, o que fez todos na sala se entreolharem preocupados.
- O que houve, Alvo? - perguntou Moody, seu olho mágico girando freneticamente em busca de ameaças invisíveis.
- Minerva não explicou detalhadamente, apenas pediu que chamássemos os aurores - respondeu Dumbledore, já colocando sua capa e descendo as escadas com passos apressados.
- Espere! Eu vou também - disse Kingsley, vestindo-se rapidamente e correndo atrás dos dois. Snape, com um olhar impassível, desceu logo atrás, mas seu coração estava acelerado. Ele sabia que qualquer situação envolvendo Ella poderia ser perigosa.
- Esperem, o que faremos com a falsa Ella? - perguntou Lupin, correndo atrás deles sem entender nada.
- Fiquem todos aqui e não saiam da casa até que eu volte, deixem o corpo amarrado com as cordas que conjurei. Não importa quem seja, não a libertem Está me entendendo? - orientou Dumbledore com firmeza, seus olhos normalmente gentis agora penetrantes e autoritários.
- Tá-ta certo, Dumbledore - concordou Lupin, ainda confuso e um pouco ansioso.
- Vamos à casa de Corey e Christine - disse Dumbledore, aparatando imediatamente. Os outros três seguiram logo após ele.
Enquanto isso, na casa de Corey, Ella e McGonagall haviam prendido os criminosos num canto da sala e isolado Corey e seu filho do outro lado. Ella religou os disjuntores, iluminando a casa novamente, e revelou um cenário de abandono: móveis cobertos de poeira, louça suja e restos de comida podre na pia, a mesa de jantar estava coberta por uma fina camada de poeira, indicando que ninguém vivia ali há algum tempo, a desolação do lugar aumentava a tensão no ar.
- Fique aqui olhando os prisioneiros, vou verificar a casa. - disse McGonagall autoritária.
- Não sou boa com feitiços Minerva, e esses homens são perigosos, melhor ficarmos aqui aguardando os aurores. - respondeu a garota com um olhar impassível.
- Ella, eu sei bem quando estão mentindo para mim - disse McGonagall, com uma expressão severa - O que você sabe que eu não sei? - Ela podia ver a ansiedade nos olhos de Ella, mesmo que a jovem tentasse esconder.
- Sei preparar um delicioso sorvete de limão sem usar magia - respondeu Ella com ironia tentando mascarar seu nervosismo com sarcasmo.
Ambas se encararam duramente, mas a garota manteve seu olhar firme. Minerva viu a personalidade de Snape refletido naquele olhar, ela se recordou quando Dumbledore explicou que Ella era prima e afilhada de Severo, uma conexão que parecia inacreditável na época, mas que agora fazia todo sentido. Ambos usavam sarcasmo, ironia e desdém como uma máscara para proteger seus sentimentos e afastar as pessoas.
- Ella...
- Alguém aparatou - disse a garota interrompendo alarmada, seguindo até a porta com a varinha em punho.
Minerva correu para olhar pela janela e viu quatro silhuetas se aproximando da casa: Dumbledore, Kingsley, Moody e Severo.
- É Dumbledore - constatou aliviada, mas ainda alerta.
- Pode não ser... - disse Ella, apontando a varinha diretamente no rosto de Snape, que foi o primeiro a entrar na casa. Seu coração batia rápido, uma mistura de medo e determinação. - Qual é o ingrediente mais raro da minha poção antídoto?
- Lágrimas de fênix - respondeu Snape inexpressivo, mas seus olhos mostravam uma ligeira preocupação por Ella. - Os outros são eles mesmos, confie em mim - acrescentou, ao ver que Ella ainda estava desconfiada.
- Sou eu mesmo, Ella, fique calma, veja - disse Dumbledore num tom bondoso, entrando na casa com Kingsley e Moody, a garota o analisou desconfiada. Ele ergueu a varinha e uma fênix azulada saiu da ponta, voando pela sala. - Pode relaxar. - disse ele tentando dissipar a tensão visível no rosto da jovem.
- Eu precisava verificar. Carrow está agindo, nada é improvável - respondeu ela, inexpressiva e com uma voz robótica, mas seu olhar revelava um tipo de emoção que não era possível detectar.
- E como podemos confirmar que você é você mesma, menina? - questionou Moody, com seu habitual ceticismo.
- Olá, boa noite Minerva, e oi.. err.. Ella, como vai? Sua perna está melhor? - disse Kingsley acanhado tentando aliviar o clima.
A garota deu um olhar de nojo para ele.
- Você é o auror que estava no bar do Aberforth.
- Sim, eu estava lá, você se lembrou? Eu tentei ajudar e... - começou ele animado.
- Não foi uma pergunta, chega de tagarelar, temos coisas importantes para resolver. - respondeu ela secamente.
- Isso responde sua pergunta? - perguntou Dumbledore, risonho, tentando dissipar a tensão e se aproximando de McGonagall, enquanto Moody desviou o olhar de Ella para analisar a cena.- Mas vamos ao que interessa, quantos são?
- Dois estão dominados pela Maldição Imperius... - começou McGonagall, seus olhos ainda atentos a qualquer ameaça.
Enquanto McGonagall explicava o que aconteceu a Dumbledore, Ella puxou Snape pelo braço até a escada.
- Tem algo que preciso mostrar antes que eles vejam - disse ela, a urgência em sua voz não escapando a Snape.
Severo analisou o olhar alarmado da garota, e por fim concordou.
- Vamos antes que percebam - assentiu Snape, passando os olhos pela sala e vendo que todos estavam distraídos identificando os prisioneiros.
Os dois subiram as escadas, e Ella guiou Snape até um quarto onde dois corpos jaziam inertes no chão. Snape, assim como Ella, não expressou nenhuma reação imediata, nem mesmo ao ver os detalhes no chão que deixava claro o uso de magia negra ali, mas seus olhos se estreitaram ao ver os rostos dos mortos.
- Eles são...
- Sim, eles não podem saber que nós os conhecemos, pelo menos não por enquanto. Acho que tem algum delator dentro do Ministério, junto aos aurores - sussurrou Ella rapidamente.
- Precisamos investigar melhor - assentiu Snape, analisando o rosto da garota, seu tom de voz mostrando uma rara empatia.
- SEVERO?! ELLA?! - chamou a voz de Dumbledore lá de baixo.
- Estamos no segundo andar! - respondeu Snape num tom mais alto que o normal. - Algo terrível aconteceu aqui.
Impressionantemente, Dumbledore escutou e subiu rapidamente as escadas com Moody o seguindo. Kingsley foi chamar os aurores, e Minerva ficou cuidando dos prisioneiros.
Dumbledore viu Snape olhando seriamente para dentro de um quarto e entrou, vendo Ella na mesma posição, olhando para algo no chão. Os olhos do diretor seguiram os de Ella e ali estavam, dois corpos, dois adultos mortos.
A energia do lugar caiu sobre ele como uma tonelada, mas ele manteve a calma.
Moody entrou logo atrás de Dumbledore e viu a cena, ele reagiu como um bom detetive, se aproximando e analisando os corpos no chão.
- Morreram há algumas horas, estão em rigor mortis - disse ele, a voz carregada de experiência.
- Não é exatamente isso que estamos observando, Alastor - disse Dumbledore, acendendo a luz de sua varinha e iluminando runas entalhadas no chão de madeira, a visão das runas aumentou a gravidade do que estava diante deles.
Moody se afastou para ver o desenho completo e assoviou surpreso.
- Só vi algo assim nos tempos de Grindelwald - disse ele, a voz tingida com uma sombra de temor e reverência pelo poder sombrio que essas runas representavam.
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A Princesa Mestiça e a Ordem da Fênix
FanfictionElla Prince é uma bruxa elegante e respeitável, mas também uma mestra das travessuras quando provocada, especialmente com seu padrinho Severo Snape, alvo constante de suas brincadeiras. Snape, que a trata como uma criança, o que desperta sua rebeldi...
