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Capítulo 66 - Escolhas e Sugestões

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Ella acordou se sentindo dolorida, e viu paredes azul claro com detalhes dourados, muitos quadros na parede, em uma decoração estilo barroca, ela estava deitada numa cama enorme de casal e a sua frente havia uma bancada decorada com runas antigas, onde cinco caldeirões fumegavam poções de cores diversas, atrás da bancada uma prateleira enorme com mil ingredientes de poção. Ela tentou se levantar, mas o som de cascos chamou sua atenção, ela olhou para o lado esquerdo alarmada e viu uma crina prateada brilhante, era Firenze.
Ele colocou o dedo nos lábios, e apontou para o lado esquerdo dela, onde Severo dormia profundamente, com a cabeça e os braços na cama e o resto do corpo no chão.

Ella se levantou cuidadosamente para não acordar Snape, e saiu com Firenze pela porta, descobrindo que estava nos aposentos de Dumbledore, aquele quarto, a cama onde dormiu, era do próprio diretor, ela descobriu também que trocaram suas roupas.
- Quem tirou minhas roupas? - sussurrou ela para Firenze.

- Madame Pomfrey e a professora McGonagall, as duas te limparam, e te trocaram depois que tratamos seus ferimentos. - explicou o Centauro calmamente.

- Quanto tempo fiquei desacordada?

- Acho que 2 dias apenas, Dumbledore me pediu ajuda e quando cheguei Severo estava retirando o restante dos estilhaços das suas costas, depois as mulheres te limparam, e aplicaram o emplastro de ervas que eu preparei. - contou Firenze.

- Por que Dumbledore te chamou? Eu estava tão mal assim? - questionou ela preocupada.

- Não fisicamente, mas seu espírito parecia estar perdido, nem Dumbledore te encontrava, então ele pediu ajuda aos centauros e eu vim, deu bastante trabalho te ajudar a retornar, tive que pedir ajuda ao outro lado. - explicou Firenze arrumando alguns frascos em uma bolsa.

- Foi você quem chamou a minha mãe? - perguntou ela com um leve tom de emoção na voz.

- Eu não sabia com quem estava falando, sabe a comunicação com o outro lado é via de mão única, nós falamos aqui e eles escutam de lá, mas não podemos ter retorno. A não ser com uso de magia negra que nós centauros não usamos. - disse o centauro colocando a bolsa sobre o ombro. - Agora que está bem, preciso retornar ao acampamento centauro.

- Espere, tenho algumas perguntas. - suplicou ela, Firenze analisou o rosto aflito da garota e deu um suspiro.

- Se aceita um conselho, recomendo que não volte para o limbo, cada vez que vai fica mais difícil de te fazer retornar - advertiu Firenze - e deve contar a Dumbledore o que viu por lá.

Ella deu um sorriso zombeteiro, sentindo uma leve fisgada na bochecha.
- Ai - disse ela massageando a maçã do rosto e depois voltando ao assunto - Os centauros não contam suas visões para os humanos.

- Você é um centauro? - perguntou Firenze sarcástico.

- Não.

- Então conte a ele. - disse Firenze com simplicidade.

- Eu não sei ao certo o que vi... - comentou ela indecisa.

- Sabe sim, e até já interpretou o que significa. - disse o centauro impaciente - Olha, eu não me gosto de me envolver em assuntos que não dizem respeito aos centauros, mas nós vimos nas estrelas, seu futuro e o de Dumbledore estão de certa forma entrelaçados, assim como o futuro do Severo Snape, não há como desatar esse nó.

- Mas uma visão do futuro é sempre incerta não é? Porque podemos ver possibilidades, e não há destino selado, ou há? - questionou ela já sabendo da resposta. Firenze riu sem vontade.

- Todos nós temos um destino, e as possibilidades são os caminhos que escolhemos para ir em direção a ele, você pode até querer desatar o nó entrelaçado com as pessoas na sua vida, mas estará apenas adiando o inevitável, é mais prudente fazer a coisa certa, e a coisa certa é avisar Dumbledore sobre o que viu, para que comecem a trabalhar nesse futuro, e quem sabe assim, consigam mais tempo, ou garantam maiores possibilidades? - disse Firenze de maneira positiva.

- Seguirei seu conselho, obrigada. - assentiu ela.

- Ótimo, estou indo, fique bem nobre ninfa, e lembre-se, sempre terá a nós quando precisar. - prometeu ele e deixou a sala do diretor.

- Talvez pense que é invencível Prince, mas posso lhe assegurar que só está viva por um milagre, então volte logo para a cama antes que eu te transfigure em pedra e te deixe imóvel por dias. - ameaçou Severo da porta, ele tinha olheiras muito escuras sob os olhos, e o cabelo estava desgrenhado.

- Eu que me machuco mas é você quem definha? - perguntou ela irônica.

- Já se olhou no espelho? - perguntou ele cruzando os braços sem emoção no rosto. Ella revirou os olhos sorrindo, e se aproximou dando um abraço apertado em Severo que retribuiu meio sem graça.

- Eu estou bem, não sou imortal, mas sou difícil de matar - disse ela dando risada e sentindo sua bochecha repuxar.

- Infelizmente - disse Severo com sarcasmo - Mas preste atenção, se um dia você morrer, será por que eu a matei depois de você me irritar muito, nenhuma outra pessoa tem permissão para te matar a não ser eu.

- Essa é sua forma de dizer que me ama? - perguntou ela rindo ainda mais - parece um psicopata falando.

- Talvez eu seja, me irrite mais e vai descobrir, peste. - praguejou Severo segurando um sorriso. - Agora volte para a cama, tem algumas poções que precisa tomar.

- Mas eu já estou bem, acredite. - garantiu ela impaciente.

- Olhe no espelho, e veja se está bem. - recomendou Severo conjurando um espelho e dando nas mãos dela.

Ela pegou o espelho meio hesitante, e deu uma olhada, ela tinha dois enormes hematomas nas maçãs do rosto e na testa, um corte de uns 15 centímetros na bochecha, e um na sobrancelha, seu cabelo estava parecendo um ninho de pássaros, com algumas mexas queimadas, e o resto todo emaranhado. Ela deu um suspiro e sorriu.
- Já estive pior que isso e melhorei sem precisar de poções.

- Se não se deitar agora, nem mesmo o elixir da vida poderá te curar quando eu te pegar. - ameaçou Severo a colocando na cama usando um feitiço enquanto pegava um pouco de poção num caldeirão.

Ela fez uma careta e mostrou a língua para ele como uma criança rebelde, ele aproveitou a deixa e a fez engolir a poção usando um feitiço para manter a boca dela aberta.
- Você é intragável. - reclamou ela limpando um pouco de poção que escorreu para o queixo. Ele se sentou ao lado dela na cama e começou a rir.

- É muito bom vê-la reclamando de novo. - sorriu ele satisfeito. - agora vou dormir um pouco, estou exausto. - avisou ele se deitando no colo dela de forma espalhafatosa para irritar. - Sabe, você poderia ter usado Protego ao invés de se jogar na frente de Olho-Tonto.

- Eu não teria sido rápida o bastante, acredite. - afirmou ela.

- Você precisa treinar mais, use esse tempo extra que terá agora para melhorar seus reflexos para lançar feitiços e um dia será tão boa nisso que voltará de suas batalhas sem nem um arranhão, como Dumbledore. - recomendou ele bocejando.

- Que tempo extra? - perguntou ela confusa.

- Carrow foi preso, Nightshade foi desmembrada, o ano letivo está finalizando e você não precisa de emprego para se manter, logo não haverá mais nada com o que se preocupar. - explicou ele cansado.

- Não havia pensado nisso, nem sei o que posso fazer com tanto tempo extra e liberdade. - disse ela pensativa.

- Transfigurar o panaca do Shacklebolt em lesma e jogar sal por cima sempre será uma ótima opção. - sugeriu Severo maldosamente e dando outro bocejo.

- Talvez eu faça isso, ou talvez eu possa escolher ficar aqui, como professora.

- Há várias opções, você é livre agora. - afirmou Severo caindo no sono.

Ella ficou ali acariciando de leve os cabelos dele enquanto o via ressonar, com sua mente cheia de perguntas e pensamentos sobre o que futuro poderia lhe reservar.

A Princesa Mestiça e a Ordem da FênixHistórias para pegar e não largar. Descubra agora