Capítulo Três - Uma Luz na Escuridão

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(...)


Assim fizeram. Continuaram na direção Leste por um bom tempo até encontrarem uma trilha. A partir dessa trilha seguiram rumo ao Norte e ao Norte apenas. Typson não compreendia o que de importante poderia haver mais além, mas se fosse para ficar em segurança, pelo menos por alguns dias, de muito agradeceria.

Horas se passaram. O frio e a fome aumentaram. O corpo aos poucos ficava dormente de uma maneira que, ao movimentar da perna, enrugava-se o cenho pela dor. Parecia ter se passado séculos. Atícia permanecia imóvel, sempre com uma posição atenta. Ana repousara sua cabeça ao ombro de Typson, a dormir com seus braços envoltos na cintura de seu amigo. Typson não suportava mais ficar montado no animal. O movimento o irritava. A sela o machucava. Estava irritado por se sentir assim. Gostava de montar, de cavalgar. Mas agora tudo que queria era ter um lugar para passar a noite, não importava aonde; seu corpo ansiava descanso.

E no momento em que falaria a sua mãe da sua necessidade, uma luz indistinta apareceu um pouco à esquerda. Fugia do caminho a percorrer, adentrando mais na floresta, uma iluminação alaranjada e fraca. A luz cintilava e apagava-se à medida que cavalgavam. Imediatamente, Typson apontara para a luz.

– Ali! – Exclamara. – Encontrou? A luz?

– Finalmente! – Suspirara Atícia direcionando a égua na curiosa oscilação.

O brilho cresceu conforme se aproximavam, alaranjada e crepitante, cor que iluminava os corações com alegria, quebrando a escuridão. Era enfim alguma energia, alguma esperança, uma confiável direção. Typson acordara Ana, que por ela, confusa, perguntou o que acontecia e logo esclarecida sem a ajuda de ninguém. Era fogo, uma fogueira. Era vida e mais de uma. Nasciam do nada como estivessem postos, em instantâneo. Próximos, esboços cresciam iluminados pela luz do fogo. Eram pessoas. Era um refúgio. Uma estadia.

O acampamento em si era uma luz na escuridão.

No momento, todo tipo de cansaço ou preocupação desapareceu. Uma força crescia no interior, forte o bastante para alcançarem o ponto almejado; força essa que alimentou uma parte do animal. Atícia guiara, a égua acelerou. Prontamente, chegaram a ouvir não só as vozes de seus pensamentos ou o silêncio da floresta. Pessoas vieram em auxílio, carregando os pertences, ajudando-os a descer. Typson fizera o mesmo. Ele observou levarem a égua para longe enquanto sua mãe conversava com um homem, intermediando entre o diálogo e a discussão.

Independente das fogueiras circularem todo o acampamento, a iluminação criava mais sombras que luz. Era difícil enxergar o rosto de alguém.

– Estamos aqui não faz muito tempo, Atícia. – Ralhara a voz do suposto homem que conversava com ela. – E não ficaremos por mais de uma noite sequer.

– Não pediria outra coisa. – Concordara em sua voz conscientemente almiscarada. Typson ouvia a conversa. – Peço-lhe apenas uma tenda para passar a noite. Uma noite apenas, e depois de nada mais precisaremos.

– Pois bem então. – O homem acenara. Em seguida outras pessoas apareceram. Um rapaz e uma garotinha apresentaram-se, guiando os três pelas tendas armadas.

As fogueiras crepitavam como estrelas alaranjadas fincadas ao chão. De fato, não eram muitas, espalhando-se clareira acima, desordenadas, distantes umas das outras. Ao céu, estrelas reluziam no escuro, alfinetando a escuridão com sua resplandecência pendular. Chispavam, faiscavam, glorificavam-se no infinito com os astros em companhia. A Lua continuava a sorrir independente dos acontecimentos decorridos. Ela sorria para o mundo. Para os homens. Para Typson.

A Jornada de um Assistente e a Esfera da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora