Capítulo 73 - Pedra Filosofal

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Dumbledore permaneceu em silêncio por longos minutos, com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos sustentando o queixo, seus olhos estavam fechados, profundamente imersos em pensamentos, ele parecia sereno, como se estivesse dormindo, enquanto Ella não conseguia afastar as memórias da sua visão, um presságio inquietante, cenas da torre de astronomia e do corpo de Dumbledore no chão apareciam como flashes em sua memória, a lembrando que tempo corria enquanto incerteza do que estava por vir pesava em sua mente.  

Será que ela poderia, de alguma forma, evitar o futuro que tanto temia?
O silêncio foi quebrado pela voz suave de Dumbledore, ainda com os olhos fechados em sua pose pensativa.
- O Anhangá estava na floresta da Albânia quando o viu pela primeira vez?

Ella refletiu por um breve instante antes de responder.
- Sim. Mas me diga, Alvo... Como soube que ele era um Anhangá? Eu não consegui perceber com tanta facilidade como você.

Dumbledore abriu os olhos devagar, um leve sorriso curvando seus lábios enquanto ele a observava com bondade.
- Você não é afetada pela presença da espécie como eu ou qualquer outro bruxo. No momento em que cheguei, senti a magia nele, da mesma forma que senti em você.

- Isso é possível? - Ela murmurou, incrédula.

Dumbledore assentiu com serenidade.
- Para bruxos mais experientes, ou aqueles com maior sensibilidade, sim. Somos seres mágicos, sentimos a magia de formas específicas, variando de pessoa para pessoa.

Ella inclinou-se ligeiramente para a frente, sua curiosidade evidente.
- O que você sentiu exatamente?

Dumbledore hesitou por um momento, como se estivesse tentando colocar em palavras algo indescritível.
- É difícil explicar... mas creio que você tenha notado como as pessoas reagem quando você invoca um Patrono, o que senti naquele homem foi algo semelhante, mas muito mais complexo e intenso.

- E sentiu o mesmo quando me viu? Ou só soube quando invoquei o Patrono? - perguntou ela, intrigada.

- Percebi no instante em que vi as runas na sua varinha. - Dumbledore estendeu a mão, sinalizando que queria vê-la novamente. Ella entregou a varinha com cuidado, e ele a examinou, os dedos deslizando pelas runas gravadas com precisão. - Sabe o que essas runas significam?

Ella balançou a cabeça, admitindo sua ignorância fazendo Dumbledore sorrir levemente.
- É compreensível que não saiba, essas runas pertencem a uma área da magia quase esquecida. Hoje em dia, é estudada apenas no Departamento de Mistérios do Ministério. - Ele indicou uma das runas. -  Esta, por exemplo, representa a luz do sol, mas não sua forma física, é mais sobre a sensação que ela traz: calor, vida, esperança... - Ele apontou para outra runa - E esta significa destinado a proteger, como se fosse o karma de quem leva essa marca.

Ella riu suavemente, ainda confusa.
- Ainda não entendo completamente.

Dumbledore riu junto com ela.
- Em termos simples, cada runa simboliza um dos aspectos místicos de um Anhangá, elas canalizam a magia que flui em você, tornando-a mais refinada e, ao mesmo tempo, servem como uma identificação. Acredito que seu pai tenha feito essa varinha com o propósito de lhe dar mais controle sobre seus poderes, enquanto deixava uma marca de quem você realmente é. Talvez seja por isso que o Anhangá confiou em você tão rapidamente, assim como você nele, já que a espécie opera em uníssono, sem interferência de ego.

Ella ponderou por um momento, sentindo-se um pouco desconcertada.
- Por que não me contou essas coisas antes?

- Porque não sou um especialista no assunto - A voz de Dumbledore estava cheia de compreensão - Eu não podia ensiná-la com base em suposições, hoje, no entanto, pude confirmar minhas teorias, por isso estou lhe revelando agora.

Ella suspirou, suas palavras carregadas de um peso que ela mesma mal compreendia.
— Eu não sei explicar como soube que podia confiar nele, mas... havia uma familiaridade diferente da que sinto com Severo, senti no meu âmago que deveria confiar nele, um sentimento quase compulsório... Não pude evitar de agir cegamente o trazendo para cá, e com isso quase coloco em risco o nosso segredo, tive sorte da minha intuição estar certa. - desabafou ela se sentindo culpada pela sua impulsividade.

Dumbledore a observou com cuidado, seus olhos carregando uma sabedoria antiga.
— O que você sentiu foi natural, algo ligado ao seu sangue e à sua essência. Sua parte humana percebeu a paz na aura dele, enquanto sua parte Anhangá sentiu a lealdade inerente à espécie. — Ele fez uma pausa, antes de continuar suavemente. — Creio que Maylos se tornará um aliado valioso em nossa missão, e pra ser sincero, não acho que você arriscou nosso segredo, ao contrário, penso que sabia exatamente o que fazer para ajudar.

Ella franziu a testa, sua curiosidade novamente despertada.
- E o que foi aquilo que vocês fizeram quando uniram as mãos sobre a mesa?

Dumbledore soltou um pequeno suspiro, como se estivesse revisitando memórias antigas.
- Li uma vez, em um livro de alquimia, que os Anhangás tinham o poder de guiar os humanos. No passado, eles faziam uma espécie de sessão espiritual, onde uniam suas mãos às de um bruxo para consultar o presente, o passado e o futuro. A partir disso, usavam a luz dentro de si para aconselhar e iluminar o caminho dos mortais. Quando vi Maylos, soube que precisava testar essa teoria, que se mostrou extremamente útil. Agora, acredito ter uma ideia mais clara dos planos de Voldemort.

Ella endireitou-se, alarmada.
- E o que você acha que ele está planejando? Ele é apenas uma sombra, não? Algo mais parecido com o Pirraça do que realmente um fantasma, o que ele poderia fazer nessa situação?

Dumbledore, agora com um brilho sério nos olhos, respondeu:
- Se Quirrell estiver ao seu lado, ele poderá fazer muito. Há meses ouvi rumores sobre a estadia de Quirrell na Albânia, depois, ele viajou pela França, e a Pedra Filosofal de Nicolau Flamel quase foi roubada. Flamel, por precaução, pediu-me para guardar a pedra em segurança aqui, e agora acredito que Quirrell esteja envolvido de alguma forma.

Ella franziu o cenho, confusa.
- Mas se você já guardou a pedra em segurança, por que me pediu na carta que eu trouxesse um objeto importante para você?

Dumbledore sorriu enigmaticamente.
-Eu nunca confiaria algo tão importante a uma simples carta que poderia ser interceptada, Fawkes me ajuda nessas questões mais delicadas.

Ella piscou, surpresa.
- Alvo Dumbledore, você é astuto de um jeito quase maldoso! - Ela riu, ainda um pouco atônita com a revelação.

Dumbledore riu junto com ela, mas seu olhar logo se suavizou em preocupação.
- Espero que não se sinta mal por causa das providências que tomei.

Ella balançou a cabeça, sorrindo.
- Não, de forma alguma. Na verdade foi brilhante! Mas... você acha que a carta foi interceptada?

- Tenho um bom palpite. Mas o importante é que a pedra está segura no Gringotes, por enquanto.

Ella ainda parecia preocupada ao perguntar:
- Gringotes é seguro, mas não seria mais prudente mantê-la perto de você?

Dumbledore assentiu.
- Estou cuidando disso. Mas, com um seguidor de Voldemort em Hogwarts, estou tomando precauções extras. Quando o ano letivo começar, a pedra estará bem guardada em Hogwarts.

Ella suspirou, seu semblante sombrio.
- Espero que esteja certo. Também precisamos cuidar da segurança do garoto Potter, se algo der errado, podemos acabar nos descuidando e pondo tudo a perder.

Dumbledore acenou com a cabeça, pensativo.
- A luz sempre prevalece sobre as trevas, minha cara. E falando de Potter... há algo que preciso providenciar.

Ella suspirou, já prevendo o pedido.
- O que quer que eu faça?

Dumbledore sorriu de forma reconfortante.
- Em breve, Hagrid levará Harry Potter para comprar seus materiais escolares, e com Voldemort à espreita, gostaria que você os acompanhasse discretamente, apenas para garantir que nada saia do controle. Pode fazer isso por mim?

Ella suspirou, mas seu sorriso suavizou a expressão relutante.
- Existe algo que você tenha me pedido com jeitinho e que eu não tenha feito de má vontade?

Dumbledore riu, aliviado.
- Tão parecida com Severo, e ao mesmo tempo tão diferente...

A Princesa Mestiça e a Ordem da FênixHistórias para pegar e não largar. Descubra agora